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terça-feira, agosto 03, 2004

Sedução

Chegou de mansinho com palavras bonitas e suaves, com frases feitas e sorrisos, aos poucos foi chegando perto e ganhou a confiança. No meio de uma pequena multidão foi chegando perto de uma forma natural, estabeleceu contacto, brilhou e lançou a simpatia em redor.
Afastou-se da multidão e continuou a mostrar serenidade, confiança e sorrisos. Atirou palavras, elogios e sorrisos como se fossem sementes para onde os queria ver germinar criando uma afinidade cativante.
Fugiu das dificuldades, ocultou medos, disfarçou defeitos, ignorou obstáculos e de forma discreta feriu a imagem da concorrência oferecendo mais sorrisos e simpatias em troca.
Passo a passo, foi chegando mais perto, pouco a pouco foi criando o seu espaço, cativou nos momentos certos, ofereceu o ombro e ouvido quando eles eram precisos, proporcionou momentos de serenidade, provocou com uma doce malícia o desejo e incutiu sorrisos e gargalhadas.

E assim foi vivendo a vida num processo de sedução que lhe permitiu chegar perto do objectivo inicial: a conquista. Uma sedução tão autêntica quanto a sua própria natureza e ao mesmo tão falsa quanto necessário para que resulte na plenitude.

Quem seduz quer atingir a conquista, mas também a outra parte sente o prazer da conquista de uma nova vida de serenidade, doçura, cumplicidade e sorrisos. Quem se deixa seduzir assim vai esquecendo as dificuldades que tem, vai ganhando uma nova confiança e vai afastar-se da sua realidade mais sombria e complicada. Quem seduz anestesia quem é seduzido dando-lhe uma forma nova de viver saboreando as coisas boas e esquecendo as menos boas.

De facto, a sedução pode fazer maravilhas por nós. Seduzindo ou sendo seduzidos podemos encontrar um equilíbrio entre a loucura e a serenidade que nos faz sorrir com cumplicidade. E enquanto for possível continuar a alimentar esse fogo de sedução e encantamento tudo vai estar a correr às mil maravilhas.
No entanto se um dia não for possível alimentar esse fogo, a realidade pode vir a revelar-se amarga e distante. A sedução pode afastar-nos da nossa realidade.
Por isso temos de ter cuidado com as expectativas que a sedução nos pode criar, mas sem permitir que esse cuidado nos roube a possibilidade de disfrutar intensamente das coisas boas que a sedução nos pode dar.

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