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sábado, fevereiro 07, 2004

O Cântaro Partido

Há palavras que me tocam, às vezes é um texto de descubro num livro ou num outro escrito qualquer (revista, blog, etc.), outras vezes é uma palavra ouvida, pode mesmo ser uma mensagem que recebo de alguém conhecido ou então como desta vez um texto que partilharam comigo.
Recebi este texto de uma pessoa amiga e não resisto a transcreve-lo aqui porque me agradou imenso.

"Um aguadeiro indiano tinha dois grandes cântaros. Transportava-os suspensos às duas extremidades de uma vara de madeira que se ajustava à forma dos seus ombros.
Um dos cântaros tinha uma brecha, e, enquanto o outro cântaro conservava perfeitamente toda a sua água da fonte até à casa do amo, o cântaro lascado perdia quase metade da sua preciosa carga durante o caminho.

Isto durou 2 anos, durante os quais, todos os dias, o aguadeiro só entregava um cântaro e meio de água em cada uma das suas viagens. Claro, o cântaro intacto sentia-se orgulhoso, visto que conseguia cumprir a sua missão do princípio até ao fim sem falhar. Mas o cântaro lascado tinha vergonha da sua imperfeição e sentia-se deprimido porque só conseguia cumprir metade do que era suposto ser capaz.

Ao fim de 2 anos daquilo que considerava como um desaire permanente, o cântaro lascado dirigiu-se ao aguadeiro, num momento em que este último o enchia na fonte:
- Sinto-me culpado, e peço que me desculpes.
- Porquê? - perguntou o aguadeiro - De que tens vergonha?
- Durante 2 anos, apenas consegui transportar metade da minha carga de água para o nosso amo, devido a esta brecha que deixa entornar a água. Por minha culpa, fazes todos estes esforços, e, no final, só entregas metade da água ao nosso amo. Não obténs o conhecimento completo dos teus esforços - disse-lhe o cântaro lascado.
O aguadeiro ficou emocionado com esta confissão, e, cheio de compaixão, respondeu: - Enquanto voltamos à casa do amo, quero que observes as magníficas flores que estão à borda da estrada.
À medida que subiam pelo caminho, ao longo da colina, o velho cântaro viu, na borda do caminho, magníficas flores banhadas pelo sol, e aquilo aliviou-lhe o coração. Mas no fim do percurso, continuava a sentir-se mal porque tinha voltado a perder metade da sua água.
O aguadeiro disse ao cântaro:
- Apercebeste-te de que havia flores lindas do teu lado, e quase nenhuma do lado do cântaro intacto? Como sempre soube que entornavas água, decidi tirar partido disso. Espalhei sementes de flores no caminho do teu lado, e, todos os dias, tu regava-las durante todo o percurso. Durante 2 anos, consegui, graças a ti, apanhar flores magníficas que embelezaram a mesa do amo. Sem ti, nunca teria conseguido encontrar flores tão frescas e tão graciosas.

Moral da história: Todos temos brechas, feridas, defeitos. Somos todos cântaros lascados."

Ninguém é perfeito, mas mesmo as nossas brechas, feridas e defeitos são importantes porque fazem parte do todo que nós somos. Todos temos imperfeições e pontos fracos da mesma forma que temos muitas coisas boas que temos de saber reconhecer em nós e nos outros.
Quando estamos com a nossa auto-estima em baixo normalmente acabamos por dar demasiada importância às nossas imperfeições, achamos que somos inferiores e deixamos de acreditar em nós. Mas não podemos deixar que isso aconteça, porque temos de nos lembrar de todas as coisas boas que temos dentro de nós, temos de conseguir ver as flores que fazemos florescer apesar das brechas que temos.

E até a vida tem as suas brechas, feridas e defeitos e mesmo assim continua a ser bom poder viver essa vida e sorrir com todas as coisas boas que ela também nos dá.

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