<$BlogRSDUrl$>
 

domingo, novembro 14, 2004

Amor ou Ódio do Telefone Móvel

Ferramenta de comunicação pessoal dos tempo moderno, o telemóvel tem tanto de positivo como de negativo. O contacto imediato em qualquer lugar permite encurtar distâncias, fazer avisos ou obter resposta às questões mais urgentes. No entanto, este imediatismo pode levar a abusos ou a condicionar as pessoas por causa deles.

Esta semana José Pacheco Pereira escreveu no Público sobre a forma como este pequeno aparelho pode ser considerado uma intrusão à vida das pessoas:

“A namorada - Onde estás?
O namorado da namorada - Estou aqui.
- Aqui aonde?
- Aqui... estou a estudar em casa.
- A estas horas, em casa? Mas que barulho é esse?
- A televisão.
- Parece o mar, estás-me a mentir. Põe lá a televisão mais alto, para eu saber se estás em casa e não na praia. (...)”

Desculpas existem para todos os gostos. Quem nunca ouviu falar em que se perdeu o telefone no café ou táxi, que bateria ficou descarregada, que existia má rede, que alguém se esqueceu do aparelho em casa, que o telemóvel estava silêncio fruto de uma reunião anterior ou que estava a conduzir?
Muitas vezes são a mais pura verdade mas há alturas que esta é uma forma de defensa da privacidade ou do tempo próprio. Por isso o telefone móvel se tornou hoje um grande desafio à confiança e desconfiança da vida social das pessoas.

Depois há quem não tenha bom senso e ligue para os outros sem olhar a horários ou momentos. Chamadas de trabalho durante as férias ou fins de semana, ligar durante horário de refeição, ligar a meio da noite ou muito cedo pela manhã e tantas outras formas de intrusão na vida privada das pessoas. Aqui temos outro desafio que é o da educação e respeito pelo tempo alheio.

A privacidade das pessoas deixa de estar a salvo e obriga a que a nossa forma de viver seja adaptada à tecnologia que temos nos nossos bolsos. Pacheco Pereira termina o texto citado desta forma:

“Já não é o Big Brother a olhar para nós, somos todos a olhar para todos. É a "aldeia global", mesquinha, pegajosa, que sabe tudo e espia tudo, toda contente com os aparelhos mágicos que tudo transmitem e tudo recebem.”

Quando estamos em casa ou no emprego podemos decidir não atender uma chamada no telefone fixo afinal quem está do outro lado não sabe se estamos lá ou não para a atender, mas um telefone móvel é suposto estar connosco sempre. E uma chamada não atendida desperta desconfianças ou coloca a etiqueta de “má educação” a quem não responde à chamada. Por isso há que insistir até a pessoa atender ou então mais tarde cobrar que a chamada não foi atendida.

O telefone móvel é sem dúvida um objecto que está a mudar a vida das pessoas, facilitando a sua vida mas também a condicionando. Daí que não seja de estranhar a relação de amor e ódio em simultâneo com o telemóvel.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?