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sábado, outubro 16, 2004

A Escrita

Quem me conhece olha frequentemente para estas minhas palavras tentando entender o seu significado à luz de quem eu sou. E quem não me conhece para além do que aqui escrevo, acaba por tantas vezes procurar no que eu escrevo ou naquilo que omito, uma pista para aquilo que eu sou.

É o que acontece com os livros que lemos, podemos sempre tentar perceber um pouco do modo de pensar e de ser de quem o escreve. Cada escritor tem a sua forma de escrever que não é dissociável do que ele próprio é, por isso as suas obras acabam normalmente por estar ligadas por elos invisíveis que representam a vida do escritor.
Esta é umas das razões que nos faz procurar outros títulos de um autor quando gostamos de um livro seu que acabamos de ler. Esperamos continuar a sentir a leitura de uma forma idêntica.

Não devemos é confundir o que é escrito com a vida de quem escreve, porque se muitas vezes são retratadas vivências, em outras ocasiões são retratadas apenas percepções de outras vidas, bem como sonhos e fantasias em torno da vida. A visão do que é retratado é mais importante do que o objecto da escrita quando se pretende desvendar um pouco mais de quem escreve. Por isso às vezes interpretamos mal um texto porque o queremos ver à luz daquilo que conhecemos da pessoa que o escreveu.
Este tipo de leitura acaba por ser usual nos blogs porque a ideia de que se trata de um diário pessoal ainda é muito forte. No entanto, os blogs são mais do que isso, são ferramentas de publicação electrónica de informação, onde os diários pessoais também podem encontrar o seu espaço.

Escrever aqui ou em outro lado, pode (e deve) ser um prazer, mais do que um relatar de vidas reais. E quem ler estes textos deve poder ter também o seu próprio prazer de interpretar estas palavras.
Quem ler isto pode ir descobrindo bocadinhos de mim mas não a minha vida, pois essa é complexa demais... até para eu a entender por completo.

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