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sábado, abril 24, 2004

Porque a vida é limitada...

O tempo tantas vezes parece que nos foge, que não temos tempo para fazer tudo aquilo que gostaríamos de fazer, de experimentar tudo o que gostaríamos de experimentar, ler tudo aquilo que gostaríamos de aprender, ouvir tudo aquilo que gostaríamos de escutar, ou seja viver tudo aquilo que gostaríamos de poder viver.

Às vezes até mesmo o blog fica sem actualização durante uns dias, porque parece não haver tempo para ele, ou porque o tempo para escrever é limitado, reduzido ou sem qualidade. E por qualidade refiro-me às características do momento necessárias para poder escrever. Existem momentos que são mais propícios a fazer outras coisas, que também nos são importantes, do que a escrever. Isto tem a ver com a tal inspiração para a escrita e o estado de alma de quem escreve.

Passando pelo blog da Para-Pit-Da-Pat e a propósito de uma frase de Freud, encontrei uma afirmação dela dizendo:

“O valor da vida está justamente no facto de ela ser limitada e transitória. Se a imortalidade fosse possível, a vida, ao fim de algum tempo, passaria a ser desinteressante.”

Se o tempo não fosse um recurso escasso que tem de ser gerido cuidadosamente, então não haveria a necessidade de viver intensamente cada momento, provavelmente o viver passaria a ser um passar de dias uns atrás dos outros, aborrecido e insuportável. Não teríamos a necessidade de ver, experimentar, conhecer, aprender, saborear... as coisas da vida antes que a vida termine!

A tal falta de tempo que tantas sentimos e parece que nos abafa, acaba por tornar mais interessante e intenso tudo o que conseguimos fazer nesse tempo limitado. Se tivéssemos todo o tempo do mundo, não daríamos tanto valor ao que conseguimos fazer e viver.

A ideia de uma vida sem limite e eterna poderia acabar com a própria vontade de viver o momento presente, afinal a urgência de viver deixaria de existir. Teríamos sempre tempo de viver.
Uma vida assim acabaria por ser aborrecida e repetitiva. E sabemos que a repetição e previsibilidade extrema acabam por tirar o prazer da experiência.
Isto fez-me recordar Milan Kundera em “A Ignorância”:

“As relações eróticas podem preencher toda a vida adulta. Mas se essa vida fosse muito mais longa, não asfixiaria o cansaço a capacidade de excitação, muito antes de as forças físicas declinarem? Porque há uma enorme diferença entre o primeiro, o décimo, e centésimo, o milésimo ou o décimo milésimo coito. Onde fica a fronteira para lá da qual a repetição se tornará estereotipada, senão cómica, ou até impossível?”

Quanto mais tempo existe, menos necessidade existe para viver a vida de forma intensa, mais repetições na vida vamos experimentando e com isso mais previsível e desinteressante se torna esse viver.
Daí a necessidade cíclica de mudança na nossa vida, e mudar enquanto temos tempo! Afinal a vida não dura para sempre!

 

sábado, abril 17, 2004

Ritmos

O ritmo que imprimimos à vida e ao que fazemos é o resultado daquilo que somos e sentimos em cada momento da nossa vida. Esse ritmo da vida não é sempre igual, vamos adaptando o nosso ritmo ao trabalho que temos, ao tempo que temos, à disposição com que nos encontramos, ao espaço onde nos movemos, ao cansaço que sentimos, à força que conseguimos encontrar dentro de nós, ao grupo em que nos inserimos, às relações que estabelecemos, aos sonhos que queremos conquistar, etc…
Os nossos ritmos variam, é impossível manter um ritmo constante, afinal de contas não estamos sempre com a mesma disposição e com o mesmo nível de trabalho ou cansaço, e o ambiente que nos rodeia também muda.

Cada pessoa tem o seu ritmo próprio, logo quando duas ou mais pessoas estabelecem uma relação, seja um grupo de trabalho ou uma relação pessoal, os ritmos das pessoas vão jogar um papel importante no sucesso dessa relação.
Os ritmos apesar de distintos, numa relação têm de se manter minimamente compatíveis, para que seja possível manter os intervenientes motivados para continuarem a investir nessa relação que estão a construir e viver. Tem de existir capacidade e espaço, para que cada pessoa possa adaptar o seu ritmo, e para que seja possível encontrar em conjunto um ponto de equilíbrio entre os ritmos. Por isso é que muitas relações, a dois ou num grupo alargado, acabam por não funcionar, porque os ritmos são incompatíveis e porque quem faz parte dessa relação não procura ou não consegue encontrar esse tal ponto de equilíbrio em conjunto com os demais.

Na vida tal como na música, o ritmo é importante porque marca a intensidade e a cadência com que queremos viver a melodia que é a nossa vida. Se queremos produzir música com mais pessoas temos de compreender o ritmo de cada uma, e saber como juntar as melodias de cada um de forma harmoniosa.

 

terça-feira, abril 13, 2004

Idades

Encontrei no Avalon uma pergunta interessante:

“Conversava com um amigo meu e surgiu o tema da diferença de idade entre os casais.
Sinceramente eu não entendo. Qual é o problema das pessoas se apaixonarem por pessoas mais velhas/novas do que elas? Será porque a pessoa por exemplo 25 anos só se pode apaixonar por pessoas de 25 anos também? Teremos de pedir o BI a alguém antes de entendermos se nos podemos ou não apaixonar?
Será que o amor não estará acima dessa característica?
(…)
Será que as almas têm idade?”

A minha opinião é que as almas têm mesmo uma idade, só que essa idade nada tem a ver com a ideia de idade que usamos para o corpo. Aliás a idade da alma nem sequer pode ser medida da mesma forma que fazemos para o corpo.
Em vez de anos, meses, dias, horas, minutos e segundos, as almas medem-se através da experiência de vida, e da aprendizagem retirada dessa mesma experiência.

Além desta pergunta, existia no texto inicial uma outra dúvida: no enamoramento, qual a importância da idade que vem mencionada no BI?
À priori, nenhuma. Primeiro porque a idade do corpo, ou seja a do BI, pode não ter nada a ver com a idade da alma, e no enamoramento a alma não pode ficar de fora.
Depois, porque mais importante do que idade dos corpos e das almas, é a empatia entre as almas e a química entre corpos. Tudo depende de como as pessoas se sentem na relação que estabelecem. Como se sentem as almas e os corpos.
No entanto idade pode ser importante, se para uma ou ambas as pessoas, isso for um factor que achem importante por qualquer razão, como por exemplo uma razões culturais, sociais ou religiosas.

Assim sendo, acho que a alma tem uma idade própria resultado daquilo que vivemos.
E penso que no amor as idades e diferença de idades não condicionam a capacidade de enamoramento. Quer estejamos a falar de idades do corpo ou da alma.

 

segunda-feira, abril 12, 2004

Ao Vivo

As luzes apagam-se, no palco a luz espera a chegada de quem esperamos. A entrada em palco provoca a primeira vaga de aplausos na sala, antecedendo os primeiros acordes que já soam pela sala.

Os primeiros minutos são de expectativa. No palco tenta-se perceber como o público está a reagir. No resto da sala, o público tenta encontrar o equilíbrio que lhe permita deixar-se encantar pela música. A comunicação começa aos poucos a ser estabelecida, música após música, porque só assim o público passa a fazer parte do próprio espectáculo.
Se a comunicação é mesmo conseguida, o público vai querer que a música se prolongue por horas a fio, por isso pede mais, apesar do fim anunciado para o espectáculo. A música ao vivo permite uma comunicação especial entre as partes envolvidas, permite o improviso, permite a interacção entre músicos e público.

As saudades começam logo ali, quando as luzes se acendem de novo, e o público caminha para o exterior ainda a saborear a música e pensando na sorte que foi estar ali naquele momento para apreciar toda a magia.

Há concertos assim, em que a música nos invade e nos encanta!

 

domingo, abril 11, 2004

Quem Somos Nós?

Somos o resultado do que vivemos, daquilo que experimentamos e de tudo o que aprendemos ao longo da nossa vida. Cada pormenor que captamos vai nos moldar ligeiramente, enquanto os grandes actos ficam gravados para sempre na memória. Cada momento intenso vai provocar um sentimento de assimilação da experiência em nós.

Se ouvimos uma música que gostamos, a melodia e a letra vão entrar em nós como uma mensagem que vamos saborear. Ao ler um livro o enredo e as ideias que ali estão vão fazer parte do nosso imaginário e do nosso saber. Uma paisagem que vemos ficará para sempre como referência com o seu ambiente, cores, sons e vida. Uma pessoa que conhecemos vai fazer com que possamos aprender imenso com outras formas de viver e de pensar.
E se algo desagradável acontece, vamos reagir para que não se repita com a mesma intensidade, ou então para que tenhamos no futuro mais defesas contra o que aconteceu conseguindo não sentir tanto o que nos magoa.

Estamos em constante mudança. Por exemplo, eu neste momento já estou ligeiramente diferente, depois de escrever estas palavras, porque o facto de as ter escrito fez-me reflectir na mensagem que transmitem. E quem ler estas palavras também poderá vir a mudar, mesmo que seja muito ligeiramente, porque vai poder assimilar as palavras e incorporar a mensagem na sua experiência de vida.

São mudanças muito ligeiras, muitas vezes são imperceptíveis, mas momento a momento vamos mudando constantemente. Somos o resultado de tudo o que vivemos ao longo da nossa vida. E da mesma forma, as relações entre as pessoas são apenas o resultado daquilo que essa mesma relação experimenta ao longo do tempo e de tudo o que a rodeia e com ela interage.
Assim sendo, somos responsáveis por aquilo que somos e pelas relações que vivemos, e ao mesmo tempo somos também responsáveis por mudar todos os que nos rodeiam e se relacionam connosco.

 

quarta-feira, abril 07, 2004

Acreditar ou Duvidar

Não acreditamos em tudo na vida porque aquilo que vemos pode ser uma ilusão e o que nos contam podem ser afirmações erradas ou imprecisas. Acreditar e duvidar são formas de encarar as coisas e as pessoas na nossa vida, ambas fazem sentido de acordo com aquilo que sentimos.

Quando não aceitamos como verdadeiro algo que se nos apresenta, podemos estar a ir contra a corrente, podemos ser acusados de não confiar, mas também podemos estar à beira de encontrar novas fórmulas, novas explicações ou novos caminhos. Tantas descobertas no mundo científico começam quando se coloca em causa o que é aceite como verdade.
E mesmo quando chegamos à conclusão que afinal é mesmo verdade o que temos perante nós, acabamos por nos sentir mais seguros da nossa decisão final e sentimos que aprendemos imenso na nossa pesquisa ou confirmação da verdade.

Contudo não podemos duvidar de tudo, temos de escolher o que queremos acreditar, de forma a não sermos eternos desconfiados. Da mesma forma não podemos acreditar em tudo, porque sabemos que errar é humano, por isso iremos lidar muitas vezes com imprecisões e mentiras.
Quantos de nós não tentamos embelezar o nosso curriculum para conseguir um emprego? Quantos de nós não nos vestimos de uma forma mais elaborada para uma ocasião especial para fazer boa figura? Quantos de nós não omitimos algo que fizemos para não nos criticarem ou não fazerem juízos de valor?

Haverá sempre coisas na vida em que vamos acreditar e outras de que vamos duvidar, é uma decisão nossa fazer essa escolha. Só acreditamos no que queremos, por isso somos responsáveis pelas escolhas que tomamos, tanto na decisão de confiar como na de duvidar.

Podemos contudo estar errados, podemos acreditar numa mentira ou duvidar de uma verdade. Nesse caso para além da decepção para com aquilo ou com quem nos enganou, ficamos também aborrecidos connosco por termos tomado uma decisão errada. Por isso é que as desilusões nos magoam tanto, porque são duplamente frustrantes.

Mas é preciso não esquecer que só acreditamos no que queremos! Assim sendo, e como também acreditamos em coisas que são verdadeiras e que nos fazem bem e que nos deixam felizes, devemos ficar duplamente contentes por estas situações! Só assim conseguimos compensar as coisas más, ou seja dando o mesmo valor às coisas boas que aquele que damos às coisas menos boas.

Porque só acreditamos no que queremos!

 

domingo, abril 04, 2004

Escrevendo a Vida por Capítulos

Se a vida fosse um livro, poderíamos dividi-la em capítulos. À primeira vista pensaríamos logo em dividir a vida em capítulos de acordo com as etapas tradicionais; o nascimento, a infância, a adolescência, a vida adulta, o casamento, os filhos, os netos, a velhice e a morte. Com os ajustes necessários para quem nunca casa, para quem se divorcia, quem volta a casar, quem nunca vive a velhice, para quem nunca tem filhos ou netos, etc…

Mas para além destas etapas existem muitas outras que podemos encontrar na nossa vida.
Quantas vezes existem acontecimentos na nossa vida que mereciam só por si um capítulo autónomo?
Quantos acontecimentos nos acontecem que claramente marcam etapas distintas no nosso percurso de vida?

Um emprego novo implica quase sempre mudar de hábitos e ambientes, conhecer gente nova, mudar as tarefas diárias, os percursos e as relações que temos.
A mudança de casa pode ser muito marcante na nossa vida, porque nos transposta para novos espaços no nosso quotidiano, passamos a viver com uma nova disposição dos objectos pessoais que usamos todos os dias e temos de adoptar uma mudança da rotina em casa.
Uma relação nova, seja ela uma amizade, uma paixão ou uma relação profissional, pode marcar a nossa vida iniciando uma nova etapa. Com essa relação vamos aprender coisas novas e vamos sentir de forma distinta esta relação em comparação com todas as outras que já tivemos e temos nesse momento, porque cada pessoa é distinta das outras.
Um acidente pode também marcar uma etapa, porque nos marca para a vida, fisicamente ou psicologicamente ou de ambas as formas, e porque nos faz encarar a vida de modo diferente. Depois de um acidente é normal que passemos a dar um valor diferente às coisas, às pessoas, às situações e às atitudes que nos rodeiam.
Pode ser uma desilusão com uma actividade ou uma pessoa, que nos faz repensar a forma como acreditamos e confiamos no mundo que nos rodeia, abrindo a porta a uma nova fase na nossa vida.
A morte de alguém que nos é próximo, deixa-nos saudades pela sua ausência forçada e permanente, e isso pode ser o início de um novo período.

Estes acontecimentos podem de facto marcar a nossa vida, no momento em que acontecem fazem-no sem dúvida nenhuma. Mas é com o passar do tempo, quando olhamos para trás, que conseguimos identificar quais destes acontecimentos foram realmente marcantes na nossa vida e nos provocaram uma alteração na forma de estar na vida. É nessa altura que damos valor ao que aconteceu e sentimos que se a nossa vida fosse um livro então estaria ali um novo capítulo.

Nesta noite e nesta madrugada que se aproxima, está a fazer um ano sobre um acontecimento que claramente me marcou. O que aconteceu não foi agradável mas mesmo assim aqui estou eu cheio de vontade de lutar, optimista quanto à vida, independentemente de tudo o que mudou e aconteceu no último ano. Por mais doloroso e cinzento que possa ser um momento ou um capítulo, haverá sempre novas oportunidades, novos acontecimentos, novos capítulos para podermos viver momentos felizes.

A diferença entre o livro e a vida, é que o autor depois de escrever um episódio pode apagar ou alterar o que escreveu, mas na vida os episódios que vivemos não podem ser eliminados da nossa vida, passam a fazer parte da nossa memória, temos de os aceitar e seguir em frente. Para isso precisamos de um optimismo realista, que nos permite acreditar que conseguimos viver momentos felizes sem deixar de respeitar os obstáculos que sabemos que nos vão aparecer pela frente.
E como é bom conseguir manter o prazer de escrever, seja o livro ou a nossa vida!

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