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quinta-feira, julho 15, 2004

Rotina

Foi no De mim para ti que me cruzei com este poema de Eugénio de Andrade:

Rotina

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

Tantas vezes a rotina vai tomando conta de nós, passo a passo, progressivamente e quando nos apercebemos disso estamos já amarrados a ela, incapazes de reagir perante o hábito de a seguir quase religiosamente.
E de repente descobrimos como é difícil fugir da rotina e como se tornou complicado cortar as amarras que nos prendem.
Até sabemos que temos de conseguir cortar essas amarras, sabemos que devemos navegar pelo mar imenso, que temos de arriscar a viajar por esse mar da vida, que temos de aprender a manter o equilíbrio nesse mar às vezes calmo outras vezes agitado e impetuoso.
O cortar das amarras que nos prendem a esse cais que é a rotina é sempre tarefa complicada, exige uma preparação para a viagem, exige uma enorme dose de confiança em nós próprios, exige que tenhamos consciência que existe um mundo por descobrir.

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