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terça-feira, agosto 24, 2004

Três Expressões Populares

Já todos ouvimos a expressão “o que custa é a primeira vez”, porque a primeira vez de qualquer coisa acarreta um desconhecido que merece o nosso respeito e porque existe sempre um efeito de surpresa. Talvez não seja bem assim como diz a expressão, porque se a primeira vez não correr bem, quando se repetir pode ainda ser mais complicado pela insegurança que pode ser criada.

Outra expressão que já todos ouvimos é que “não há duas sem três”, ou seja depois da primeira experiência e depois de repetir, ou seja experimentando a segunda vez, parece que se torna evidente que é muito mais natural continuar a repetir mais vezes. Ou seja ultrapassando os medos da primeira vez e também a eventual insegurança da segunda vez então é muito mais simples voltar a repetir.

E a expressão “à terceira é de vez” reforça ainda mais este facto como se tentasse tornar evidente que as duas primeiras tentativas são para aprender e para tomar o pulso à situação, depois já não estamos nas tentativas mas sim a viver realmente em pleno.

Será mesmo assim? Em muitas coisas talvez seja, mas em outras não.

Esperemos que assim seja com as medalhas de Portugal nos Jogos Olímpicos, afinal de contas a primeira do Sérgio Paulinho era menos esperada e talvez a mais difícil, depois veio a segunda que teve de ser muito suada pelo Francis Obikwelu que a mereceu com muito brilho. Se de facto “não há duas sem três” podemos agora sonhar com a terceira medalha para Portugal e se acreditarmos que “à terceira é de vez” então ela pode muito bem ser uma medalha de ouro!

Será que o primeiro emprego é mesmo o mais complicado? Em muitos casos assim é, pela inexperiência que as pessoas têm quando começam a trabalhar, e o segundo emprego nem sempre é muito mais simples afinal de contas também coincide com a primeira mudança de emprego com toda a insegurança que isso pode criar. Podemos também imaginar que “à terceira é de vez” e assim o terceiro emprego será de maior sucesso porque a experiência e a confiança serão muito maiores nessa altura. Mas isto são apenas teorias, na prática nem sempre é assim e há gente que nunca muda de emprego a vida toda e há quem mude várias vezes e nem sempre acerta.

O primeiro amor será mesmo o mais complicado? Será que o segundo também nos traz insegurança e medo? E se houver um segundo significa mesmo que irá haver um terceiro? E que nesse terceiro já vamos ser felizes? Parece uma regra demasiado fácil para assunto tão complexo.

Será que o primeiro ano de uma relação é o mais complicado, mas se aguentar a passagem do segundo ano isso significa que o terceiro também vai passar? E que esse terceiro ano é que vai ser o ano de todas as decisões? Recuso-me a acreditar que assim seja, há relações que se aguentam anos a fio e depois se desfazem sem olhar ao número de anos que se passaram entretanto. E já agora serão precisas três zangas para a relação se manter para vida ou para se desfazer, porque “à terceira é de vez”?

Será que quando cometemos uma falha a primeira vez essa é a mais difícil de realizar? E será que se repetirmos a falha isso significa que vamos depois pela terceira vez cometer a mesma falha e nessa vamos ter sucesso? Imaginando que a falha é fugir aos impostos, será mesmo que vale a pena tentar fugir três vezes para ter sucesso? Imaginado que a falha é bater com o carro, então “à terceira é de vez” e ele irá para a sucata? Imaginando que a falha é mentir, será que à terceira somos descobertos ou será que vamos mentir tão bem que não seremos descobertos?

Estas frases populares servem para explicar tanta coisa, mas só depois de as coisas acontecerem é que as podemos aplicar, até lá é mera especulação.
No entanto agora apetece-me acreditar que as podemos aplicar às medalhas!

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