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sábado, setembro 04, 2004

O Poder das Palavras

“O amor é traiçoeiro, avança silenciosamente de pequeno nada em pequeno nada, as frases enormes só carimbam o que já existe. Por isso em todo aquele tempo dissera uma vez que o amava e não tinha a certeza se a ouvira, murmurara-lho ao ouvido em momento de surdez abençoada.”

Júlio Machado Vaz in “Muros”

Existem palavras que em Português têm uma força enorme, tanta força elas parecem ter que acabamos quase por ter medo delas e fugimos de as pronunciar tentando substituir por outras menos fortes ou menos comprometedoras segundo o nosso ponto de vista.

A palavra “amor” pode significar muito mais do que o amor romântico, esse amor que apelidamos de verdadeiro amor que une as pessoas em relações felizes. Para as outras formas de amor procuramos sempre outras palavras mais suaves, podemos chamar-lhe carinho, amizade, afinidade, cumplicidade, etc...

Fugimos das palavras pela carga que elas têm para nós, mas a relação que temos com os verdadeiros amigos é também uma forma de amor, o que sentimos pela família com quem partilhamos a nossa vida é também uma forma de amor, mas é certo que continuamos tantas vezes a fugir das palavras.

E quem a usa frequentemente acaba por ser visto com alguma desconfiança, porque o uso da palavra de uma forma tão democrática acaba por lhe retirar força para os momentos especiais. Talvez seja por isso que fugimos da palavra “amor”.

Curiosamente a mesma palavra em inglês, “love”, não tem a mesma carga sendo usada de forma bem mais abrangente, e até eu que continuo a preferir usar a palavra “amor” com extremo cuidado quando recorro ao inglês “love” acabo por ser bem mais democrático.

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