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domingo, junho 27, 2004

O Futebol e Portugal

A Jacky perguntava-me nos comentários ao meu artigo anterior porque é que eu não falava sobre as vitórias de Portugal no futebol.

São várias as razões. A primeira é que o meu tempo com disponibilidade mental para escrever tem sido cada vez mais escasso. E como não gosto de escrever por escrever, ou seja não gosto de dizer unicamente “parabéns” ou “viva Portugal” colocando uma fotografia dos jogadores ou da bandeira, acabo por não escrever nada sobre o assunto.

Outra razão, é que esta “futebolização” generalizada não me está a atrair nada. Esta na moda gostar de futebol e colocar uma bandeira à janela ou no carro, mas se Portugal perder o próximo jogo, será que as bandeiras se vão manter expostas?
A bandeira portuguesa é um dos nossos símbolos, mas quase sempre é esquecida, por isso esta febre pelas bandeiras parece tão pouco natural. Espero estar enganado, espero que as pessoas tenham finalmente perdido a vergonha de serem portuguesas e de o demonstrar.

Além disso, apenas foram ganhas algumas batalhas. É preciso continuar a vencer, é preciso continuar a acreditar mas temos de ter os pés bem assentes na terra e não entrar em euforias excessivas. Festejar sim, mas com realismo. Até porque basta lembrar todos os comentários negativos que se diziam após o primeiro jogo frente à Grécia para ver como somos capazes de dizer o pior e o melhor num tão curto espaço de tempo.

Estou contente com as vitórias de Portugal, quer sejam no futebol ou em qualquer outra área de actividade. Tenho vibrado com os jogos de Portugal, como a maioria dos portugueses, mesmo que não me apeteça escrever sobre isso aqui. E vou continuar a vibrar na esperança que seja possível continuar vencer.

E graças a este comentário acabei mesmo por escrever sobre o assunto, se calhar não da forma que está moda escrever, mas escrevi!


 

segunda-feira, junho 21, 2004

Porquê?

Às vezes colocamos esta pergunta a nós mesmos, sem sucesso porque não conseguimos responder.

A “idade dos porquês” volta muitas vezes ao longo da nossa vida, nos momentos em que quase perdemos o rumo, nos momentos em que nos sentimos desabrigados, nos momentos em que parece que ficamos abandonados à nossa sorte e em todas as alturas em que sentimos que somos impedidos de viver alguma coisa essencial para nós.

A mesma pergunta chega até nós quando nos empenhamos em projectos e de repente percebemos que existem outras pessoas no mesmo projecto que não puxam no mesmo sentido, que deixam de se preocupar com o sucesso do mesmo e estão prontas a apontar-nos o dedo se tudo correr mal, mas que estarão presentes para se mostrarem caso o sucesso mesmo assim acontecer.

As coisas acontecem porque têm de acontecer, porque não conseguimos prever as surpresas e por isso lhes chamamos imprevistos, porque não controlamos o ambiente que nos rodeia, porque nem sempre conseguimos gerir a dualidade emoção/razão que temos dentro de nós.

Acontecem porque nos momentos em que temos de decidir não temos forma de saber o que acontecerá na sequência dessa decisão, porque confiámos na nossa imaginação e na nossa intuição. E estas nunca vão ser imparciais!
Por isso às vezes perdemos oportunidades, mas por isso é que também às vezes parece que estamos na hora certa e no sítio certo.

Esta pergunta é importante para podermos fazer uma pequena pausa, reflectir, aprender com o que aconteceu, definir o rumo e retomar o caminho. Não podemos é ficar amarrados às perguntas sem reagir!

 

quinta-feira, junho 17, 2004

Os Olhares do Silêncio

Por vezes o silêncio transmite-nos paz, serenidade, calma, tranquilidade e sossego.
Esse silêncio tem um olhar sorridente que nos diz tanto ou mais do que mil palavras que fossem ditas.

O silêncio pode também significar angústia, ansiedade e incerteza.
Esse silêncio tem um olhar melancólico que nos transmite tristeza e mágoa, um olhar que oscila entre um olhar que pede ajuda e um olhar que anseia pelo seu espaço próprio.

O silêncio pode ser de desinteresse, de desapego e de alheamento.
Esse silêncio tem um olhar distante que nos transmite uma indiferença fria e triste, um olhar que nos tenta ferir aos poucos.

O silêncio pode ser de ignorância e de desconhecimento.
Esse silêncio tem um olhar confuso e defensivo, que nos pode transmitir uma vontade de aprender ou então uma fuga para a ignorância.

O silêncio pode ser de ouro, como se costuma dizer.
Esse silêncio tem um olhar experiente e calmo, que nos transmite segurança e prudência.

O silêncio pode ser de desgosto, de desilusão e de mágoa.
Esse silêncio tem um olhar triste que nos transmite amargura e dor, e que nos deixa sem saber como reagir

E existem muitos outros silêncios, cada um deles com o seu olhar diferente. Em cada dia que passa vamos encontrando vários pela frente e vamos também nós experimentando os nossos próprios silêncios.
Nem todos são necessariamente maus, nem todos são infelizmente bons! No entanto quase todos eles são mesmo necessários para podermos sobreviver ao enorme ruído com que todos os dias temos de conviver.

 

sexta-feira, junho 11, 2004

Um Concerto Especial

Ontem à noite junto da Cadeia da Relação a noite foi especial, quem lá esteve pôde assistir a um concerto memorável. Durante 2 horas esteve em palco uma orquestra formada especificamente para esta ocasião, tendo todos os músicos sido escolhidos pelo maestro Rui Massena.

Ala dos Namorados Ala dos Namorados

Após a primeira música, entraram em palco os Ala dos Namorados que tocaram vários temas acompanhados da referida orquestra. Depois foi a vez de Rui Veloso tocar e cantar acompanhado da orquestra e da sua banda habitual.

Rui Veloso

Mas o melhor ainda estava para vir, quando o Rui Veloso e a Ala dos Namorados se juntaram em palco com a orquestra de Rui Massena a acompanhar, antes dos "encores" pedidos pelo público que enchia o espaço entra a Cadeia da Relação e o Jardim da Cordoaria.

Sem dúvida que o acompanhamento de uma orquestra dá um toque diferente e distinto às músicas que já de si são muito especiais.
E quem imaginaria que ontem poderia ouvir o “Chico Fininho” acompanhado por uma orquestra?

 

domingo, junho 06, 2004

Fascinação


Daniela Mercury e Mariza
Fotografia de João Pedro Gonçalves

Eu não fui ao Rock in Rio... ao contrário do slogan que anda por aí neste últimos dias, mas pude assistir a parte dos espectáculos pela televisão.

Na madrugada de ontem fui brindado com a Daniela Mercury e a sua grande energia em palco que deixou ao rubro uma multidão que estava a vibrar e dançar com a música desta baiana.
Mas houve um momento mais calmo, mas muito especial, aquele em que em dueto com a portuguesa Mariza cantaram com enorme emoção a canção Fascinação que Elis Regina nos deu a conhecer.

“Os sonhos mais lindos sonhei
De quimeras mil um castelos ergui
E no teu olhar, tonto de emoção
Com sofreguidão mil venturas previ

O teu corpo é luz, sedução
Poema divino cheio de esplendor
Teu sorriso prende, inebria, entontece
És fascinação, amor!”
(Marchetti/Feraudy)

Independentemente das críticas que se façam ao Rock in Rio, e é possível fazer muitas, provou-se que é possível ter grandes nomes por cá, provou-se também que mais do que os nomes serem famosos ou não é preciso que eles provem em palco que são bons e provou-se que temos capacidade de incluir num elenco deste calibre nomes portugueses como o Rui Veloso, os Xutos & Pontapés, a Mariza ou o Pedro Abrunhosa sem destoar da qualidade de grandes nomes internacionais.

 

quinta-feira, junho 03, 2004

Questões de Tempo

Ter tempo para fazer alguma coisa é bem diferente de fazer alguma coisa a tempo.

Nos dias que correm é vulgar o nosso desabafo de que não temos tempo para fazer tudo o que temos para fazer e para viver tudo o que gostaríamos. Isto porque vivemos num mundo cada vez mais competitivo que nos obriga a realizar muitas tarefas para nos sentirmos verdadeiramente realizados, mas também porque hoje temos muito mais informação ao nosso dispor para ser assimilada e porque cada vez mais sentimos necessidade de tirar o máximo partido da vida. Somos cada vez mais exigentes até connosco próprios.

No entanto as tarefas que diariamente temos pela frente, sejam profissionais ou pessoais, têm o seu tempo de serem realizadas e vividas, algumas têm mesmo de acontecer naquele dado momento caso contrário deixam de fazer sentido. E quando não conseguimos concretizar aquilo a que nos propomos dentro desse “tempo certo”, ficamos com a sensação de tempo perdido que vai agudizar a tal sensação de que o tempo nos foge e de que não temos tempo.

Por isso muitas vezes, o nosso “não temos tempo” tem a ver com a nossa incapacidade de realizar as nossas tarefas e viver os nossos momentos no tempo certo, ou seja tem a ver com a nossa dificuldade de encontrar o encadeamento correcto de passos a dar e acções a tomar na nossa vida.

Como dizem os ingleses, é tudo uma questão de timming, e tantas vezes perdemos grandes oportunidades na nossa vida porque não conseguimos fazer as coisas nos momentos certos. E quando temos a consciência dessa nossa falha vamos tentar corrigir isso de alguma forma, o que nos vai consumir tempo extra. Assim teremos ainda mais a sensação que não temos tempo, e que a vida nos escapa entre os dedos.

Claro que não é simples realizar todas as tarefas e viver todos os momentos da nossa vida dentro do tal tempo certo, até porque muitas vezes esse tempo certo é algo muito subjectivo e variável consoante a forma como analisamos o nosso percurso. Só que não podemos correr o risco de estar constantemente fora do tempo certo, porque se assim for corremos o risco de que o desânimo tome conta de nós e nos faça perder ainda mais tempo, já que ele parece ser sempre tão curto!

Temos de constantemente procurar alcançar o sincronismo entre o tempo e a vida, de forma a tirar o máximo partido de ambos!

 

quarta-feira, junho 02, 2004

Ex-Qualquer Coisa

Continuando a minha blog-viagem encontrei nos Avatares de Um Desejo e no Fora do Mundo textos acerca da possibilidade de existir amizade entre parceiros de uma relação amorosa que se separaram. Embora em ambos os blogs se tente falar do processo de divórcio, prefiro alargar o âmbito do tema a qualquer separação após um relacionamento amoroso. Pode ser um namoro, um caso, um casamento, uma união de facto ou seja qualquer forma de relacionamento entre dois seres que desejam num determinado momento da vida partilhar as vidas de alguma forma.

Teoricamente duas pessoas que partilharam durante algum tempo uma vida em comum podem perfeitamente manter a relação de amizade após o fim do relacionamento amoroso. O fim do amor não deverá implicar obrigatoriamente o fim da amizade, porque existem muitas coisas em comum que não se perdem pelo simples facto de as pessoas não desejarem continuar a conviver diariamente. No entanto se a separação surge após a amizade ter sido já destruída então pouco resta para reconstruir a tal amizade.

Provavelmente tudo depende da forma como o fim do relacionamento amoroso ocorre, se aquilo que os conduziu à separação também afectou as bases da amizade ou não, se o processo de separação é ou não acompanhado de respeito entre as partes, se os parceiros agora separados conseguem distinguir a relação anterior da relação de amizade que querem manter e se as causas que levaram ao fim da relação deixaram ou não marcas negativas profundas na confiança e amizade entre eles.

A grande dificuldade em manter a relação de amizade tem a ver exactamente com estes factores que não podem normalmente ser garantidos, porque uma coisa é a teoria e a razão, outra coisa é o viver o dia a dia e as emoções que nos atravessam a alma.

Todos conhecemos, nem que seja vagamente, amizades que se mantiveram depois da separação, outras que se tornaram de todo impossíveis e também algumas que puderam ser reconstruídas após a poeira ter assentado.

Neste campo, como em muitos outros da vida, não existem regras universais, de qualquer modo parece-me que essa amizade pós-separação pode até ser saudável desde que o respeito permaneça entre as pessoas de forma a que ambas as partes se sintam confortáveis com a sua existência. No entanto não pode nunca ser uma amizade interesseira, não pode ser uma amizade imposta, não pode ser uma amizade de fachada, tem de ser uma amizade verdadeira que respeita as opções e caminhos que cada um tem nessa nova fase da vida que iniciaram.

 

terça-feira, junho 01, 2004

Regresso a um Tema Antigo

Depois do regresso, tenho andado a tentar pôr em dia o meu trabalho, a leitura e consequente resposta das mensagens de correio electrónico, a leitura de alguns blogs que me dão prazer acompanhar, colocar as conversas em dias... ou seja recuperar o ritmo normal.

Parece que me falta tempo para tanta coisa, mas a verdade é que já antes de partir parecia que o tempo me escapava entre os dedos, e que não tinha mãos a medir para poder conseguir fazer tudo o que preciso de fazer e tudo o que me dá prazer fazer, incluindo nesta última categoria o partilhar os meus pensamentos aqui neste blog.

Numa dessas leituras de blogs, passei pelos Devaneios e encontrei mais um artigo sobre ciúme, o que me fez recordar não o último artigo que escrevi sobre este tema, mas uma passagem do livro que terminei de ler antes da minha viagem da semana passada até Paris.
O livro em causa é o “Equador” do Miguel Sousa Tavares, que já perto do final deste romance brilhante (na minha opinião) fala assim dos ciúmes:

“O ciúme é irracional: alimenta-se do seu próprio sofrimento e é como se só conseguisse saciar-se e acalmar-se quando tudo o que de pior imaginou se torna real e nítido. O ciúme é uma dúvida doentia que cresce como um cancro e a que só a certeza de já não haver lugar para dúvidas pode trazer, pelo menos, o bálsamo de pôr fim a essa angústia , a esse enxovalho de viver permanentemente à procura dos sinais da traição. Quanto mais chocante for a evidência, quanto mais real for o real da traição, mais o ciúme se sente recompensado, redimido, quase digno de respeito.”

Quando li, pensei no que tinha escrito uns dias antes aqui, e sem dúvida que o ciúme é isto, é algo negativo que nos corrói. Aquilo que eu na altura falei como sendo o tal “ciúme positivo” e alguém apelidou de “ciuminho” nada tem a ver com este ciúme, nada tem a ver com isto, não é um ciúme, é sim uma atenção que temos para com a outra pessoa mas uma atenção cuidada onde o sentimento de posse não existe.

Gostei muito deste livro, é um romance histórico, onde se nota que houve um estudo da época e dos locais onde o enredo acontece. A sua leitura é simples e cativante, com um desfecho que tem um pouco de surpresa e de naturalidade face ao desenrolar da história e que tem a virtude de não ser um desfecho feliz colocado ali quase à pressão.
Fica a dúvida se o autor vai conseguir escrever novos romances com esta simplicidade e interesse, ou se este livro se trata de uma peça única.

E agora, vou continuar a tentar entrar de novo no ritmo...

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