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quarta-feira, março 31, 2004

Vida de Sonho

Sonhei que era outra pessoa que não eu próprio, sonhei que vivia outra vida, controlava outro corpo, pensava com outra mente, que me movimentava em outro ambiente, enfim sonhei que era outra pessoa que não aquela que sou.
Só que algo estava errado, afinal de contas não era eu, faltava-me a memória daquilo que já vivi, a memória de quem sou e da experiência acumulada na minha vida. Faltava-me ser eu próprio com tudo o que já aprendi e conhecendo minimamente as minhas reacções, atitudes e formas de pensar, apesar de tantas vezes ainda me surpreender comigo próprio.

Realmente é impossível viver esse tipo de sonho, porque nesse caso não seríamos nós próprios, seria simplesmente um corpo sem memória, sem ensinamentos e sem experiência, seria como controlar uma marioneta ou um robot. Impossível, porque na vida seremos sempre nós, com a nossa história e memória, por muito que mudemos ao longo da nossa vida.
Podemos contudo sonhar que um dia vamos viver uma vida distinta da actual, é possível projectar aquilo que queremos vir a ser no futuro e aquilo que desejamos viver, experimentar, explorar, conhecer e aprender. Isso é construir um objectivo, ou seja, é criar uma vida de sonho pela qual vale a pena lutar. Uma vida para nós próprios podermos viver.

Vida de sonho, não são os sonhos com castelos, príncipes e princesas, nem tão pouco são os sonhos de riqueza ou de beleza. Vida de sonho é simplesmente a vida com que ambicionamos, é aquilo que se queremos atingir por mais impossível que nos possa parecer. E essa vida de sonho nem sequer é estática, vai variando ao longo da vida de acordo com aquilo que nós próprios somos em cada momento da nossa vida e de acordo com aquilo que nós achamos ser o nosso caminho, o nosso sonho, para o futuro.
Podemos de facto sonhar com uma vida diferente, a tal vida de sonho que reflecte aquilo que queremos vir a ser. Mas não podemos viver simplesmente o sonho, temos de viver de forma a lutar por esses nossos sonhos, sem ficar presos a eles! Importante não é simplesmente o sonho, mas sim a sua capacidade para nos motivar de forma a lutarmos por atingir esse sonho.

Sonhar pode ser muito positivo, se isso nos permitir projectar a nossa vida de sonho pela qual desejamos lutar. É bom quando vivemos intensamente a caminho da nossa vida de sonho em vez de viver apenas do sonho.

 

sexta-feira, março 26, 2004

Cansaço

Seja físico ou não, o cansaço deixa-nos moles, fracos e abatidos, fazendo surgir em nós uma grande vontade de nos refugiarmos longe de tudo e todos. Sentimos a necessidade de descanso, de tranquilidade, de paz, de calma, de serenidade, de espaço para reflectir, de tempo para recuperar forças, de silêncio que nos acalme ou seja de algo que nos possa melhorar quer o nosso estado físico quer o nosso estado de alma.

E quando o cansaço nos invade, temos de o resolver através do descanso ou da ruptura.

Descansamos, repousamos, acalmamos e fazemos uma pausa antes de prosseguir o caminho. É o momento de pensar e reflectir antes de continuar, é o momento de recuperar forças ou a calma necessárias para prosseguir o nosso caminho.

Ou então fazemos uma ruptura, quebrando o ritmo e rumo que temos trilhado. Fazemos uma mudança para que o caminho que nos tem vindo a cansar passe a ser outro. A ruptura permite-nos parar com aquilo que nos deixa cansados, e mesmo sem tempo para descansar e fazer pausas, conseguimos eliminar o cansaço.

Já ouvimos muitas vezes “quem corre por gosto não cansa”. Esta expressão refere-se ao cansaço que necessita de rupturas para ser eliminado, pois mesmo quando gostamos do que fazemos acabamos por sentir o cansaço físico. Mas este sentimento de cansaço é atenuado pela inexistência de cansaço psicológico. Podemos sentir o cansaço físico, mas se gostamos do que fazemos, dificilmente nos deixamos abater ou nos cansamos de fazer o que temos pela frente.
Precisamos de pausas e de descansar, mas as rupturas não são necessárias! Porque gostamos do que fazemos, ou seja corremos por gosto, corremos por coisas que nos são importantes!

E hoje, é verdade que estou cansado, mas é só fisicamente!

 

terça-feira, março 23, 2004

Obrigado

O Jornal do Blogueiro é um blog brasileiro onde são apresentadas novidades sobre este mundo dos blogs chamado também de blogosfera, com entrevistas, notícias e artigos técnicos. Todas as semanas apresentam também um novo conjunto de blogs seleccionados pela equipa como destaques semanais.
E esta semana, escolheram este meu cantinho! Ao ver esta manhã que estava entre as referências desta semana do Jornal do Blogueiro, não pude deixar de sorrir!

JB

Muito obrigado à equipa do Jornal do Blogueiro por este destaque!

Escrevo porque gosto de o fazer, porque me dá prazer escrever e deixar aqui as minhas palavras, mas como todos nós, tenho sempre a secreta esperança que as minhas palavras sejam lidas por outros.
Mas é bom saber que as minhas palavras além de serem lidas, também não deixam as pessoas indiferentes, seja através dos comentários que deixam, seja através deste reconhecimento ou seja através dos mails que recebo. Mesmo quando o comentário é uma crítica, isso significa apenas que as palavras tocam as pessoas. É sempre bom conhecer outros pontos de vista, porque podemos aprender!
E para quem tem comentado as minhas palavras, deixo uma pequena novidade: vou começar a usar o espaço dos comentários para ir respondendo a alguns dos vossos comentários.
Obrigado a todos os que por aqui passam a ler as minhas palavras!

 

segunda-feira, março 22, 2004

Lembrança Sorridente

“As lembranças são
Os sorrisos que queremos rever, devagar”


Luís Represas in “Memórias de um beijo” dos Trovante

Lembranças são as recordações que nos fazem sorrir, são a memória dos momentos de alegria pura que deixam saudades. É o recordar dos nossos sorrisos passados.
Às coisas más que não conseguimos esquecer, preferimos não lhes chamar lembranças e usar outras palavras como: fantasmas, medos ou pesadelos.

Gostamos de recordar os momentos que nos fizeram sorrir, e o facto de pensarmos nesses momentos é muitas vezes suficiente para nos restituir o sorriso. É bom recordar serenamente como fomos felizes e como estivemos a viver com alegria, até porque isso nos devolve a capacidade de acreditar que podemos voltar a reviver esses momentos. Somos bem mais felizes quando temos sorrisos para lembrar, e assim nos esquecemos das coisas menos boas.
Quanto aos momentos menos bons, queremos é conseguir esquecê-los, para que não se tornem presentes, queremos que não sejam lembranças, queremos que fiquem bem arrumados e longe do nosso dia-a-dia para não nos atormentar.

E como é bom lembrar os sorrisos que partilhamos, os sorrisos que provocamos, os sorrisos que nos provocaram! Dá uma vontade imensa de voltar a sentir o que já sentimos e de voltar a sorrir assim! É meio caminho andado para nos sentirmos bem connosco quando nos lembramos dos nossos sorrisos e esquecemos as tristezas!

 

quinta-feira, março 18, 2004

Perdoar Esquecendo ou Esquecer Perdoando

A 14 de Março a Charlotte dizia sobre o perdoar e o esquecer:

“Ouço muito boa gente dizer que perdoa mas não esquece. Ora se perdoa, mas não esquece, não perdoa, o que é compreensível porque perdoar é difícil e aprende-se (ou não) à medida que os anos vão passando. (...)”

Ora bem, perdoar é dizer que algo que aconteceu é passado, é dizer que não deixa marcas, é ser politicamente correcto, é querer esquecer esse facto.
Esquecer é no entanto uma coisa muito íntima, depende de nós, não é algo afirmado, tem de ser sentido e acreditado. Esquecer é perdoar de facto, é apagar as marcas, é perdoar perante nós próprios.

Perdoar é verbalizar o esquecer, quer isso já tenha acontecido ou não. Perdoar alguém é sossegar essa pessoa dizendo que já esquecemos, independentemente de o termos feito ou não, e independentemente de querermos esquecer ou não.
Podemos dizê-lo mentindo para evitar ter de explicar como nos sentimos, podemos dizê-lo convictos que já esquecemos e mais tarde descobrimos que não é verdade, podemos dizê-lo porque queremos esquecer mesmo e o melhor é começar a acreditar que perdoamos dizendo-o mas também o podemos dizer porque de facto já esquecemos o que aconteceu.

O perdoar é um acto assumido e consciente, enquanto que o esquecer tem de acontecer naturalmente, é impossível decidir simplesmente que se esqueceu algo. Perdoar pode no entanto ser o primeiro passo para esquecer, porque significa que tomamos consciência que queremos esquecer.

Mas às vezes é bom perdoar sem esquecer, porque querermos perdoar para evitar conflitos sem sentido, mas ao mesmo tempo não querermos esquecer tudo o que aconteceu para que o aviso fique marcado em nós.
E podemos querer esquecer sem perdoar, porque as pessoas a quem poderíamos perdoar não nos merecem essa atenção e no entanto esquecemos o que aconteceu porque também as marcas que poderiam ficar deixam de ter significado para nós!

Por tudo isto, esquecer é normalmente mais difícil do que perdoar, porque depende dos nossos sentimentos.
E quantas vezes queremos esquecer mas isso torna-se impossível porque não conseguimos sequer perdoar?

 

terça-feira, março 16, 2004

Instantes de Mudança

O que foi planeado, delineado, traçado, imaginado e decidido pode mudar de um instante para o outro. Basta que uma novidade surja do nada, um dado novo no problema seja descoberto, uma desconfiança apareça, uma nova oportunidade se torne possível, uma novo obstáculo nos afronte, uma mudança de atitude de alguém ocorra, um novo ambiente se crie ou qualquer novidade nos surpreenda.

Basta que num desses instantes apareça algo novo, por mais insignificante que possa parecer à primeira vista, e que nos toca de forma indelével, para que sejamos tentados a reequacionar os planos traçados inicialmente e a ajustar o nosso rumo.

E a vida é mesmo assim feita de pequenos instantes onde tudo pode mudar de figura, e onde podemos abandonar ou adaptar os planos que antes eram tão sólidos e únicos.

 

segunda-feira, março 15, 2004

Coincidências

Às vezes encontramos pessoas que parece que vivem num mundo em tudo idênticos ao nosso, deparamos com pessoas que sentem o que nós sentimos, são pessoas que se cruzam connosco e nos entendem perfeitamente quer na nossa alegria quer na nossa inquietação, lemos o que alguém escreveu e achamos que podia ter sido escrito por nós ou então que podia ser um relato da nossa vida, ouvimos falar pessoas que parece que vivem o mesmo que nós e tudo isso parece estranhamente familiar.
São coincidências que nos fazem pensar como apesar de sermos únicos, os momentos que vivemos são tantas vezes idênticos ao que tantas outras pessoas já viveram.

É bom encontrar pessoas assim, não por elas serem almas gémeas mas sim por elas nos permitirem sentir que não estamos sozinhos, percebemos que existe mais gente que sente como nós, que os nossos infortúnios não são caso único e que é possível sobreviver a eles.
Ao encontrar gente assim podemos ver as coisas de outro ângulo, podemos ouvir outras versões das situações que vivemos e também falar sobre o que sentimos. Isso permite-nos alargar os horizontes sobre a nossa própria vida, pensar e reflectir de forma menos limitada sobre tudo o que vivemos.
E se isso nos permitir desvalorizar as coisas menos boas e valorizar as coisas positivas da nossa vida, então podemos dizer que é bom encontrar pessoas assim, ouvir, escutar ou ler o que elas nos transmitem. São pessoas que às vezes sem se darem conta nos ajudam imenso, tal como nós por vezes o fazemos sem nos apercebermos do bem que fazemos.

Coincidências ou não, se nos fortalece que venham essas palavras, frases, relatos, experiências e ideias.

 

sábado, março 13, 2004

As Saudades do Nosso Sorriso

O sorriso é uma das melhores coisas da vida, por isso conseguir manter o sorriso em nós significa viver um estado de felicidade e indica que a confiança que temos em nós próprios está forte.
O sorriso chega até nós vindo do mundo que nos rodeia: pode ser uma paisagem bonita, uma amizade que nos protege, uma música que nos encanta, uma paixão que nos envolve ou qualquer coisa que nos toca num dado momento e nos provoca uma sensação de bem-estar enorme.
Esse sorriso que temos nessas alturas é contagiante para quem nos rodeia, reforça-nos as defesas, impede-nos de desistir dos nossos sonhos e torna aquilo que fazemos muito mais interessante.

As saudades aparecem quando aquilo que nos é capaz de provocar sorrisos desaparece ou se afasta de nós. Sentir saudades de alguém é compreender que essa pessoa é responsável por alguns dos nossos sorrisos. Sentir saudades de alguma coisa é perceber a sua importância para nos sentirmos bem connosco.

Se por qualquer motivo perdermos o nosso sorriso, vamos sentir falta dele e do que o pode provocar, por isso ter saudades é reconhecer a importância que tem para nós quem ou aquilo que nos pode devolver o sorriso que entretanto nos abandonou.
Quantas vezes na vida precisamos de perder o nosso sorriso, para só depois conseguir reconhecer a falta que alguém ou que algo nos faz? Nessas alturas sentimos saudades de um passado em que sorríamos.

Existem também alturas em que o nosso sorriso ainda está presente e já sentimos saudades do que o provocou. Isto é ter saudades daquilo que já sabemos ser importante para nós mesmo antes de perdermos o sorriso.
Isto é não precisar de perder o que se tem para dar valor ao que nos pode provocar o sorriso, aquilo que nos faz bem à alma! Isto é ter atenção ao que nos rodeia e que nos faz bem, é meio caminho para conseguir manter o sorriso mais perto de nós.

Ter saudades é perceber a importância daquilo que nos faz sorrir e é querer ser a pessoa em que nos tornamos cada vez que sorrimos! Sentir saudades de uma pessoa é sentir falta da sua influência em nós, sentir falta daquilo que partilhamos com essa pessoa e querer voltar a ser o que somos quando estamos com essa pessoa!

Já tinha saudades de escrever aqui no blog… porque escrever aqui faz-me sorrir!

 

segunda-feira, março 08, 2004

Mulheres

Vinha no carro a ouvir uma canção tradicional cantada por Christy Moore e a letra fez-me recordar o quanto gosto de ver uma mulher sorrir, de como gosto de apreciar os seus cabelos e de como é bom sentir a suavidade com que nos toca com as suas mãos!

Black is the colour of my true love’s hair
Her lips are like some roses fair,
She has the sweetest smile and the gentlest hands,
And I love the ground whereon she stands.

Esta é a minha pequena lembrança neste Dia Internacional da Mulher, mas amanhã, depois de amanhã e nos outros dias todos também temos de apreciar e respeitar o sorriso com que elas nos mimam.

 

domingo, março 07, 2004

Sobre o Ciúme

A Comadre escreveu sobre os ciúmes, sendo que a dúvida que existia era saber se pode existir paixão sem ciúmes. Há quem diga que é essencial existirem ciúmes para que se possa falar de amor, mas a Comadre não concordava porque não tinha ciúmes do marido e ao mesmo tempo se sentia cada vez mais apaixonada por ele.

A minha primeira reacção é notar que primeiro se fala em amor e depois em paixão!
Na paixão podemos nem sequer notar aquilo que no amor nos torna ciumentos, na paixão estamos demasiado ocupados para dar importância aos pequenos detalhes menos bons, queremos é viver intensamente.
Mas no amor, tudo é distinto, todos os pormenores são importantes, já não estamos a viver o encantamento da paixão, mas estamos a viver a serenidade que uma relação assim nos propicia.
É uma leitura presa pelo pormenor das palavras amor e paixão.

Na verdade cada pessoa é distinta ao longo do tempo, e o que hoje nos parece inofensivo amanhã poderá ser uma ameaça, por exemplo quanto maior for a nossa auto-confiança menos provável será sentirmos ciúmes obsessivos. Nem todos somos iguais e o que admitimos como prova de amor ou prova de desconfiança por vezes varia com o grau de encantamento que estamos a viver nesse momento. O que para um é inofensivo para outro pode ser excessivo e o que para um é uma situação normal para outro pode ser uma invasão do seu espaço. Afinal de contas o que cada uma das pessoas espera da sua relação nem sempre é exactamente coincidente e vai evoluindo ao longo do tempo ao seu ritmo no seu sentido próprio.

O próprio ciúme pode ser inofensivo e bom para a relação se vier em forma de carinho, atenção e cuidado mas se vier na forma de obsessão e desconfiança pode minar a relação por completo. Os limites são indefinidos, ténues e mudam consoantes os dois intervenientes na relação.

Saber que o outro sente uma pontinha de ciúme pode até ser uma prova de carinho que precisamos, mas o ciúme pode tornar-se um tormento quando nos sentimos vigiados, controlados e sob suspeita permanente. No primeiro caso essa pontinha de ciúme não é nunca vista como ciúme propriamente dito, mas como um carinho e atenção, enquanto no segundo caso nos vai provocar uma desilusão com a pessoa que não confia em nós, e a desconfiança pode tornar-se mútua e destruidora da relação.
O grande problema do ciúme é que se tiver oportunidade, ou seja se o deixamos crescer, então vai ganhar força rapidamente até ficar descontrolado, transformando-se rapidamente de carinho em desconfiança.

Mas então porque é que alguns acham que o ciúme é importante para a relação e outros não?
Talvez a confusão entre o que é indiferença e o que é não sentir ciúmes, muita gente associa o não sentir ciúmes com indiferença ou desinteresse e por isso acha que o ciúme é imprescindível à relação.

A indiferença é a falta de sentimentos, de carinho, de amor, de paixão, de interesse.
Não ter ciúmes é ter sentimentos e carinho, é querer, é ter confiança que a pessoa nos quer bem, é acreditar que somos importantes para essa pessoa.
Ter ciúmes é quando as situações que nos causam alguma dúvida nos fazem reagir, é nessa altura que temos de saber reagir pela positiva não deixando que essa pontinha de ciúme se torne num ciúme obsessivo, temos de transformar essa pontinha de ciúme numa prova de carinho.

Entre a indiferença e o ciúme obsessivo existe uma grande escala de sentimentos que nos passam pela alma e nos condicionam as nossas acções, no centro dessa escala está a tal pontinha de ciúme inofensiva e afrodisíaca que temos de procurar para manter as relações saudáveis.
Ciúmes em excesso são obrigatoriamente negativos para a relação e o desinteresse também, de resto tudo depende do grau com que os ciúmes ou a falta de deles são sentidos pelas intervenientes na relação.

E apesar de tudo isto, tantas vezes os ciúmes crescem dentro de nós, com razão ou sem ela, e nos magoam e beliscam as relações por serem acima daquele limite do inofensivo.
Conseguir que o que sentimos não ultrapasse a tal pontinha de ciúme inofensiva e ao mesmo tempo não se torne indiferença, não é algo simples… mas quem disse que viver era simples?

 

quinta-feira, março 04, 2004

Estado das Pontes

Faz hoje três anos que a queda da ponte Hintze Ribeiro (Entre-os-Rios) deixou o país em luto.
Na noite chuvosa do dia 4 de Março de 2001 o choque foi enorme, especialmente em Castelo de Paiva, por causa do acidente que provocou 59 vítimas mortais.
Este acidente colocou em causa a segurança das pontes em todo o país.



Se as pontes são como as relações permitindo a ligação entre as pessoas e transpondo as diferenças que existem entre elas, então o estado das pontes reflecte a confiança existente nessas relações.

O estado da ponte tem uma grande influência na forma como nos sentimos seguros ou não ao atravessar a mesma, ou seja reflecte a serenidade com que podemos viver a relação.
Enquanto o estado da ponte nos inspirar confiança podemos atravessar a ponte desfrutando da paisagem sem receios, sem medos e com o prazer de percorrer e explorar a relação que a ponte significa.
Mas se a ponte começa a ceder, se as brechas surgem e as inseguranças se tornam evidentes então a nossa confiança perde-se e passamos a ter outro tipo de atitude. Passamos a ser mais cuidadosos quando estamos na ponte e redobramos a nossa atenção face ao seu estado de forma a evitar acidentes. Afinal não queremos cair da ponte, não queremos dar um passo em falso.

Se a ponte tiver boa manutenção então os sinais não nos assustam, tal como as relações que são cuidadas constantemente que conseguem assim manter a confiança.
Mas quando uma ponte fica danificada, temos de a reparar e renovar, tentando devolver a confiança. Mas a memória das inseguranças que existiram pode permanecer para sempre, por isso a manutenção tem de ser muito mais cuidadosa. Nas relações também uma confiança perdida é sempre mais complicado de recuperar e de manter.

Por isso, temos de cuidar bem das pontes que nos são importantes!

 

terça-feira, março 02, 2004

Aquarela

Considero que a música é algo muito importante na vida porque se cola a ela de algum modo. Pode ser pela companhia que nos pode fazer, pela alegria que nos provoca, pela energia que nos induz, pela serenidade com que nos invade, pelas memórias que nos traz, pelo ritmo com que nos reforça ou por qualquer outra forma.
Algumas músicas ficam para sempre ligadas a momentos que vivemos, a pessoas, a locais ou a situações, outras acompanham-nos ao longo da vida em diversos motivos e situações enquanto que outras são passageiras mas marcaram de alguma forma um dado momento.

E há músicas que nos trazem uma serenidade, uma paz, uma alegria, músicas simples que nos fazem sorrir e imaginar. Hoje recebi um link para uma animação baseada numa dessas músicas e que me deixou com um grande sorriso.
Convido-vos a ouvir a Aquarela que é uma música brasileira de Toquinho e Vinicius de Moraes enquanto admiram a animação que tão bem se lhe aplica e que está disponível aqui.

Quanto à letra, aqui fica:

Aquarela

Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva
E se faço chover com dois riscos tenho um guarda-chuva
Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel
Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu

Vai voando, contornando
A imensa curva norte-sul
Vou com ela viajando
Havaí, Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela branco navegando
É tanto céu e mar num beijo azul
Entre as nuvens vem surgindo
Um lindo avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo
Com suas luzes a piscar
Basta imaginar e ele está partindo
Sereno indo
E se a gente quiser
Ele vai pousar

Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida
Com alguns bons amigos, bebendo de bem com a vida
De uma América a outra consigo passar num segundo
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
Um menino caminha e caminhando chega num muro
E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está

E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida
E depois convida a rir ou chorar
Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
De uma aquarela que um dia enfim
Descolorirá

Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
Que descolorirá
E se faço chover com dois riscos tenho um guarda-chuva
Que descolorirá
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
Que descolorirá

Como é normal em tantas músicas, também nesta existem ligeiras diferenças na letra conforme a versão que é cantada em cada momento. Neste caso optei por transcrever a versão da letra que está no site do Vinicius.
Espero que gostem e possam sorrir como eu fiz!

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