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domingo, abril 04, 2004

Escrevendo a Vida por Capítulos

Se a vida fosse um livro, poderíamos dividi-la em capítulos. À primeira vista pensaríamos logo em dividir a vida em capítulos de acordo com as etapas tradicionais; o nascimento, a infância, a adolescência, a vida adulta, o casamento, os filhos, os netos, a velhice e a morte. Com os ajustes necessários para quem nunca casa, para quem se divorcia, quem volta a casar, quem nunca vive a velhice, para quem nunca tem filhos ou netos, etc…

Mas para além destas etapas existem muitas outras que podemos encontrar na nossa vida.
Quantas vezes existem acontecimentos na nossa vida que mereciam só por si um capítulo autónomo?
Quantos acontecimentos nos acontecem que claramente marcam etapas distintas no nosso percurso de vida?

Um emprego novo implica quase sempre mudar de hábitos e ambientes, conhecer gente nova, mudar as tarefas diárias, os percursos e as relações que temos.
A mudança de casa pode ser muito marcante na nossa vida, porque nos transposta para novos espaços no nosso quotidiano, passamos a viver com uma nova disposição dos objectos pessoais que usamos todos os dias e temos de adoptar uma mudança da rotina em casa.
Uma relação nova, seja ela uma amizade, uma paixão ou uma relação profissional, pode marcar a nossa vida iniciando uma nova etapa. Com essa relação vamos aprender coisas novas e vamos sentir de forma distinta esta relação em comparação com todas as outras que já tivemos e temos nesse momento, porque cada pessoa é distinta das outras.
Um acidente pode também marcar uma etapa, porque nos marca para a vida, fisicamente ou psicologicamente ou de ambas as formas, e porque nos faz encarar a vida de modo diferente. Depois de um acidente é normal que passemos a dar um valor diferente às coisas, às pessoas, às situações e às atitudes que nos rodeiam.
Pode ser uma desilusão com uma actividade ou uma pessoa, que nos faz repensar a forma como acreditamos e confiamos no mundo que nos rodeia, abrindo a porta a uma nova fase na nossa vida.
A morte de alguém que nos é próximo, deixa-nos saudades pela sua ausência forçada e permanente, e isso pode ser o início de um novo período.

Estes acontecimentos podem de facto marcar a nossa vida, no momento em que acontecem fazem-no sem dúvida nenhuma. Mas é com o passar do tempo, quando olhamos para trás, que conseguimos identificar quais destes acontecimentos foram realmente marcantes na nossa vida e nos provocaram uma alteração na forma de estar na vida. É nessa altura que damos valor ao que aconteceu e sentimos que se a nossa vida fosse um livro então estaria ali um novo capítulo.

Nesta noite e nesta madrugada que se aproxima, está a fazer um ano sobre um acontecimento que claramente me marcou. O que aconteceu não foi agradável mas mesmo assim aqui estou eu cheio de vontade de lutar, optimista quanto à vida, independentemente de tudo o que mudou e aconteceu no último ano. Por mais doloroso e cinzento que possa ser um momento ou um capítulo, haverá sempre novas oportunidades, novos acontecimentos, novos capítulos para podermos viver momentos felizes.

A diferença entre o livro e a vida, é que o autor depois de escrever um episódio pode apagar ou alterar o que escreveu, mas na vida os episódios que vivemos não podem ser eliminados da nossa vida, passam a fazer parte da nossa memória, temos de os aceitar e seguir em frente. Para isso precisamos de um optimismo realista, que nos permite acreditar que conseguimos viver momentos felizes sem deixar de respeitar os obstáculos que sabemos que nos vão aparecer pela frente.
E como é bom conseguir manter o prazer de escrever, seja o livro ou a nossa vida!

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