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domingo, dezembro 05, 2004

A Música de Dylan

Por diversas vezes me senti tentado a falar aqui de Bob Dylan mas em todas essas alturas acabei por uma razão ou outra não o fazer. No aniversário dele, quando fui ver o concerto em Vilar de Mouros ou quando a sua autobiografia foi lançada pareciam ser alturas certas para isso e no entanto acabei por deixar passar o momento.
Agora que finalmente comprei o livro e mesmo antes de iniciar a sua leitura, acabei por começar a escrever algo sobre este músico, poeta e cantor que desde cedo me fascinou e ainda hoje me encanta.

Bob Dylan Chronicles Volume One

Não vou falar da sua história nem da sua importância na música ao longo das décadas, prefiro deixar algumas ideias soltas sobre este homem que não deixa os outros indiferentes perante a sua obra e a sua forma de ser, mesmo que por vezes isso seja conseguido à custa de alguma antipatia que ele próprio provoca. Estou a lembrar-me por exemplo do concerto em Vilar de Mouros em que mandou desligar os ecrãs gigantes laterais gerando muito descontentamento por quem não estava nas primeira filas junto ao palco.
A aura de mistério que conserva em torno da sua personalidade também nem sempre é bem entendida pelas pessoas, embora me pareça muito mais uma defesa que utiliza contra um vedetismo que não lhe dá prazer nenhum.

As suas canções marcaram muitas gerações, algumas foram adoptadas como referências sociais em diversas alturas, outras marcaram as pessoas de forma mais pessoal e individual. Pessoalmente tenho algumas músicas dele que me fazem lembrar outros momentos, outros locais ou outras vivências. Muitos outros músicos fizeram, e ainda fazem, novas versões das suas canções, reinventando-as às vezes até com muito mais sucesso que o próprio Dylan, provando que a sua faceta de intérprete talvez seja a menos forte das suas inúmeras capacidades musicais.

Gostava de escrever sobre todas as minhas canções preferidas mas são tantas que seria impossível não me esquecer de algumas.
Blowin' In The Wind continua a ser uma referência para muita gente onde as perguntas continuam sem resposta 40 anos após terem sido feitas pela primeira vez:

“Yes, 'n' how many years can some people exist
Before they're allowed to be free?”

A liberdade continua a ser tantas vezes posta em causa neste mundo e por muito que o mundo evolua parece cada vez mais difícil atingir a liberdade com que sonhamos. Tantos anos depois, esta canção continua a ter uma actualidade impressionante.

Dylan escreveu também uma das mais bonitas canções de amor que conheço, embora tenha passado um pouco despercebida no meio de toda a sua obras. Cantada por ele ou por outros, To make you feel my love deixa-nos sonhar com os sentimentos:

“When the evening shadows and the stars appear
And there is no one there to dry your tears
I could hold you for a million years
To make you feel my love”

E continuando pelos trabalhos menos conhecidos, faço agora uma paragem por Not Dark Yet onde um verso que encerra uma enorme verdade do nosso quotidiano:

“Behind every beautiful thing there's been some kind of pain”

Conhecemos bem a expressão “nem tudo são rosas” porque os espinhos desta sempre existem. A vida é feita de momentos bons e maus, como se fosse um pacote único que temos de viver sem poder escolher apenas as coisas boas. É bom quando conseguimos pensar de forma ligeiramente diferente e dizemos para nós mesmos que nem tudo são espinhos! E por detrás dos mais belos momentos existe sempre alguma forma de dor da mesma forma que é do sofrimento que tantas vezes renasce a beleza.

Poderia continuar aqui a falar da música de Dylan porque é quase interminável tudo aquilo que a sua poesia nos transmite. No entanto prefiro parar aqui e deixar que seja a própria música dele a falar por mim sempre que esta nos chegar aos ouvidos.
Enquanto isso, vou ouvindo Shooting Star:

“Seen a shooting star tonight
And I thought of you”

E que finaliza desta forma poética, como tantas vezes acontece na vida:

“Tomorrow will be another day.
Guess it's too late to say the things to you
That you needed to hear me say.
Seen a shooting star tonight
Slip away.”

E assim foi hoje que escrevi sobre ele, não me apeteceu adiar mais esta conversa sobre esta música que tanto me encanta.

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