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quinta-feira, fevereiro 12, 2004

Afastamento

O afastamento não é só a distância física que separa as pessoas e o sentir de saudades. Existem outros tipos de afastamento, até porque este pode não ser físico e ser simplesmente um afastamento emocional ou então pode ser um afastamento físico e emocional em simultâneo.
No afastamento físico pode ser mantida uma ligação que permita não sentir de forma tão forte a separação, esse o contacto pode ser uma carta, um telefonema, um e-mail, uma mensagem sms, uma música partilhada ou um livro recomendado. Ou seja mantém-se uma ligação emocional.
Por outro lado podemos estar fisicamente próximos e no entanto estarmos afastados porque emocionalmente existe algo que nos impede de comunicar com quem está perto de nós. Este afastamento emocional é normalmente mais angustiante, porque os obstáculos existentes são menos palpáveis e quantificáveis.
Para os obstáculos físicos podemos idealizar uma estratégia para os ultrapassar, mas quando eles são emocionais tudo se torna mais complicado, mais subjectivo e menos identificável.

E os afastamentos nem sempre são separações impostas, podem também ser procurados por nós em algumas alturas. Quem nunca sentiu a necessidade de estar só para poder reflectir? Quem nunca se fechou na sua concha para poder ganhar alguma tranquilidade? Quem nunca sentiu a necessidade de se afastar um pouco para relaxar e descansar? Quem nunca se sentiu emocionalmente afastado de tudo o que está à sua volta? Quem nunca tentou uma aproximação e percebeu que era impossível pelas mais variadas razões? Quem nunca sentiu a necessidade de mudar de vida?
No caso dos afastamentos que procuramos, é a nós que cabe a decisão de ele se iniciar como resultado daquilo que sentimos ou do que queremos sentir e é fruto das opções que tomamos. No caso dos afastamentos impostos, eles são sentidos como sendo uma limitação, são o resultado de uma decisão da qual não temos controlo e que tantas vezes nos deixa com a sensação de incapacidade.
Pode ainda ser uma decisão repartida, em que o afastamento é preço que temos de pagar para obter alguma coisa que nos é importante. É um afastamento imposto por algo que desejamos.

Às vezes é possível controlar ou condicionar a duração do afastamento quando este não é definitivo, mas em outras situações é impossível ter controlo sobre isso.
Se o afastamento é físico, este termina quando os obstáculos são transpostos: a distância, a disponibilidade, o tempo, etc. Se for emocional tem de ser restabelecida a confiança para que o afastamento termine e tem de voltar a existir necessidade de presença emocional entre as partes.
Deste ponto de vista, o afastamento físico por mais complicado que pareça pode ser sempre mais simples de ser ultrapassado do que um afastamento emocional, já que depende essencialmente da nossa capacidade em ultrapassar os obstáculos físicos, enquanto que para afastamento emocional depende muito de vontades mútuas e do conseguir gerir os sentimentos envolvidos.
Quando um afastamento não foi desejado, se o seu término ocorre então um enorme sentimento de alegria é evidenciado nos sorrisos de quem acaba de regressar desse afastamento, seja ele de que tipo for.
Mas também existem afastamentos definitivos, em que temos de saber aceitar e conviver com eles, respeitando a memória mas sem ficarmos presos a ela. Isto acontece por exemplo quando morre alguém que nos é querido.

E tudo isto é válido não apenas para a paixão e para o amor, mas também para a amizade, para as relações familiares, para as relações profissionais, etc. Até podemos sentir o afastamento por animais ou objectos. Quem é que nunca sentiu um afastamento enorme quando um objecto com enorme valor pessoal lhe é roubado? Quem nunca sentiu o afastamento e a saudade dos escritos de alguém?

E eu já tinha saudades de escrever aqui!

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