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sábado, setembro 25, 2004

A Condução, o Telefone e o Tabaco

Conduzir e falar ao telemóvel dá direito a multa e apreensão de carta, excepto nos casos em que se utiliza um auricular ou um sistema de mãos livres. Apesar das regras serem bem conhecidas é ainda muito vulgar ver os condutores com uma mão ocupada com o seu telefone móvel.

Reconheço que também eu já cometi essa imprudência, mas hoje em dia o auricular é peça imprescindível no automóvel, só com ele posso ter a liberdade de comunicar enquanto mantenho a segurança que a disponibilidade de ambas as mãos me confere enquanto conduzo.

A disponibilidade das mãos é fundamental e por isso estranho que ainda não tenha sido introduzida a proibição de fumar enquanto se conduz no código da estrada.

Do meu ponto de vista esta medida é ainda mais importante do que a que proíbe o uso de telemóvel. Além de ocupar uma mão, como o telemóvel, o cigarro aceso não pode ser largado em caso de urgência sem o risco de provocar uma queimadura no condutor. Se um cigarro acesso cair nas pernas de quem conduz a viatura tenho a certeza que a situação se vai tornar ainda mais insegura do que era antes da emergência ocorrer.

Isto para não falar daqueles que enquanto conduzem aproveitam o tempo para falar ao telemóvel e fumar o seu cigarro em simultâneo.
Analisando bem as coisas, talvez não seja de admirar o número acidentes nas nossas estradas.

 

quinta-feira, setembro 23, 2004

Sobre a Imagem

A propósito de um recente encontro de autores de blogs, é possível ler em (o vento lá fora)* o seguinte:

“Já o Orca chamou a minha atenção para o que considera um dado novo: a exposição através de fotos «a rodos quase sem registo de protestos». Não sendo uma novidade absoluta (há vários bloggers nada anónimos bem pelo contrário), é ainda assim um facto a ter em conta. A ideia de que o anonimato é um pilar dos blogues é que é deformada: é um direito (privacidade e liberdade de expressão não lhe são alheios) e não um dever ou uma característica transversal.”

A primeira ideia que me passou pela cabeça quando vi esta discussão foi: “quem anda à chuva molha-se”, no entanto não deixo de compreender a indignação de quem tem a sua imagem exposta.

O facto de as pessoas irem a um encontro deste tipo significa que vão dar a conhecer de algum modo a sua cara e a sua identidade, ou seja, começa logo aí a perder força a ideia do anonimato, pois quem o quer manter não vai a um encontro desses ou então utiliza um subterfúgio qualquer (ir como acompanhante de outra pessoa, criar um blog não anónimo, ser contratado para servir à mesa, etc...). Todos sabemos que neste tipo de encontros é normal existir captação de imagens, por isso quem se inscreve sabe o risco que corre já que as imagens vão circular pelo menos entre os participantes do evento. E não é difícil estender esta divulgação aos familiares, amigos ou conhecidos desses participantes.

O risco é enorme quando as imagens ficam acessíveis num espaço público como um blog é, até porque é uma forma fácil de serem partilhadas com as pessoas que estiveram no encontro. Eliminar este risco na Internet é impossível, já todos ouvimos falar de circulação indevida de fotos privadas e agora é também notícia a publicação das famosas gravações sobre a Casa Pia. Aliás, esta questão não é muito distinta de outras que rodeiam os blogs, como sejam os direitos de autor sobre textos e imagens usados sem autorização ou então sobre o seu conteúdo no que respeita à veracidade e pela forma como é usado muitas vezes para atacar outras pessoas. A única forma possível para diminuir o risco é falar sobre as coisas antes de acontecerem e tentar promover o bom senso entre todos os envolvidos.

Eu prefiro ter algum controlo sobre a minha privacidade e por esse motivo não assino com o meu nome real. Não é uma questão de me envergonhar do que aqui vos conto, é apenas a forma que escolho para escrever neste blog. Podem criticar-me por isso mas não se esqueçam que Fernando Pessoa tinha vários heterónimos e é apenas um exemplo entre vários. Isto não significa que permaneça secreto, prefiro é poder escolher as pessoas e os momentos em que me dou a conhecer enquanto pessoa atrás deste nome que uso, mesmo sabendo que nessas alturas estou a aumentar o risco de perder a minha privacidade.

Eu fui a dois encontros deste tipo, sabendo o risco que corria. No primeiro deles o assunto foi abordado durante o encontro em forma de pedido (não de imposição) para que as imagens não fossem publicadas. O segundo foi realizado essencialmente com as pessoas que estiveram no primeiro encontro, daí que ninguém sentiu necessidade de “negociar” esta questão da utilização da imagem. Pode ter sido sorte minha, mas em ambos os casos não me lembro de terem havido problemas deste tipo.

Não posso deixar de criticar quem publicou as imagens por não ter verificado primeiro se as pessoas estavam de acordo, até porque a ideia que passaram deste encontro é que se tratava de uma “irmandade”, mas também não deixo de perceber as suas razões para o fazer, afinal era um local público, as máquinas fotográficas não estavam escondidas e não houve nenhum compromisso que as imagens não seriam divulgadas.
Acho que podia ter havido mais algum cuidado na forma como as coisas aconteceram.

Esta discussão faz-me lembrar que há algum tempo atrás vi num blog que já encerrou uma fotografia de um casal na praia. A fotografia era muito interessante e o momento bem captado, no entanto lembro-me de ter pensado na altura se as pessoas que foram fotografadas tinham dado autorização para o serem e especialmente para ficarem expostas publicamente. Poderia existir hipoteticamente alguma razão que ambos tivessem para querer manter a sua relação secreta. No entanto o local não era reservado, por isso é difícil perceber onde está a linha que separa o privado do público.

Em quantas fotografias ou imagens já aparecemos em blogs, revistas, jornais ou televisão sem que a nossa autorização tenha sido dada? Muitas vezes nem sequer sabemos que aparecemos.
Eu tento não publicar imagens que possam suscitar estes problemas, mas mesmo assim não estou livre de cometer uma distracção, porque até uma imagem inocente de uma paisagem urbana com uma viatura estacionada onde supostamente não deveria estar àquela hora e naquele local pode ser entendida como uma violação da privacidade.

O bom senso é a única forma possível de abordar este assunto, na tentativa que um encontro que tanta gente elogiou não fique ensombrado por uma questão que deixou algumas pessoas desconfortáveis.

Afinal, quem anda à chuva molha-se... mas se ficar abrigado também se arrisca a ficar à seca!

 

quarta-feira, setembro 22, 2004

Ideias em Alta Velocidade

The Road to Fokstugu

Heinz von Heydenaber pegou na sua máquina fotográfica, prendeu-a no tejadilho do carro e iniciou uma viagem desde Roma em Itália até Fokstugu na Noruega. O percurso foi sendo fotografado à cadência de uma fotografia por segundo durante as duas semanas de duração do mesmo. Quando chegou a Fokstugu tinham sido captadas mais de setenta mil fotografias com as quais Heinz produziu um filme utilizando 25 imagens por segundo. O resultado final foi um filme de 45 minutos que representa essa viagem de cerca de 3700 km através da Europa em alta velocidade.

Podem ver a apresentação oficial (em alemão) deste trabalho em “The Road to Fokstugu” no final da qual se pode fazer download de um excerto do filme. Existe também um artigo em inglês sobre este trabalho na revista electrónica da Canon “you connect”, onde também está disponível o excerto do filme.

Aqui está mais uma prova que é possivel criar projectos bem interessantes partindo de ideias que inicialmente nos parecem muito esquisitas.

 

segunda-feira, setembro 20, 2004

Acertar no Momento

Não atingir os nossos objectivos e sonhos é sempre frustrante, entristece-nos e traz-nos imensas dúvidas sobre nós próprios.

Pior ainda é quando temos a sensação que investimos imenso de nós para atingir um objectivo que depois este nos escapa, quando temos as melhores intenções e depois não somos compreendidos, quando nos preparamos cuidadosamente e depois tudo parece que nos sai ao contrário, quando fazemos um grande esforço para conseguir algo e depois não somos retribuídos como era esperado ou quando tentamos agradar a alguém e depois descobrimos que não recebemos aquele sorriso de reconhecimento com que sonhávamos.

Quando acontece assim é natural ficarmos tristes, revoltados e com a sensação que não nos fazem justiça. No entanto é essa mesma tristeza que nos assola e que nos faz esquecer todas as vezes em que fomos nós os injustos com os outros tal como faz esquecer todas as ocasiões em que fomos surpreendidos com uma retribuição sem esperarmos.

Às vezes as coisas boas parece que só acontecem quando menos esperamos, enquanto nos momentos em que mais desejamos alguma coisa parece que ela foge de nós. Por isso ficamos com a sensação que não estamos no sítio certo à hora certa! Não podemos esquecer que nem sempre estamos em sintonia com o mundo que nos rodeia ou ele connosco. Convém não desanimar, porque também haverá alturas em que conseguiremos acertar no momento certo, por muito complicado que isso nos pareça.

Afinal de contas se não existissem momentos de desacerto, como é que podíamos dar o valor certo aos momentos de sintonia e acerto?

 

domingo, setembro 19, 2004

Da Memória para o Futuro

Um dia após o outro vamos aprendendo e apreendendo mais com a vida que vivemos porque somos confrontados com novos desafios e novas reacções. Vivemos num mundo dinâmico por isso temos de ter capacidade para o acompanhar e de descobrir em nós capacidade de lidar com a mudança porque é estúpido ficar preso no passado estático.
Temos de saber abrir novos horizontes, encontrar novas formas de viver, partir à descoberta de novos locais e ambientes e estar preparados para as surpresas que uma descoberta nos pode proporcionar. O passado é importante mas não podemos ficar presos a ele.

Ontem fui ao Estádio do Dragão pela primeira vez. Já muito tinha ouvido falar mas faltava-me entrar e sentir o local, o espaço e o ambiente. Quando era miúdo, fui muitas vezes ao Estádio das Antas, era visitante regular, lembro-me de festejar tantas tardes de Domingos as vitórias azuis e brancas, lembro-me de festejar os primeiros campeonatos após 19 anos de jejum. Com o passar dos anos, o estudo e o emprego, acabei por deixar de ir ao futebol, mas todo aquele ambiente ficou na minha memória.
Alguns anos atrás voltei ao velho Estádio da Antas, e pude reviver um pouco dessa memórias, mas ontem no Dragão vivi uma sensação diferente, pude sentir que tudo pode evoluir para melhor, que podemos sonhar ter algo melhor e que para isso às vezes termos de cortar com o passado.

O velho Estádio das Antas já só existe na nossa memória, mas hoje a nova casa, o Estádio do Dragão, tem um ambiente mais acolhedor, mais confortável e é um espaço muito bonito. O antigo estádio fará sempre parte da minha memória, mas este terá também o seu espaço gravado, principalmente esta primeira visita. E a mudança acabou por trazer tanta coisa boa!

O resultado de ontem é que não foi o esperado, mas foi só um jogo, muito mais vão acontecer e só no fim do campeonato é que se sabe quem vence! Nada de desânimos a meio!

Da memória para o futuro, temos de viver o presente com capacidade de saber conviver com as mudanças.

 

sábado, setembro 18, 2004

Não

Temos de aprender a dizer “não” mesmo quando a nossa natureza nos aconselha a uma postura de agradar os outros e de evitar confrontos. Às vezes é muito complicado dizer que “não”, mas existem momentos da nossa vida em que temos de conseguir pronunciar esta palavra de forma a ficarmos em paz connosco próprios.

Estar disponível e atencioso é uma daquelas características que chamamos habitualmente de virtudes mas a verdade é que quando não conseguimos dizer “não” isso acaba por se tornar um defeito. Porque concordando e acedendo sempre a vontades alheias perdemos o controlo do nosso tempo e a capacidade de decidir por nós próprios, aquilo que queremos e nos faz bem.

Nem 8 nem 80, há que haver capacidade de encontrar equilíbrios, porque nem sempre um “não” é mau sinal!

 

quarta-feira, setembro 15, 2004

Palavras Aprisionadas

Às vezes as palavras parecem querer ficar escondidas dentro de nós como que recusando sair cá para fora. É verdade que uma imagem ou um olhar podem dizer muito mais que mil palavras, mas depois estas são mesmo necessárias para complementar e fazer evoluir a mensagem que queremos transmitir.

Há momentos em que as palavras se querem um pouco refugiadas em nós. Dessa forma estamos a tentar que elas sejam pesadas e medidas antes de se soltarem, é como se estivéssemos a construir com ela a nossa melhor aposta para que atinjam o objectivo que traçamos para elas. Por isso às vezes é fundamental resguardar um pouco as palavras, sendo prudentes.

No entanto quando as palavras ficam enclausuradas muito tempo dentro de nós, elas acabam por se tornar desconfortáveis e ganham uma energia que não é nem equilibrada nem serena. Expressas de viva voz ou por escrito, elas tentam ficar ocultas no íntimo como que percorrendo um labirinto imenso do qual não se libertam. Parece que têm medo de saltar cá para fora, ficando esquecido que as palavras existem para terem vida, para correrem riscos e para lutarem pelos sonhos que criam enquanto não saltam para o mundo real.

Quando as palavras ficam assim aprisionadas, é preciso encontrar a válvula de segurança certa que permita o fluir das palavras cá para fora, sem explosões desnecessárias.

 

sábado, setembro 11, 2004

A Música da Vida

A música representa um papel importante na minha vida. Existem músicas que ao ouvir me fazem lembrar momentos passados, outras que me fazem recordar pessoas ou locais, existem músicas que me fazem relaxar e músicas que me dinamizam, músicas que me tocam cá dentro e me emocionam e músicas que apenas me fazem companhia quando preciso delas.

Foi engraçado descobrir que Samuel Butler comparou a vida com a música, dizendo que:

“Life is like music, it must be composed by ear, feeling and instinct, not by rule.”

A vida tem de ser mesmo assim como a música, que é composta de ouvido com sentimento e instinto, e não por normas e regras.

A vida tem de ser vivida através do sentimento e instinto. O sentimento permite “medir” o nosso conforto perante as situações que vivemos enquanto que o instinto reflecte os nossos desejos, vontades e medos. E não podemos viver seguindo regras estabelecidas, porque todos nós somos diferentes uns dos outros, porque cada situação da nossa vida é única e não há receitas certas na vida.

Mas Samuel Butler continua dizendo:

“Nevertheless one had better know the rules, for they sometimes guide in doubtful cases, though not often.”

É verdade que tanto na música como na vida existem alguns princípios de base, que podemos usar em caso de dúvida, mas não demasiadas vezes para evitar que sejamos apenas seres mecânicos e previsíveis.

Esses princípios são as bases que temos para poder viver, são preceitos que podemos seguir quando em dúvida, mas não devemos ficar presos a eles. Quantas vezes é preciso quebrar regras e duvidar das regras estabelecidas para poder progredir? Basta olhar para a história para perceber que por vezes é preciso duvidar e seguir por caminhos desconhecidos para alcançar os objectivos.

A vida tem de ser vivida com emoção, sentimento e instinto mas devemos ter presente alguma razão que nos oriente desde que não nos deixemos amarrar por esta razão.

 

terça-feira, setembro 07, 2004

Enganos e Mentiras

A quantidade de enganos e mentiras que diariamente nos chegam pela comunicação social requer de nós uma enorme atenção para distinguir o que é informação e o que é desinformação. Veja-se o caso recente do número inicialmente declarado de reféns na escola de Beslan na Ossétia do Norte e os números reais de vítimas conhecidas até agora que mostram como os primeiros números eram enganadores.

Charles Caleb Colton afirmou que:

“Há enganos tão bem elaborados que seria estupidez não ser enganado por eles.”

A afirmação é demasiado forte, qualquer engano é uma estupidez porque percebemos que não fomos capazes de perceber a verdade, de distinguir entre a ilusão e a realidade.

No entanto quando nos tentam enganar com uma mentira de fraca qualidade isso é uma afronta à nossa inteligência, parece que estão a gozar com a nossa capacidade de percepção. Uma mentira mal contada é como se duvidassem da nossa inteligência para perceber que é uma mentira, por isso torna-se uma dupla ofensa.

Se nos contam uma mentira de qualidade e bem dissimulada, então pelo menos não sobrestimaram a nossa capacidade, mas daí até dizer que é uma estupidez não ser enganado vai um longo caminho. Continua a ser uma mentira e uma tentativa de enganar.

Os enganos e as mentiras são cada vez mais vulgares hoje em dia, e desde criança que somos confrontados com as mentiras, umas mais inocentes outras muito mais perigosas e graves.

Quantas vezes um elogio (ex: “estás com um óptimo aspecto”) é uma mentira apenas para não se ser indelicado? Não será uma mentira esconder de alguém o seu verdadeiro estado de saúde quando o caso é grave? Não é um engano dizer a um amigo que está tudo bem connosco quando de facto não está, embora isso contribua até para fortalecer a nossa auto-confiança? E quando pedimos a alguém no emprego para mandar dizer que não estamos quando apenas não nos apetece falar com alguém?

Haverá mentiras boas? Ou apenas mentiras que são boas ou más conforme o ponto de vista de quem as diz ou de quem as ouve? É polémico, mas a verdade é que quando nos sentimos enganados ficamos muito chateados, essencialmente pela nossa estupidez em nos termos deixado enganar!

 

sábado, setembro 04, 2004

O Poder das Palavras

“O amor é traiçoeiro, avança silenciosamente de pequeno nada em pequeno nada, as frases enormes só carimbam o que já existe. Por isso em todo aquele tempo dissera uma vez que o amava e não tinha a certeza se a ouvira, murmurara-lho ao ouvido em momento de surdez abençoada.”

Júlio Machado Vaz in “Muros”

Existem palavras que em Português têm uma força enorme, tanta força elas parecem ter que acabamos quase por ter medo delas e fugimos de as pronunciar tentando substituir por outras menos fortes ou menos comprometedoras segundo o nosso ponto de vista.

A palavra “amor” pode significar muito mais do que o amor romântico, esse amor que apelidamos de verdadeiro amor que une as pessoas em relações felizes. Para as outras formas de amor procuramos sempre outras palavras mais suaves, podemos chamar-lhe carinho, amizade, afinidade, cumplicidade, etc...

Fugimos das palavras pela carga que elas têm para nós, mas a relação que temos com os verdadeiros amigos é também uma forma de amor, o que sentimos pela família com quem partilhamos a nossa vida é também uma forma de amor, mas é certo que continuamos tantas vezes a fugir das palavras.

E quem a usa frequentemente acaba por ser visto com alguma desconfiança, porque o uso da palavra de uma forma tão democrática acaba por lhe retirar força para os momentos especiais. Talvez seja por isso que fugimos da palavra “amor”.

Curiosamente a mesma palavra em inglês, “love”, não tem a mesma carga sendo usada de forma bem mais abrangente, e até eu que continuo a preferir usar a palavra “amor” com extremo cuidado quando recorro ao inglês “love” acabo por ser bem mais democrático.

 

quarta-feira, setembro 01, 2004

Setembro

Em miúdo, Setembro, marcava o fim de um mês de praia. Lembro-me do percurso diário que me levava do centro do Porto até à Praia do Molhe ali ao lado da Praia do Homem do Leme. Primeiro no eléctrico a abarrotar de gente, mais tarde passei a fazer esse trajecto em autocarro. Agosto era assim um mês diferente dos restantes com uma vida à beira-mar e Setembro marcava o princípio do fim do Verão.

Anos mais tarde, Setembro passou a ser mês de exames, era o regresso aos estudos depois de um mês de intervalo, marcava o início de uma nova época, tantas vezes era uma nova oportunidade para melhorar o que no início do Verão tinha corrido menos bem. Nos últimos anos, Setembro tem sido também o marcar do fim do Verão com o regresso ao trabalho e ao quotidiano depois das férias.

Este ano porém, o retomar foi mais cedo um pouco, a semana passada permitiu voltar a retomar aos poucos o ritmo. Se no ano passado por esta altura ainda estava a tentar perceber em que comboio iria embarcar e estava como se costuma dizer “a ver os comboios a passar por mim”, este ano é diferente pois já estou à porta do comboio que está prestes a partir, tentando perceber se esta é a viagem certa.

Às vezes entramos nestes comboios da vida com expectativas de uma viagem de sonho, e mais à frente percebemos que não é bem assim, vemos que a paisagem é enfadonha, que a companhia ao nosso lado nos olha com desconfiança, que outros passageiros nos observam estranhamente com inveja esperando ocupar o nosso lugar sentado e que o ambiente se torna pesado. É nessas alturas que procuramos uma estação ou apeadeiro onde seja possível respirar um pouco e tentar encontrar uma viagem mais agradável, um novo comboio, uma nova carruagem ou um novo destino.

Outras vezes entramos no comboio sem grandes expectativas, procuramos um lugar de forma desinteressada e após algum tempo vemos que a viagem afinal está a ser muito agradável, o ambiente é alegre, a paisagem colorida e até os companheiros de viagem são simpáticos. Nessas alturas queremos que a viagem possa prosseguir para além do que inicialmente tínhamos em mente.

Hoje começa Setembro, e olhando para o comboio estou a tentar perceber onde ele me pode levar quando partir, o que me pode ensinar, o que me pode trazer de bom! E eu que continuo a gostar imenso de comboios, gosto de relembrar a excitação que era em miúdo ir espreitar os comboios à estação da Trindade e de São Bento, ou então de fazer a viagem pela linha do Corgo naquele comboio a vapor que tanto me encantava.

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