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domingo, janeiro 18, 2004

O Filtro da Alma

É interessante perceber como às vezes vemos apenas o que queremos ver, e em outras ocasiões até vemos mais do que realmente existe. Por outras palavras, o que vemos é apenas uma imagem da realidade perante nós, é a imagem que conseguimos apreender da realidade e por isso é tantas vezes apenas aquilo que queremos ver.
É como se tivéssemos um filtro que nos vai apresentar aquilo que temos perante nós de acordo com as suas características, filtro esse que é formado pelo nosso estado de espírito, pelas nossas expectativas, sonhos e medos.

Quando estamos animados e de bem com a vida, tudo parece que tem mais vida, mais cor, mais energia. Até um dia chuvoso pode ser bonito e belo. Cada gota de chuva que cai tem um brilho especial, o mar furioso transmite energia e vida e o vento que sopra parece que nos dá força para viver e para avançar em direcção dos nossos sonhos.
Quando estamos tristes e desanimados, tudo parece cinzento e triste, sem energia. Até um dia de sol pode ser enfadonho. O calor parece que nos abafa, a luminosidade do dia parece capaz de nos ofuscar, a alegria dos outros com o dia bonito quase faz troça de nós e relembra-nos que estamos desalentados.

É vulgar dizer que os nossos olhos são o espelho da nossa alma, porque mostram o estado de espírito que temos dentro de nós. É esse estado de espírito presente nos nossos olhos que filtra a informação real, traduzindo a realidade em sensações diferentes em cada momento. Se os outros veem nos nossos olhos o nosso estado de alma, também nós vemos os outros por esses olhos marcados pelo nosso estado de alma. E quando vemos o mundo cheio de cores e energia, significa que também nós estamos cheios de cor e alegria por dentro!

Quando estamos desanimados temos portanto mais probabilidade que tudo nos pareça mais cinzento, menos interessante, mais problemático ou mais complexo e o que vemos não nos vai dar o ânimo que necessitamos para mudar o nosso estado de alma, muito pelo contrário.
Nessas alturas temos de saber atenuar o filtro que a alma produz em nós e que limita a nossa capacidade de inverter o desalento. Se o conseguirmos vamos trazer de volta o ânimo, a confiança, a alegria, a paixão, o entusiasmo, a vontade e tudo aquilo que nos dá mais cor, energia e vida à nossa alma.
E isso consegue-se quando decidimos mudar algo em nós. Essa mudança pode ser tão pequena quanto mudar o corte de cabelo de forma a ficarmos mais satisfeitos com a nossa imagem, o que reforça a nossa auto-confiança. Mas podemos mudar através das mais variadas coisas que fazemos no nosso dia a dia. Podemos mudar de atitude perante a vida, podemos mudar de emprego, mudar de hobbies, mudar a alimentação, pode ser uma nova amizade que fazemos, pode ser uma nova paixão que surge perante nós, talvez uma casa nova, uma função nova no emprego, um novo local onde almoçamos diariamente, um novo livro que lemos, um novo filme que vemos, etc…

Quase tudo pode ser uma oportunidade de mudar, uma oportunidade de regressar aos sorrisos, de voltar a acreditar em nós mesmos. Só temos de estar atentos a essas oportunidades e fazer com que o nosso filtro negativo perca a força que normalmente tem, a tal força que não nos deixa sequer aperceber das oportunidades que estão em frente de nós.
Temos de saber encontrar formas de conseguir ver o mundo em redor de nós com mais cor e energia, temos de conseguir estabelecer em nós um filtro da alma colorido e alegre, temos de encontrar o arco-íris que faz esquecer a tristeza da chuva.

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