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sábado, fevereiro 28, 2004

A Importância do Sorriso

Um sorriso é capaz de fazer maravilhas por nós, é capaz de nos tirar da tristeza, é capaz de nos dar alento, é capaz de nos motivar, é capaz de nos ajudar a continuar a caminhada.
E o nosso próprio sorriso é importante porque nos faz sentir bem connosco e porque nos permite distribuir o mesmo por quem nos rodeia e precisa dele.

O poeta Eugénio de Andrade refere-se assim a ele:

Creio que foi o sorriso,
sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.

É mesmo assim, o sorriso traz consigo o brilho, a luz, a vontade, o desejo, a confiança, a ousadia, o prazer e enche-nos de vida. Dá mesmo vontade de ficar com ele, de permanecer no sorriso que nos alimenta de alegria a alma.

Se temos o sorriso em nós temos de o saber partilhar com quem nos rodeia, mas se ele nos abandona então temos de procurar recuperá-lo no mundo que nos rodeia rapidamente porque afinal de contas de nada serve ficar fechados sobre nós.

 

domingo, fevereiro 22, 2004

Os Comboios da Vida

Como os comboios, as oportunidades na vida surgem diante de nós e temos de decidir se as agarramos ou não, se embarcamos nestas novas viagens ou preferimos ficar onde estamos continuando o nosso caminho actual esperando por outros comboios para mudar o rumo.

Se decidimos embarcar no comboio, se decidimos partir à aventura e à descoberta temos então uma nova tarefa pela frente: decidir onde e quando sair do comboio.
Podemos ir até ao fim da viagem, até ao limite onde já não há mais percurso ou então escolhemos sair durante o percurso numa estação principal, numa estação secundária, num apeadeiro ou até mesmo em andamento em caso de urgência com todos os riscos que isso significa.
Durante a viagem vamos olhando pela janela e observando o mundo que passa lá fora. Quando vemos algo que nos agrada sentimos a tentação de sair do comboio e ir conhecer aquele pedaço de mundo e de vida que nos seduziu através da janela do comboio. Mas se a viagem e tudo o que a rodeia continuar a ser mais agradável do que explorar o que vemos lá fora então vamos continuar a apreciar o prazer da viagem permanecendo no comboio que escolhemos.

Também na vida temos de decidir se queremos agarrar uma nova oportunidade que espreita e que nos seduz, ou se pelo contrário preferimos manter o nosso rumo com tudo de bom que isso tem.
A decisão de ficar ou de sair, depende muito do conforto que a viagem nos proporciona, da companhia que temos e do ambiente em torno de nós. Tanto nos comboios como na vida.

Se a opção for sair e explorar, vamos conhecer um mundo novo, um ambiente novo, uma forma diferente de ver as coisas e vamos aprender com tudo o que nos rodeia. Depois poderemos sempre iniciar uma nova viagem, apanhar um novo comboio.
E nessa altura podemos até continuar a viagem que estávamos a fazer antes de sair do comboio, apanhando outro comboio com o mesmo destino. Contudo regressar ao percurso anterior será sempre uma viagem diferente da inicial, porque o comboio é outro, os passageiros são outros, o ambiente será diferente e até mesmo nós já estamos com outros olhos por tudo o que aprendemos na nossa paragem! Será sempre diferente, pode ser menos agradável continuar a viagem ou pode ser mais interessante que antes, mas nunca será exactamente a mesma coisa.

E a vida também é um pouco assim como viajar de comboio, é uma viagem feita de muitas etapas, paragens, decisões, é composta de viagens tranquilas e movimentadas, apanhando comboios rápidos, directos ou regionais, às vezes com passageiros de viagem que nos fazem companhia outras vezes são etapas solitárias, algumas destas viagens de comboio têm muito conforto outras nem tanto, algumas são caras outras são mais económicas e de vez em quando também surgem acidentes de percurso.
Mas vamos sempre aprendendo imenso com o que vemos, com o que vivemos, com o que ouvimos, com o que experimentamos ao longo da viagem.

E agora, vou voltar à minha viagem… até já!

 

quinta-feira, fevereiro 19, 2004

Prémio

Hoje fui surpreendido com uma prenda, a Colombiana ofereceu-me uma viagem!

Não fui o único premiado, mas o curioso da situação é que o prémio é uma viagem de comboio. Sempre adorei comboios, desde pequeno que gostava de ir ver os comboios na estação e a cada viagem que fazia de comboio o entusiasmo tomava conta de mim.
Tenho ainda na memória as viagens deliciosas nos velhinhos comboios a vapor e os confortáveis bancos de madeira dessa altura. E durante muitos anos os comboios fizeram parte da minha vida com muitos quilómetros percorridos.

Mais recentemente recordo a minha primeira viagem no TGV em França, uma experiência completamente diferente com um conforto excepcional e uma rapidez tão útil. No entanto está ali o encanto do comboio com o prazer sempre renovado de olhar o mundo lá fora pela janela, passando por nós.
Outra experiência para recordar foi a viagem nocturna entre Praga e Budapeste, com o controlo fronteiriço entre a República Checa, a República Eslovaca e a Hungria. As paragens sucessivas, os guardas fronteiriços exclamando “passport control”, o dormir nas cabines apertadas, ver o Dánubio aparecer de manhã pela janela do comboio.

Obrigado pelo prémio….
Fiquei com vontade de fazer uma viagem de comboio!

 

quarta-feira, fevereiro 18, 2004

Sacudir a Tristeza

A tristeza quando se apodera de nós consome-nos aos poucos, obriga-nos a lutar contra ela, a infelicidade que a acompanha faz-nos perder a paciência, deixa-nos desconsolados, gera em nós uma grande preocupação, rouba-nos o sorriso e não nos permite aproveitar a vida.

Quando a tristeza chega perto de nós, temos de conseguir afastar a sua força, temos de evitar dar-lhe importância demasiada, temos de sacudir a inquietação que nos provoca, temos de ignorar essa tristeza que nos quer corroer e temos de prosseguir vivendo as coisas boas da vida recuperando o nosso sorriso.
Claro que falar é mais fácil do que fazer.
Podemos imaginar e esperar que nos é possível ignorar a tristeza, mas quando ela chega tudo se torna mais complicado. A melancolia, a mágoa, a infelicidade, a tristeza são tantas vezes mais fortes que nós.
Temos por isso de estar alerta e saber reagir, procurar aquilo que nos vai dar força, aquilo que nos vai incutir a coragem para não ficarmos presos nessa tristeza, fugir do pessimismo que normalmente nos assola. Sabemos de antemão que de nada adianta ficarmos preocupados com essa tristeza, por isso temos de rapidamente encontrar o catalizador que nos vai ajudar a recuperar o sorriso: pode ser uma música, uma paisagem, um pensamento, um sorriso, uma palavra, um livro, um sonho, etc…

Nessas alturas temos de sacudir a tristeza e ir em frente para viver as coisas boas da vida!
Há tanta coisa boa para ser vivida e aprendida na vida que não vale mesmo a pena ficarmos presos às tristezas e mágoas que apenas nos consomem!

 

terça-feira, fevereiro 17, 2004

Afastamento – II

Por norma, evito responder aos comentários, pelo menos escrevendo a resposta aqui sob a forma de um novo texto, prefiro comentar em privado. E mesmo assim o tempo, ou a falta dele, não me tem permitido responder aos comentários tanto quanto eu gostaria.
Mas de vez em quando apetece-me mesmo responder apesar das dúvidas que me assolam porque responder a uns significa não o fazer com outros, significa seleccionar com o risco de ser injusto.
Desta vez não resisto, porque o humor também faz parte da vida e é muito importante para manter a boa disposição.

A São Rosas comentou o meu último texto dizendo simplesmente:

"Ó Jotakapa, é interessante, mas... e o afastamento das pernas?"

Ora bem…a resposta é muito simples!
O afastamento das pernas é um daqueles casos que eu me referia no parágrafo:

"Pode ainda ser uma decisão repartida, em que o afastamento é preço que temos de pagar para obter alguma coisa que nos é importante. É um afastamento imposto por algo que desejamos."

Existe pois um desejo importante que faz com que as pernas se afastem! É porque vale a pena, ou pelo menos porque existe a expectativa que vale a pena o afastamento!

Espero que tenha conseguido desfazer as dúvidas que pairavam por aqui sobre as pernas e o seu possível afastamento!

 

quinta-feira, fevereiro 12, 2004

Afastamento

O afastamento não é só a distância física que separa as pessoas e o sentir de saudades. Existem outros tipos de afastamento, até porque este pode não ser físico e ser simplesmente um afastamento emocional ou então pode ser um afastamento físico e emocional em simultâneo.
No afastamento físico pode ser mantida uma ligação que permita não sentir de forma tão forte a separação, esse o contacto pode ser uma carta, um telefonema, um e-mail, uma mensagem sms, uma música partilhada ou um livro recomendado. Ou seja mantém-se uma ligação emocional.
Por outro lado podemos estar fisicamente próximos e no entanto estarmos afastados porque emocionalmente existe algo que nos impede de comunicar com quem está perto de nós. Este afastamento emocional é normalmente mais angustiante, porque os obstáculos existentes são menos palpáveis e quantificáveis.
Para os obstáculos físicos podemos idealizar uma estratégia para os ultrapassar, mas quando eles são emocionais tudo se torna mais complicado, mais subjectivo e menos identificável.

E os afastamentos nem sempre são separações impostas, podem também ser procurados por nós em algumas alturas. Quem nunca sentiu a necessidade de estar só para poder reflectir? Quem nunca se fechou na sua concha para poder ganhar alguma tranquilidade? Quem nunca sentiu a necessidade de se afastar um pouco para relaxar e descansar? Quem nunca se sentiu emocionalmente afastado de tudo o que está à sua volta? Quem nunca tentou uma aproximação e percebeu que era impossível pelas mais variadas razões? Quem nunca sentiu a necessidade de mudar de vida?
No caso dos afastamentos que procuramos, é a nós que cabe a decisão de ele se iniciar como resultado daquilo que sentimos ou do que queremos sentir e é fruto das opções que tomamos. No caso dos afastamentos impostos, eles são sentidos como sendo uma limitação, são o resultado de uma decisão da qual não temos controlo e que tantas vezes nos deixa com a sensação de incapacidade.
Pode ainda ser uma decisão repartida, em que o afastamento é preço que temos de pagar para obter alguma coisa que nos é importante. É um afastamento imposto por algo que desejamos.

Às vezes é possível controlar ou condicionar a duração do afastamento quando este não é definitivo, mas em outras situações é impossível ter controlo sobre isso.
Se o afastamento é físico, este termina quando os obstáculos são transpostos: a distância, a disponibilidade, o tempo, etc. Se for emocional tem de ser restabelecida a confiança para que o afastamento termine e tem de voltar a existir necessidade de presença emocional entre as partes.
Deste ponto de vista, o afastamento físico por mais complicado que pareça pode ser sempre mais simples de ser ultrapassado do que um afastamento emocional, já que depende essencialmente da nossa capacidade em ultrapassar os obstáculos físicos, enquanto que para afastamento emocional depende muito de vontades mútuas e do conseguir gerir os sentimentos envolvidos.
Quando um afastamento não foi desejado, se o seu término ocorre então um enorme sentimento de alegria é evidenciado nos sorrisos de quem acaba de regressar desse afastamento, seja ele de que tipo for.
Mas também existem afastamentos definitivos, em que temos de saber aceitar e conviver com eles, respeitando a memória mas sem ficarmos presos a ela. Isto acontece por exemplo quando morre alguém que nos é querido.

E tudo isto é válido não apenas para a paixão e para o amor, mas também para a amizade, para as relações familiares, para as relações profissionais, etc. Até podemos sentir o afastamento por animais ou objectos. Quem é que nunca sentiu um afastamento enorme quando um objecto com enorme valor pessoal lhe é roubado? Quem nunca sentiu o afastamento e a saudade dos escritos de alguém?

E eu já tinha saudades de escrever aqui!

 

domingo, fevereiro 08, 2004

Obstáculos

Na nossa vida acontece tantas vezes sermos surpreendidos por problemas que se atravessam à nossa frente e nos entristecem. Estas surpresas nada agradáveis são obstáculos para a nossa capacidade de sorrir e de manter a nossa serenidade e alegria. Nessas alturas temos de procurar reagir da melhor forma para poder suplantar esses obstáculos, sabendo de antemão que não será simples, que vai exigir muita força de vontade e confiança em nós.

Nesses momentos em que o obstáculo parece enorme e impõe respeito, lembro-me de uma frase que ouvi alguns anos atrás e que desde essa altura me tem acompanhado sempre que preciso de retomar a confiança em mim e preciso de lutar contra as coisas que de vez em quando se atravessam no meu caminho:

"Os Homens não se medem aos palmos, mas sim perante os obstáculos”.

A nossa verdadeira força advém da nossa capacidade de lidar com os obstáculos do dia-a-dia, e quando os ultrapassamos ficamos mais fortes.

Primeiro temos de respeitar os obstáculos e depois temos de encontrar dentro de nós a força e a confiança para os conseguir transpor. Porque será isso que nos vai permitir recuperar a nossa serenidade, a nossa paz e o nosso sorriso.
Mas temos de saber usar a imaginação e a inteligência, porque os obstáculos da vida normalmente têm de ser ultrapassados não pela força física ou confrontação, mas sim com paciência, com confiança, com tempo, com dedicação, com muito empenhamento e paixão pelo que fazemos e acreditamos.

E dá sempre um imenso prazer poder olhar para trás e ver que conseguimos ultrapassar os obstáculos que antes nos assustavam, ao mesmo tempo que sentimos o nosso sorriso regressar.
É esse mesmo regresso do nosso sorriso que nos torna mais fortes e mais felizes.

 

sábado, fevereiro 07, 2004

O Cântaro Partido

Há palavras que me tocam, às vezes é um texto de descubro num livro ou num outro escrito qualquer (revista, blog, etc.), outras vezes é uma palavra ouvida, pode mesmo ser uma mensagem que recebo de alguém conhecido ou então como desta vez um texto que partilharam comigo.
Recebi este texto de uma pessoa amiga e não resisto a transcreve-lo aqui porque me agradou imenso.

"Um aguadeiro indiano tinha dois grandes cântaros. Transportava-os suspensos às duas extremidades de uma vara de madeira que se ajustava à forma dos seus ombros.
Um dos cântaros tinha uma brecha, e, enquanto o outro cântaro conservava perfeitamente toda a sua água da fonte até à casa do amo, o cântaro lascado perdia quase metade da sua preciosa carga durante o caminho.

Isto durou 2 anos, durante os quais, todos os dias, o aguadeiro só entregava um cântaro e meio de água em cada uma das suas viagens. Claro, o cântaro intacto sentia-se orgulhoso, visto que conseguia cumprir a sua missão do princípio até ao fim sem falhar. Mas o cântaro lascado tinha vergonha da sua imperfeição e sentia-se deprimido porque só conseguia cumprir metade do que era suposto ser capaz.

Ao fim de 2 anos daquilo que considerava como um desaire permanente, o cântaro lascado dirigiu-se ao aguadeiro, num momento em que este último o enchia na fonte:
- Sinto-me culpado, e peço que me desculpes.
- Porquê? - perguntou o aguadeiro - De que tens vergonha?
- Durante 2 anos, apenas consegui transportar metade da minha carga de água para o nosso amo, devido a esta brecha que deixa entornar a água. Por minha culpa, fazes todos estes esforços, e, no final, só entregas metade da água ao nosso amo. Não obténs o conhecimento completo dos teus esforços - disse-lhe o cântaro lascado.
O aguadeiro ficou emocionado com esta confissão, e, cheio de compaixão, respondeu: - Enquanto voltamos à casa do amo, quero que observes as magníficas flores que estão à borda da estrada.
À medida que subiam pelo caminho, ao longo da colina, o velho cântaro viu, na borda do caminho, magníficas flores banhadas pelo sol, e aquilo aliviou-lhe o coração. Mas no fim do percurso, continuava a sentir-se mal porque tinha voltado a perder metade da sua água.
O aguadeiro disse ao cântaro:
- Apercebeste-te de que havia flores lindas do teu lado, e quase nenhuma do lado do cântaro intacto? Como sempre soube que entornavas água, decidi tirar partido disso. Espalhei sementes de flores no caminho do teu lado, e, todos os dias, tu regava-las durante todo o percurso. Durante 2 anos, consegui, graças a ti, apanhar flores magníficas que embelezaram a mesa do amo. Sem ti, nunca teria conseguido encontrar flores tão frescas e tão graciosas.

Moral da história: Todos temos brechas, feridas, defeitos. Somos todos cântaros lascados."

Ninguém é perfeito, mas mesmo as nossas brechas, feridas e defeitos são importantes porque fazem parte do todo que nós somos. Todos temos imperfeições e pontos fracos da mesma forma que temos muitas coisas boas que temos de saber reconhecer em nós e nos outros.
Quando estamos com a nossa auto-estima em baixo normalmente acabamos por dar demasiada importância às nossas imperfeições, achamos que somos inferiores e deixamos de acreditar em nós. Mas não podemos deixar que isso aconteça, porque temos de nos lembrar de todas as coisas boas que temos dentro de nós, temos de conseguir ver as flores que fazemos florescer apesar das brechas que temos.

E até a vida tem as suas brechas, feridas e defeitos e mesmo assim continua a ser bom poder viver essa vida e sorrir com todas as coisas boas que ela também nos dá.

 

terça-feira, fevereiro 03, 2004

Pontes

São necessárias pontes para unir as margens dos rios. As pontes interligam a vida que existe de cada lado, de modo a que o rio que separa as margens seja assimilado e passe a fazer parte da vivência das duas margens em conjunto. As pontes existem para que a vida possa fluir de um lado para o outro e para que cada uma das margens possa enriquecer com a sabedoria e experiência que vem do outro lado do rio.

Também na vida são lançadas pontes para unir as pessoas, para que aquilo que as separa passe também a ser parte da vida delas, sem que seja um obstáculo e passe a existir uma travessia por onde as duas vidas se possam unir de alguma forma.
Ao longo da vida vamos construímos pontes que nos ligam às pessoas que nos rodeiam e com as quais estabelecemos algum tipo de relação. Através dessas pontes também nós aprendemos imenso com as outras pessoas, não deixamos de ser nós próprios mas podemos incorporar experiências e saberes até aí ignorados.

As pontes sobre os rios têm de ser cuidadas, temos de estar atentos a elas, à sua conservação e ao seu estado, de modo a que o seu uso continue a ser seguro para unir as margens, de modo a que a vida passe por elas sem medo e sem o risco de estragar a tal vida que vai fluindo entre as margens.
Se uma ponte começa a entrar em queda, é preciso tratar dela, é preciso investir nas tarefas de recuperar, manter, solidificar e consolidar a ponte.
Se está desgastada de forma irreversível então é conveniente erigir uma nova passagem, uma nova travessia entre as margens agora mais afastadas pela insegurança e desconfiança da velha ponte. Decerto que a nova ponte não será nunca uma cópia da velha, vai ser uma travessia diferente, adaptada à vida que cada margem tem actualmente, de acordo com as novas condições de cada lado do rio, de acordo com as exigências actuais das margens sem esquecer os erros cometidos na ponte que é abandonada agora nem o que de bom existia nela. A velha ponte fica na memória, às vezes até lhe adaptamos o uso para que não se perca totalmente. Algumas pontes deixam de ser rodoviárias e passam a ser apenas pedonais.

Também na vida é assim, temos de tratar as pontes que nos unem aos outros, temos de estar atentos ao seu estado e à sua condição. Se a ruína ameaçar essas pontes temos de saber reagir e recuperar a travessia, recuperando ou construindo uma nova ponte. Assim vamos criamos novas pontes quando refundamos as relações partindo daquilo que somos hoje e não apenas copiando o que fomos ou que gostaríamos que fossemos.

Há paixões que se tornam amores. Amizades que se reforçam. Amores que se tornam amizades. Amizades que se transformam em paixões, Paixões se tornam belas recordações. Empatias que se revelam amizades. Amores que se renovam. Paixões que crescem. Amizades que se tornam companheirismo. Paixões que se desfazem e cristalizam em amizades. Amizades que cresce para um paixão. Cumplicidades que se transformam em paixões. Etc...

Mas há também pontes que com o passar do tempo deixam de fazer sentido continuar a existir. Quando já não existe vida para fluir entre as margens a ponte deixa de ter razão de continuar ali. A ponte pode simplesmente deixar de existir, fica apenas a recordação da ponte que existiu ali um dia.

Nas pontes da vida acontece o mesmo. Quantas amizades não se esgotam ao longo da vida? E quantas paixões não se extinguem sem resultar em nada mais?

As pontes são fundamentais para o fluir da vida. Isso acontece tanto nas pontes que unem as margens dos rios como nas que ligam pessoas através de uma relação.
Essa importância está muito bem expressa numa frase aparentemente anónima que circula pelos nossos emails de vez em quando: "Se você se sente só, é porque construiu muros e não pontes"
Na vida temos mesmo de saber construir e manter as pontes que nos ligam aos outros, temos de procurar perceber em cada momento o que essas pontes significam e temos de encontrar as adaptações, alterações ou melhorias que devemos fazer para que continuem a ser uma forma de nos enriquecermos nas relações que estabelecemos com os que nos rodeiam. Para aquelas que entretanto vão desaparecendo e transformando, temos de saber preservar a sua memória com base naquilo que nos tornamos fruto do que aprendemos com essas pontes.

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