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sábado, janeiro 31, 2004

Genealogia

Hoje deparei-me com um artigo sobre genealogia na revista do Expresso desta semana.
Também eu já me dediquei à busca documental dos meus antepassados, passei horas em arquivos vendo microfilmes ou desfolhando livros antigos, descobrindo as minhas origens.
O papel envelhecido pelo tempo, quase sempre manchado, às vezes rasgado, a caligrafia variada e nem sempre simples são alguns dos muitos obstáculos para se conseguir extrair a informação que pretendemos. E tantas vezes os livros de registo em determinados locais ou datas se perderam ao longo dos anos. Por vezes os registos que pretendemos parecem saltar aos nossos olhos uns atrás de outros, mas em outras alturas percorremos as páginas sem fim sem conseguir encontrar uma pequena informação importante. E é tão agradável descobrir um nome procurado no meio de um grande livro cheio de nomes!
E os registos orais? Que delicia que é conversar com os mais velhos, fazer-lhes perguntas, registar tudo, ouvir histórias antigas, tentar decifrar quando o que dizem é realidade ou uma traição da sua memória. Tentar datar os acontecimentos, encadear situações, obter informação sobre os locais onde as pessoas nasceram, cresceram, trabalharam, casaram e faleceram.

Lembro-me que sempre me fascinou a ideia de compilar informação sobre a minha família, mas quando miúdo ninguém me deu importância, achavam que era brincadeira de criança. Depois quando comecei a ter idade, condições e conhecimento para começar por minha conta sem a ajuda dos adultos, fui adiando o seu início porque tantas outras coisas pareciam bem mais interessantes.
Até que após a morte da minha avó, a última representante da sua geração, tomei consciência que tinha perdido uma importante fonte de informação e que não podia continuar a adiar. Assim iniciei a minha pesquisa lendo muita coisa, aprendendo, procurando informações e lições com quem sabia. Na altura conseguia dispor de algum tempo livre para dedicar à genealogia e foi com enorme gosto que descobri tanto sobre o passado da minha família. Não só os avós, mas também os tios, os primos, os locais, os rituais ou a vida de cada época.
Hoje ainda tenho muito para descobrir, existem ainda muitas incógnitas para conseguir decifrar, infelizmente o tempo que tive no passado hoje é inexistente. De vez em quando ainda tomo notas de informações que recolho por acaso, numa conversa, num texto que encontro, numa foto de família que é encontrada, quando alguém nasce, casa ou falece.
Até agora não consegui nenhuma ligação a famílias importantes, por isso sou mesmo descendente do povo anónimo, o que me dá ainda mais prazer nesta procura porque tudo tem de ser encontrado naqueles livros cheios de história. Consegui até agora referenciar mais de 1750 pessoas e os registos mais antigos remontam a finais do século XVI.

Hoje ao ler o artigo no Expresso, deu-me as saudades e apeteceu-me voltar aos arquivos! Vamos lá ver se arranjo um tempinho para o fazer!

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