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segunda-feira, janeiro 12, 2004

Prazos Elásticos

O projecto, o estudo, a fase, a investigação, a etapa, o plano ou o processo, podemos chamar o que se quiser ao caminho que temos de percorrer para atingir um objectivo, para cumprir uma meta. Caminho que se inicia e tem um prazo definido para ser concluído.
Para ser bem sucedido é conveniente que se comece a trabalhar na data prevista e arranque, que todos se envolvam exactamente quando está previsto que o façam, que não se atrasem nas datas de conclusão, que não se percam com outras coisas acessórias pelo meio, que não desistam do trabalho e que trabalhem todos no mesmo sentido: o do sucesso.
Depois há que ter respeito pelo trabalho dos parceiros de trabalho e respeitar os prazos, não alargar indefinidamente os prazos, não esquecer a data final estipulada.

Só que infelizmente os prazos são tantas vezes elásticos e os projectos estendem-se tantas vezes para além do razoável. E quem cumpre vê que o seu empenho de pouco serviu para alcançar o objectivo na data prevista.
E como isto dos prazos elásticos se torna cada vez mais um hábito, acaba por produzir um efeito bola de neve. Quantas pessoas não iniciam o trabalho pensando logo à partida que o prazo vai ser aumentado e que ninguém vai cumprir os prazos?
Quantas pessoas não iniciam o trabalho no dia anterior ao fim do prazo apenas para dizer que apesar do atraso já está a trabalhar, que a culpa é apenas da quantidade de trabalho?

É a confiança que está comprometida, já não se confia que os outros façam as coisas como está previsto, muito menos que o façam dentro dos prazos. E sem essa confiança torna-se difícil atingir os objectivos de forma segura e dentro dos prazos.
Depois de prazo em prazo, todo o trabalho se vai arrastando ao longo do tempo, se calhar alguns só ficam concluídos quando as condições se alteraram e tudo o que estava planeado já não tem consistência nem razão de ser. Tempo desperdiçado.

E é tão fácil cair na tentação do atraso…
Olhando para o mundo profissional tantas vezes isto acontece, às vezes somos nós próprios que erramos e nos esquecemos de pedir desculpa pelo atraso e de avisar com antecedência que estamos atrasados, outras vezes é o nosso trabalho que fica comprometido ou sem efeito porque os outros não cumpriram e não pediram ajuda atempadamente.

E quem nunca desesperou num consultório médico porque a consulta estava atrasada consequência do médico que iniciou o dia de trabalho muito tarde? Depois é todo o nosso plano diário que desliza porque ele começou tarde.
Quem não ficou irritado com o atraso de um comboio, autocarro ou avião?
Quem não ficou irritado com o prazo não cumprido pelo empreiteiro de uma obra?
Quem não se sentiu injustiçado por ter cumprido o prazo e perdido de fazer coisas que gosta, e no fim percebeu que foi tempo gasto em vão porque o resto da equipa de trabalho se atrasou por não querer perder os tais outros prazeres?
Quem nunca pediu num exame mais quinze minutinhos para acabar uma pergunta?

Os prazos elásticos até nem são maus na sua essência, o problema é não serem usados apenas em casos excepcionais e acabarem por ser a regra, por serem usados sem respeito pelos outros e por se esperar que possam ser elásticos indefinidamente.

E é tão frustrante quando abdicamos de algumas coisas que pessoalmente nos poderiam dar imenso prazer para nos dedicarmos a um projecto e depois ele não atinge os objectivos delineados porque outros não se dedicaram da forma esperada e ficam à espera da elasticidade dos prazos e da nossa paciência.

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