<$BlogRSDUrl$>
 

sexta-feira, outubro 29, 2004

Astérix

Asterix


Parabéns Astérix! Faz hoje 45 anos que ele apareceu a público pela primeira vez, fruto do trabalho conjunto de René Goscinny (texto) e Albert Uderzo (desenho). Este gaulês fez a sua estréia no número de lançamento da revista Pilote no dia 29 de Outubro de 1959.
Acompanhado de Obélix, de Ideiafix, da poção mágica e dos restantes gauleses, multiplicou-se em aventuras contra o Império Romano. A expressão “estes romanos são loucos” ficou famosa e revela bem a forma ousada e divertida como Astérix e os seus amigos viam e combatiam as tentativas de domínio por parte dos romanos.

O Império Romano desapareceu há muito, mas a frase pode muito bem ser repetida frequentemente com outros destinatários: “estes tipos são loucos”, “estes políticos são loucos”, “estes terroristas são loucos”, “estes dirigentes desportivos são loucos”, “estes condutores estão loucos”, etc...
Às vezes pergunto-me se o mundo está realmente melhor hoje do que estava em épocas passadas e fico com dúvidas quando ouço falar em raptos e execuções de reféns, quando vejo a falta de educação e cuidado nas estradas ou quando ouço tantas asneiras e idiotice naqueles que supostamente são líderes e devem dar o exemplo.

Acho que nos dias que correm precisamos todos de um pouco da poção mágica do Druida Panoramix para conseguirmos aguentar algumas das barbaridades com que somos confrontados diariamente.
Por Toutatis!

* Toutatis é um deus celta da guerra que os gauleses temiam, por ele poder fazer o céu cair sobre as cabeças deles.

 

domingo, outubro 24, 2004

O Amor dos Blogs

Recentemente surgiu o amorizade que é dedicado ao amor e à amizade. Depois de o visitar e enquanto percorria alguns outros blogs comecei a pensar que o amor está bem vivo neste mundo dos blogs

Existem blogs que são autênticas manifestações de amor para com outra pessoa, nem que seja um alguém imaginário ou em alguns casos para várias pessoas. Poesia, declarações, imagens, confidências, tudo cabe ali naquele pequeno cantinho onde o outro é amado de um certo modo.

E aqueles que são um forma de atrair atenção, para coleccionar elogios e piropos? Palavras fáceis e bonitas, com flores e estrelas de forma a captar a atenção dos outros na esperança de cativar e seduzir. E depois de cativado o leitor alguns textos até parecem que são escritos a pedido deste.

E os textos que são desabafos e servem como exteriorização de sentimentos de quem vive amores proibidos ou de quem se tenta libertar de um amor que foge entre os dedos? São uma forma de revelar o amor que tem de ser calado ou forma desabafar tudo o que vai na alma e não pode ser dito a quem se ama. É partilhar e receber algum conforto por parte de todos os outros que vivem situações semelhantes quer reais quer imaginárias. Pode também ser uma maneira de enterrar os desgostos de amor.

Existem ainda todas as imagens que nos dão a conhecer a beleza e o desejo. São também formas de explicitar a paixão que existe dentro de quem cria o blog e uma maneira de ilustrar o que vai na alma de quem as selecciona e publica.

E as histórias, novelas e contos em torno do amor, da paixão e até mesmo do erotismo que dão asas à nossa imaginação? São também manifestações do amor que nos tentam prendem a atenção pelo gosto da leitura.

A sedução, o amor, a paixão e o desejo estão presente nos blogs, basta alguma atenção para conseguirmos ver como se encontram os seus sinais em muitos deles.

 

segunda-feira, outubro 18, 2004

Lá Dentro Ou Talvez Não

Quase não se fala de outra coisa neste país à beira-mar plantado: a bola estava ou não dentro da baliza de Vítor Baía? Já se disse um pouco de tudo, há quem defenda que estava, há quem defenda que não ultrapassou em 100% a linha de baliza, há quem não queira acreditar que tenha entrado e há quem se recuse a duvidar que tenha estado efectivamente lá dentro.

Diz-se que os adeptos do F.C.Porto também estiveram lá dentro (refiro-me obviamente ao estádio). No entanto, tal e qual a questão da bola, ainda hoje tenho a dúvida se estiverem efectivamente lá. Cada um deles tinha adquirido um bilhete que lhe dava direito a um lugar sentado, mas pelos vistos não foi assim, ficaram amontoados como sardinhas em lata. Por isso talvez não tenham ultrapassado em 100% a linha imaginária do “estar lá dentro”. A sorte é que não houve acidentes graves.

E os dirigentes terão estado “lá dentro”? É incompreensível como se pode falar assim, dizer o que foi dito, fazer afrontas pessoais daquelas que ouvimos, incendiar os ânimos daquela forma e dar lugar à crítica vulgar. Falou-se de champanhe, namoradas e outras coisas que nada têm a ver com futebol.

Hoje no Público pode ler-se numa coluna de Bruno Prata o seguinte:

“O árbitro cometeu muitos erros - o maior terá sido da responsabilidade do auxiliar, que não viu a bola dentro da baliza de Baía. Mas bem pior esteve quem não garantiu os lugares suficientes na bancada para a claque portista e principalmente os que fomentaram e/ou alimentaram as cenas e as declarações inqualificáveis nas zonas do túnel e das entrevistas. Para eles é preciso arranjar uma quinta qualquer de falsas celebridades e deitar as chaves ao rio.”

Se o futebol assim é capaz de fazer esquecer o resultado das eleições regionais dos Açores e Madeira, o caso Marcelo Rebelo de Sousa, a proposta de Orçamento de Estado e até a famosa Quinta das Celebridades, então há que aproveitar esta ideia para criar um circo onde esta gente se possa gladiar em paz (ou em guerra). Já agora em vez de tirarem um concorrente todas semanas, que tal colocarem lá dentro mais um semanalmente?

Este artigo não pretende ser imparcial, sou portista desde pequenino e por isso festejei a vitória de ontem. De qualquer modo, sei que era tão fácil validar o golo como não o assinalar. Qualquer que fosse a opção existiria sempre uma dúvida presente. E para agravar o caso, todos sabemos que a decisão tem de ser tomada em fracções de segundos num ambiente que dizem ser infernal (não conheço aquele estádio por dentro para emitir a minha opinião).
Desta vez foi assim, em outras ocasiões será de modo diferente com toda a certeza e nessa altura serei eu um daqueles que dirá que foi injusto embora tenha de aceitar que não é possível ter certezas absolutas nestes casos.

Será que um dia teremos dispositivos electrónicos a controlar estas situações? Talvez! Mas haverá sempre alguém que se vai lembrar de dizer que não é 100% viável, que existem hackers e que é possível violar o sistema. Lembram-se das nomeações de árbitros pelo computador? Lembram-se da possibilidade de um campo secreto na lista de colocação de professores que traduzia o conceito de “cunha”?

Hoje falou-se da bola! Do Baía! Do Benfica! Do Porto! Da namorada do Pinto da Costa! Das expulsões! Será que alguém se lembra de mais alguma coisa que se tenha falado neste país? E do jogo bem jogado nos restantes minutos da partida com excepção das justas expulsões?

Gostei de ler a opinião expressa no Avatares de um Desejo que diz em jeito de brincadeira que “Com qualquer outro guarda-redes a bola estava lá dentro”.
Eu só posso dizer que não tenho certeza se a bola estava ou não lá dentro e que é uma pena que exista este outro pseudo-futebol para além daquilo que o jogo dentro das quatro linhas tem de bonito.

 

sábado, outubro 16, 2004

A Escrita

Quem me conhece olha frequentemente para estas minhas palavras tentando entender o seu significado à luz de quem eu sou. E quem não me conhece para além do que aqui escrevo, acaba por tantas vezes procurar no que eu escrevo ou naquilo que omito, uma pista para aquilo que eu sou.

É o que acontece com os livros que lemos, podemos sempre tentar perceber um pouco do modo de pensar e de ser de quem o escreve. Cada escritor tem a sua forma de escrever que não é dissociável do que ele próprio é, por isso as suas obras acabam normalmente por estar ligadas por elos invisíveis que representam a vida do escritor.
Esta é umas das razões que nos faz procurar outros títulos de um autor quando gostamos de um livro seu que acabamos de ler. Esperamos continuar a sentir a leitura de uma forma idêntica.

Não devemos é confundir o que é escrito com a vida de quem escreve, porque se muitas vezes são retratadas vivências, em outras ocasiões são retratadas apenas percepções de outras vidas, bem como sonhos e fantasias em torno da vida. A visão do que é retratado é mais importante do que o objecto da escrita quando se pretende desvendar um pouco mais de quem escreve. Por isso às vezes interpretamos mal um texto porque o queremos ver à luz daquilo que conhecemos da pessoa que o escreveu.
Este tipo de leitura acaba por ser usual nos blogs porque a ideia de que se trata de um diário pessoal ainda é muito forte. No entanto, os blogs são mais do que isso, são ferramentas de publicação electrónica de informação, onde os diários pessoais também podem encontrar o seu espaço.

Escrever aqui ou em outro lado, pode (e deve) ser um prazer, mais do que um relatar de vidas reais. E quem ler estes textos deve poder ter também o seu próprio prazer de interpretar estas palavras.
Quem ler isto pode ir descobrindo bocadinhos de mim mas não a minha vida, pois essa é complexa demais... até para eu a entender por completo.

 

quarta-feira, outubro 13, 2004

Sinais

Na estrada como na vida somos regularmente confrontados com sinais ao longo do nosso percurso. São avisos que vão surgindo para que tenhamos atenção e tomemos decisões. Uns são informativos mas também podem indicar perigo ou proibição.

Se na estrada as regras são bem conhecidas e por isso a sua interpretação é simples já na vida não existe nenhum código que nos decifre os sinais e por isso cabe a cada um de nós tentar ler o que esses sinais podem significar.

Atender aos sinais da vida é uma decisão individual pois o seu significado resulta de uma leitura pessoal. Não existem multas nem penas como acontece na estrada mas continuam a existir riscos para o caso de não lhes darmos a importância certa. Sejam eles pequenos ou grandes, os riscos são quase sempre difíceis de antecipar e só mesmo a vida nos pode vir mostrar o verdadeiro sentido de cada um deles com o passar do tempo.

Há que permanecer alerta para os sinais mas sem viver obcecado por eles.
Há que deixar a vida fluir mas sem desprezar os sinais.
Há que os interpretar mas sem entrar em excessos enganadores.
Há que viver e ao mesmo tempo saber conviver com os sinais.

 

domingo, outubro 10, 2004

Um Sorriso Especial

Aqueles olhos de criança tímidos e envergonhados surpreenderam-me no meio do manto branco de neve que cobria a praça. Uma semana naquela terra distante e fria fizeram-me olhar as pessoas com uma admiração enorme pois apesar da dureza das suas vidas não tinha ainda encontrado a pobreza degradante que em outras paragens é tão vulgar. Aquele olhar acompanhando a mão infantil pedindo auxílio apanhou-me de surpresa.

Porque me teria ela escolhido? Talvez por ser a única pessoa na praça com ar de estrangeiro. Talvez tivesse sido escolhido ao acaso. Por alguma razão a criança tinha-me escolhido naquela manhã de Inverno.

Aquele olhar em silêncio tocou-me fundo. Remexi os bolsos em procura de uma moeda, tentando mentalmente efectuar o câmbio. Escolhi uma moeda que era pouco mais do que pagaria por um café no Porto sem sequer pensar no que o valor poderia significar naquelas paragens.

Enquanto o olhar da miúda seguia a moeda que eu lhe depositava na mão, um brilho enorme tomou conta dos seus olhos. Retribui-me sorrindo como se de repente o Sol tivesse entrado naquela criança, enquanto o olhar transbordava de alegria.
Sussurrou um agradecimento e correu pela neve com equilíbrio invejável e sem qualquer medo de escorregar no chão gelado.

Nunca na vida tinha visto um sorriso assim, fiquei deslumbrado ali no meio da neve ao mesmo tempo que tentava compreender o porquê desta reacção. De repente fez-se uma luz dentro de mim quando percebi que lhe tinha entregue o mesmo que diariamente eu pagava de táxi do hotel até ao local da conferência em que tinha ido participar.
Podia ter-lhe dado mais, mas ela já tinha desaparecido no meio da multidão.

O que para mim representava um simples café significava muito para aquela criança. Não sei o que ela fez com a moeda que levou, mas acredito que com aquele sorriso tão autêntico lhe deu um bom destino.
Ela decerto que desconhece que me deu em troca algo muito mais valioso do que a pequena moeda. Cada vez que relembro aquele sorriso infantil de felicidade fico com uma enorme vontade de regressar àquela praça na esperança de encontrar a miúda agora mais crescida para lhe agradecer o sorriso que me deu naquele dia.

Ainda hoje, vários anos passados, recordo este episódio de forma muito especial pois é um daqueles momentos que dificilmente esquecemos na vida.
Há sorrisos e olhares que nos ficam gravados para sempre na memória porque nos tocam bem fundo. Há momentos assim e este foi um deles!

 

quarta-feira, outubro 06, 2004

Janelas com Imaginação

Janela Azul


A vida ensina-nos que nem sempre a linha recta é o caminho mais curto entre dois pontos. É que aparecem obstáculos e surpresas pelo meio e na vida isso é mesmo frequente acontecer! Nessas alturas a imaginação é muito importante para conseguirmos encontrar alternativas que nos conduzam rumo aos nossos objectivos.

Um dia uma amiga disse-me que “existe sempre uma janela que se abre quando todas as portas se fecham”. A expressão vinha a propósito das oportunidades, das coincidências e dos acasos que acabam por marcar a nossa vida e que tantas vezes nos fazem escolher um caminho que não o mais normal (seja lá o que isso for).
Os caminhos aparentemente evidentes e simples acabam tantas vezes por nos levar a becos sem saída e impasses, e nessas alturas são os caminhos de recurso que parecem estranhos e complicados que nos resolvem os problemas.

A porta fechou-se bem diante do nosso nariz. A alternativa pode ser uma janela, uma clarabóia, um postigo ou até um simples buraco, basta que exista imaginação suficiente para descobrir as oportunidades que eles nos podem oferecer. Não adianta é ficarmos apalermados em frente da porta.

Há que ter imaginação! Há que dar asas à nossa imaginação e não deixar que ela nos abandone por muito tempo mesmo que as portas pareçam fechar-se perante nós. É que as dificuldades e problemas são também uma oportunidade, convém é conseguirmos descobrir uma janela para que a imaginação nos possa ajudar!

 

domingo, outubro 03, 2004

Amor Colorido

O amor chega quase sempre disfarçado de amizade, de carinho, de respeito, de desejo, de admiração, de cumplicidade ou de empatia.
Esse amor dissimulado revela-se quando a máscara que o envolve se desvanece e surge no horizonte um arco-íris formado por estas sete tonalidades que constituem uma paleta de emoções com a qual colorimos o nosso mundo de sentimentos.

Inspirado num desafio antigo do Ene Coisas sobre o Amor.
Não é uma narrativa como foi pedido mas sim um pensamento em jeito de resposta à pergunta do que é o amor.


 

sexta-feira, outubro 01, 2004

Descanso

O cansaço entra em nós lentamente e vai tomando conta dos nossos movimentos para depois nos atingir a mente. A sensação de cansaço parece que toma conta do nosso corpo, amolecendo nossos membros enquanto nos induz uma nostalgia silenciosa. Os olhos começam a pesar implorando descanso mas a mente tenta resistir à melancolia tornando difícil o descanso desejado.

A noite surge e a lua sobe no céu estrelado enquanto o corpo procura a melhor posição entre os lençóis e o equilíbrio térmico que nos confira uma sensação de conforto. Os minutos passam vagarosamente enquanto a fraqueza física nos vai derrotando, o corpo precisa de adormecer e no entanto a mente teima em querer compensar a apatia trabalhando em alta velocidade.

A noite vai longa, o sono e a fadiga amolecem cada vez mais o corpo. Como por magia a mente acaba mesmo por ceder ao corpo esgotado. Os sonhos vão no entanto manter o subconsciente em plena acção.

Quando o Sol aparece brilhando e o despertador decide gritar rompendo o silêncio da manhã, o corpo reage acordando ainda que continue muito sonolento. Lentamente os olhos começam a habituar-se à luminosidade matinal, depois buscam uma referência para o novo dia até que se deparam com um céu azul fortificante. Corpo e mente descobrem que um novo dia chegou cheio de energia e acordam com um sorriso de entusiasmo!

Estou a precisar de um descanso assim, de corpo e alma, após uma semana intensa e preenchida em que o descanso nocturno foi muito importante. Ao longo destes dias faltou tempo e serenidade para escrever aqui, mas hoje estou a recuperar a tranquilidade necessária.
Fazer brotar algumas palavras por aqui também me ajuda a acalmar mais um pouco.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?