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terça-feira, junho 01, 2004

Regresso a um Tema Antigo

Depois do regresso, tenho andado a tentar pôr em dia o meu trabalho, a leitura e consequente resposta das mensagens de correio electrónico, a leitura de alguns blogs que me dão prazer acompanhar, colocar as conversas em dias... ou seja recuperar o ritmo normal.

Parece que me falta tempo para tanta coisa, mas a verdade é que já antes de partir parecia que o tempo me escapava entre os dedos, e que não tinha mãos a medir para poder conseguir fazer tudo o que preciso de fazer e tudo o que me dá prazer fazer, incluindo nesta última categoria o partilhar os meus pensamentos aqui neste blog.

Numa dessas leituras de blogs, passei pelos Devaneios e encontrei mais um artigo sobre ciúme, o que me fez recordar não o último artigo que escrevi sobre este tema, mas uma passagem do livro que terminei de ler antes da minha viagem da semana passada até Paris.
O livro em causa é o “Equador” do Miguel Sousa Tavares, que já perto do final deste romance brilhante (na minha opinião) fala assim dos ciúmes:

“O ciúme é irracional: alimenta-se do seu próprio sofrimento e é como se só conseguisse saciar-se e acalmar-se quando tudo o que de pior imaginou se torna real e nítido. O ciúme é uma dúvida doentia que cresce como um cancro e a que só a certeza de já não haver lugar para dúvidas pode trazer, pelo menos, o bálsamo de pôr fim a essa angústia , a esse enxovalho de viver permanentemente à procura dos sinais da traição. Quanto mais chocante for a evidência, quanto mais real for o real da traição, mais o ciúme se sente recompensado, redimido, quase digno de respeito.”

Quando li, pensei no que tinha escrito uns dias antes aqui, e sem dúvida que o ciúme é isto, é algo negativo que nos corrói. Aquilo que eu na altura falei como sendo o tal “ciúme positivo” e alguém apelidou de “ciuminho” nada tem a ver com este ciúme, nada tem a ver com isto, não é um ciúme, é sim uma atenção que temos para com a outra pessoa mas uma atenção cuidada onde o sentimento de posse não existe.

Gostei muito deste livro, é um romance histórico, onde se nota que houve um estudo da época e dos locais onde o enredo acontece. A sua leitura é simples e cativante, com um desfecho que tem um pouco de surpresa e de naturalidade face ao desenrolar da história e que tem a virtude de não ser um desfecho feliz colocado ali quase à pressão.
Fica a dúvida se o autor vai conseguir escrever novos romances com esta simplicidade e interesse, ou se este livro se trata de uma peça única.

E agora, vou continuar a tentar entrar de novo no ritmo...

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