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terça-feira, janeiro 06, 2004

Gota a Gota

Todos temos em mente que por vezes a nossa paciência tem limites, por isso é vulgar associar a esse facto a ideia que uma simples gota pode fazer o copo transbordar. É o limite, a altura em que a mais pequena gota vai ultrapassar o limite que o copo consegue aguentar sem transbordar. Gota a gota o copo vai enchendo e é essa última gota que vai provocar alguns estragos em torno do copo.
Quando na nossa vida as coisas menos boas se acumulam, quando as desilusões se vão somando o nosso copo de paciência vai enchendo e vamos aguentando. Até que um dia com uma pequena gota que surge, a paciência esgota-se e o copo transborda.

Se a água que está no copo se mantiver fria então ela repousa em calma, e cada nova gota além do limite faz então transbordar o copo, mas até esse efeito acontece com alguma tranquilidade. Só no caso de a gota ser um jorro contínuo de nova água é que se provoca uma inundação intensa em torno do copo, caso contrário a água escorre lentamente pelo copo, reduzindo o estrago em torno deste.
E como qualquer gota que nos faz esgotar a paciência, ela é uma gota de água que vem quente quase que queimando, mas ao entrar em contacto com o copo tranquilamente frio vai perder a sua força, e a água que sai do copo perde a sua temperatura que tanta força lhe dá.
No entanto se a água do copo está também ela quente, se tiver entrado em ebulição, ela vai estar a borbulhar. Nesse caso a água vai salpicar a ferver tudo o que rodeia o copo, até mesmo antes da que a tal última gota atinja o copo. E cada gota que chega vai ser incorporada pela água quente e a ferver do copo que pela sua dinâmica não vai acalmar tão cedo.

Voltando à associação entre a nossa paciência e a imagem da gota que faz transbordar o copo, podemos facilmente compreender que se mantivermos a nossa cabeça minimamente fria, tranquila, vai ser mais simples acomodar cada gota que faz transbordar a nossa paciência por muito quente que ela venha. Podemos tentar minimizar os estragos se mantivermos a cabeça fria, se evitarmos reagir a quente e se esperarmos pelo arrefecimento para reagir e incorporar as tais gotas que mexem connosco. Assim apenas vai transbordar uma quantidade mínima de água.
Isso não é contudo simples, cada gota que surge ameaçando cair sobre a nossa cabeça provoca em nós um impulso de reacção enorme. Temos de fazer um esforço para não entrar em ebulição porque não vai adiantar de nada. Às vezes a ameaça é apenas isso: uma ameaça; e a gota nunca chega a cair. E mesmo que venha a cair é bem melhor que a nossa cabeça esteja fria e tranquila, talvez mesmo preparada para tomar controlo sobre a situação minimizando os estragos à nossa volta, e em especial aqueles que nos podem vir a afectar a nós.
E gota a gota, vamos aprendendo também a lidar melhor com elas, aprendendo a não reagir a quente, aprendendo a não lhe dar demasiada importância, aprendendo a esperar para que a água esteja tranquila e a uma temperatura agradável para a fazer sair do copo sem que nos queime, sem que nos magoe.
Mesmo assim vão existir sempre novas gotas que nos escapam à preparação e ao controlo, só temos é de ir tentando que cada vez seja menor o número dessas gotas que nos queimam e que provocam grandes perturbações em torno do copo. Em torno de nós!

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