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domingo, agosto 29, 2004

Idades

Jan Saudek mostra-nos na sua colecção de fotografias como o tempo nos pode alterar a fisionomia e ao mesmo manter muitas características que são nossas. Miroslava é um desses exemplos captados pelo fotógrafo checo em datas distintas.

Miroslava 1975 Miroslava 1985

Mais do que o nosso aspecto físico, o que muda em nós ao longo do tempo é a forma como vemos o mundo que nos rodeia, a forma como sentimos o ambiente que nos envolve, tudo o que aprendemos e apreendemos ao longo da nossa vida e nos torna naquilo que somos em cada momento.

A expressão “se eu soubesse o que sei hoje...” tem a ver exactamente com isso, em determinada altura da vida reagimos de uma forma que hoje não faz mais sentido porque entretanto fomos incorporando em nós o saber da experiência do que já passou.

Por exemplo e voltando às provocações, hoje reagimos de forma diferente a uma determinada provocação porque a forma como reagimos no passado nos foi ensinando através das suas consequências imenso sobre a forma de reagir e se vale ou não a pena reagir.

O tempo passa por nós e nós vamos mudando quase sem percebermos que isso nos acontece, a verdadeira idade tem exactamente a ver com aquilo que nós aprendemos vivendo. A idade física é apenas um referencial que teimamos manter e que tantas vezes serve de meio de discriminação de alguns.

O tempo passa, nós mudamos e o importante é conseguirmos ir mudando de forma a procurar o nosso equilíbrio e o nosso sentido de vida. E tal como nós, estes também vão mudando, fruto da nossa própria mudança, evolução, crescimento, amadurecimento... o que lhe quisermos chamar.

 

quarta-feira, agosto 25, 2004

Provocação

Há alturas em que as pessoas parece que nos estão a provocar constantemente como se estivessem à procura de uma discussão. Já todos experimentamos esta situação ao longo da vida, provavelmente estando em ambos os lados, provocador ou provocado. Este acto de provocar o outro muitas vezes até é inconsciente como se fosse uma defesa mas existem alturas que é um acto consciente na procura da uma disputa.

Reagir a estas provocações normalmente resulta em discussão, o que até pode ser positivo se esta for esclarecedora, tudo depende muita da forma como a discussão é encarada pelas partes. No entanto, se quem é provocado não reage e se vai desviando dos disparos evitando o confronto eminente, então a provocação pode desaparecer fazendo com que o confronto se desvaneça ou então o confronto sobe de tom porque quem provoca sente-se ofendido por não surtir efeito as suas provocações e tenta provocar de novo.

Há momentos em que reagir é fundamental para esclarecer as situações, e existem muitas formas de reagir, mas também existem situações em que não reagir é também uma boa solução.

Comigo muitas vezes é mesmo assim, dá-me um prazer enorme não reagir às provocações e deixar quem me provoca decidir se quer continuar ou não pela via da provocação. Numas alturas é apenas uma forma de não entrar em conflito sem sentido por coisas mínimas para não desperdiçar energia e boa disposição, em outras alturas é uma forma de mostrar à outra parte que não me conseguiu incomodar e que até para isso tem de melhorar o seu nível.

No entanto, quando as provocações se vão acumulando torna-se cada vez mais complicado não reagir e não reagir na mesma moeda. É que provocar também pode ser uma grande tentação! A questão é saber se estamos preparados para a discussão de modo a que dela possam sair resultados que valham a pena o incómodo.

 

terça-feira, agosto 24, 2004

Bronze

Afinal a terceira medalha sempre chegou e pelo Rui Silva, por isso neste caso confirma-se que “não há duas sem três”, pena é que não tenha sido possível confirmar a outra frase.

E assim continuamos à espera de mais alegrias para Portugal, afinal “a esperança é a última a morrer”.

 

Três Expressões Populares

Já todos ouvimos a expressão “o que custa é a primeira vez”, porque a primeira vez de qualquer coisa acarreta um desconhecido que merece o nosso respeito e porque existe sempre um efeito de surpresa. Talvez não seja bem assim como diz a expressão, porque se a primeira vez não correr bem, quando se repetir pode ainda ser mais complicado pela insegurança que pode ser criada.

Outra expressão que já todos ouvimos é que “não há duas sem três”, ou seja depois da primeira experiência e depois de repetir, ou seja experimentando a segunda vez, parece que se torna evidente que é muito mais natural continuar a repetir mais vezes. Ou seja ultrapassando os medos da primeira vez e também a eventual insegurança da segunda vez então é muito mais simples voltar a repetir.

E a expressão “à terceira é de vez” reforça ainda mais este facto como se tentasse tornar evidente que as duas primeiras tentativas são para aprender e para tomar o pulso à situação, depois já não estamos nas tentativas mas sim a viver realmente em pleno.

Será mesmo assim? Em muitas coisas talvez seja, mas em outras não.

Esperemos que assim seja com as medalhas de Portugal nos Jogos Olímpicos, afinal de contas a primeira do Sérgio Paulinho era menos esperada e talvez a mais difícil, depois veio a segunda que teve de ser muito suada pelo Francis Obikwelu que a mereceu com muito brilho. Se de facto “não há duas sem três” podemos agora sonhar com a terceira medalha para Portugal e se acreditarmos que “à terceira é de vez” então ela pode muito bem ser uma medalha de ouro!

Será que o primeiro emprego é mesmo o mais complicado? Em muitos casos assim é, pela inexperiência que as pessoas têm quando começam a trabalhar, e o segundo emprego nem sempre é muito mais simples afinal de contas também coincide com a primeira mudança de emprego com toda a insegurança que isso pode criar. Podemos também imaginar que “à terceira é de vez” e assim o terceiro emprego será de maior sucesso porque a experiência e a confiança serão muito maiores nessa altura. Mas isto são apenas teorias, na prática nem sempre é assim e há gente que nunca muda de emprego a vida toda e há quem mude várias vezes e nem sempre acerta.

O primeiro amor será mesmo o mais complicado? Será que o segundo também nos traz insegurança e medo? E se houver um segundo significa mesmo que irá haver um terceiro? E que nesse terceiro já vamos ser felizes? Parece uma regra demasiado fácil para assunto tão complexo.

Será que o primeiro ano de uma relação é o mais complicado, mas se aguentar a passagem do segundo ano isso significa que o terceiro também vai passar? E que esse terceiro ano é que vai ser o ano de todas as decisões? Recuso-me a acreditar que assim seja, há relações que se aguentam anos a fio e depois se desfazem sem olhar ao número de anos que se passaram entretanto. E já agora serão precisas três zangas para a relação se manter para vida ou para se desfazer, porque “à terceira é de vez”?

Será que quando cometemos uma falha a primeira vez essa é a mais difícil de realizar? E será que se repetirmos a falha isso significa que vamos depois pela terceira vez cometer a mesma falha e nessa vamos ter sucesso? Imaginando que a falha é fugir aos impostos, será mesmo que vale a pena tentar fugir três vezes para ter sucesso? Imaginado que a falha é bater com o carro, então “à terceira é de vez” e ele irá para a sucata? Imaginando que a falha é mentir, será que à terceira somos descobertos ou será que vamos mentir tão bem que não seremos descobertos?

Estas frases populares servem para explicar tanta coisa, mas só depois de as coisas acontecerem é que as podemos aplicar, até lá é mera especulação.
No entanto agora apetece-me acreditar que as podemos aplicar às medalhas!

 

domingo, agosto 22, 2004

Fim de Férias

Voltei por uma tarde à Galiza, em fim de férias regressei a essa região que é naturalmente uma extensão de Portugal. É sempre um local acolhedor, quer pelo carinho com que os galegos recebem os portugueses, quer pelos locais e paisagens que podemos apreciar, sem esquecer a comida deliciosa. Foi uma visita curta mas como tantas outras com o seu encanto.

O Código Da Vinci

Recordei outras férias que por ali passei, como uma semana de descanso bem perto do Cabo Finisterra ou de outras férias por terras do Norte de Espanha em que a Galiza era ponto de passagem para as Astúrias, Cantábria e País Basco. Ainda no ano passado por lá passei a caminho e de regresso das Astúrias.

Com as férias a terminar é também tempo de rever tudo o que aconteceu, tudo que se viu e visitou, os sabores provados, os aromas experimentados e tudo o que foi apreendido ao longo destes dias diferentes. É tempo de preparar o regresso ao quotidiano e ao trabalho que amanhã chega. A paisagem galega, em especial as suas rias, permitem absorver alguma tranquilidade bem necessária para esta reflexão sobre nós mesmos.

E enquanto estava envolvido nestes meus pensamentos, fui surpreendido pela letra da música que vou ouvindo, Lisa Ekdahl começa a falar da necessidade de tomar decisões. As férias são também uma época de decisões, seja para escolher o locar de férias, seja para aproveitar o tempo e a serenidade das mesmas para mudar alguma coisa no regresso ao dia-a-dia. É também um tempo de decidir como atacar um novo ano de trabalho, quais os objectivos que queremos alcançar, o que queremos aprender ou aquilo que são os sonhos que decidimos querer atingir. Apesar de a canção falar de decisões bem mais pessoais que profissionais, não deixou de me despertar a atenção enquanto pensava na Galiza, nas férias passadas e no retorno de férias.

Hey there baby make up your mind
'Cause I've been waiting such a long, long time
Now baby or never 'cause I been so good to you
Now baby or never 'cause I've been so lonesome, too
Now baby or never if I mean anything to you
Now baby or never 'cause I've wasted so much time
Now baby or never and you must make up your mind
Now baby or never it ain't no fault of mine

It's got to be yes or no
It's either you stay or go
You can't leave me on the shelf
You gotta commit yourself
It's either you will, or you won't fall In love with me

Como diz a canção, há alturas em que sentimos necessidade de uma decisão, de um sim ou não, de um agora ou nunca, de um compromisso, de um saber que estamos a apostar com argumentos que nos permitem triunfar. No entanto há também alturas em que nos sentimos bem na expectativa, porque acreditamos que a decisão a ser tomada é contra aquilo que gostaríamos que fosse, e como diz o povo: “mais vale um pássaro na mão do que dois a voar”. Não decidir também é uma decisão.

Não consigo decidir prolongar as férias, e por isso amanhã já é dia de voltar ao trabalho, de retomar a vida tal e qual ela é a maior parte do ano, regressar às tarefas, às rotinas e também ao tomar de decisões de forma a resolver todos os desafios que estão à espera de nós, um dia após o outro.

E sim (a resposta é “sim”) foi bom voltar à Galiza e terminar assim as férias deliciando-me com as rias galegas! Foi uma boa decisão!

 

domingo, agosto 15, 2004

Leituras

Durante as férias, dois livros me acompanharam, foram eles “O Código Da Vinci” e o “Muros”.

O Código Da Vinci Muros

O primeiro é um romance recente que tem tido muito êxito, escrito de forma muito agradável por Dan Brown e foi-me recomendado por um colega de trabalho após as férias dele, por isso quando o vi à venda antes das minhas não resisti em comprar. Para além da história em si, que é polémica e daí grande parte do sucesso do livro, a forma como está escrito é cativante de tal forma que é difícil pousar o livro até chegar ao fim. Curiosamente a Mariah1979 escreveu sobre o livro ainda ontem, por isso podem ter uma ideia sobre o enredo lendo aqui.

O segundo livro é também um romance mas que já tem uns anos. Escrito por Júlio Machado Vaz estava na minha estante quase esquecido. Recentemente foi editado novamente, e isso aguçou-me a curiosidade novamente. A escrita é mais complexa e exigiu muito mais atenção para entender a forma como está escrito, os vários personagens e um narrador que não consegue ser imparcial sobre a história vão falando alternadamente ao longo do livro que retrata a vida e os relacionamentos de uma família através de 3 gerações que se interligam de forma muito interessante. E o Porto e a Galiza sempre presentes ao longo do livro, dois locais que eu tanto aprecio.

Recomendo ambos, o primeiro como uma leitura empolgante, o segundo para quando alturas de calma e serenidade para seja possível a concentração que vai ser importante para apreciar em pleno este romance.

 

sábado, agosto 14, 2004

Não fugi...

Calma! Não abandonei o blog nem fugi daqui sem dar notícias, é apenas o reflexo de um tempo de férias que me deixou sem escrever aqui durante uns dias.

As férias implicam fugir da rotina, significam mudar de ares e de hábitos, para depois poder voltar com novas motivações, com mais energia e com mais vontade viver. Estas alturas permitem-nos ver coisas diferentes daquelas que nos rodeiam habitualmente, esquecer o trabalho que teima em absorver-nos ao longo do ano, colocar o sono e as leituras em dia, reflectir sobre o que foram os últimos tempos e preparar o regresso de algum modo.

As férias estão a meio, pelo menos as minhas, estes primeiros dias foram longe daqui para me distanciar da rotina diária. Agora vou aproveitar mais estes dias que se aproximam para continuar fora da rotina, para continuar a arrumar tarefas pessoais que não têm tido espaço nem tempo, a arrumar ideias e planos enquanto tentarei continuar carregar baterias para agarrar o pós-férias com energia.

E para já, vou arrumar alguns links para blogs aqui ao lado, acho que a lista está demasiado grande por isso alguns vão desaparecer desta lista o que não quer dizer que deixe de os visitar ou recomendar. Continuarei a visitar os blogs A Funda São, Angústias De Um Professor, Another Monster, Aviz, Blog da Miúda, Blogopédia, BLOGotinha, Blogs Fora, Nada!, Borras de Café, Cacaoccino, Canto da Sereia, Cidadão Do Mundo, Colombiana, Com Pinga De Sangue, Crónicas de uma Boa Malandra, De Mim Para Ti, Desenhos Animados e Jogos, Devaneios, Do lado de cá, Elas Por Elas, Fazendo Caminho, Food-I-Do, GandraTruck, Indústrias Culturais, Jack's Blog, Letras Com Garfos, Lobices, Loopings, Minha Alma, O Bisturi, O Blog do Alex , O Diário de Carrie Bradshow, O Homem da Minha Vida, Opio, Os Tempos Modernos, Palavras em Férias, ParaPitdaPat, Passo a Passo, Post-It, Prima Desblog, Puta de Vida, RNA mensageiro, Silêncio, Sabor a Sal, Um (.) Azul, Uns & Outros e Verão Azul tal como faço com tantos outros, mas deixarei nesta lista aqui apenas uma lista mais pequena e actualizada dos blogs que em cada momento mais me dizem.

 

quarta-feira, agosto 04, 2004

A Magia da Lua

O Sol enérgico reina durante o dia, mas quando este se esconde e retira é a Lua tímida que se mostra em todo o esplendor. O Sol brilha e aquece, a Lua ilumina e encanta.

Durante o dia o Sol impera tentando ofuscar a Lua, mas até nessa altura esta arranja tantas vezes uma forma de se fazer notar na sua timidez, seja com uma presença suave ou eclipsando o Sol. E quando a noite chega, a Lua está presente fazendo esquecer a ausência do Sol que desaparece numa bola de fogo mostrando a sua energia. Um pôr-do-sol sobre o mar é sempre um espectáculo mágico, mas o luar intenso sobre o mar não o é menos!

O Sol quando brilha ofusca todas as outras estrelas com a sua luz e intensidade, ele é que brilha e só Lua ousa aparecer timidamente. Mas na noite, a Lua faz-se acompanhar das estrelas, a Lua não ofusca mas predomina entre uma multidão de luzes. É assim que a Lua nos fascina e seduz.

O Sol dá-nos energia e força, mas é com a Lua que recuperamos a nossa serenidade.

 

terça-feira, agosto 03, 2004

Sedução

Chegou de mansinho com palavras bonitas e suaves, com frases feitas e sorrisos, aos poucos foi chegando perto e ganhou a confiança. No meio de uma pequena multidão foi chegando perto de uma forma natural, estabeleceu contacto, brilhou e lançou a simpatia em redor.
Afastou-se da multidão e continuou a mostrar serenidade, confiança e sorrisos. Atirou palavras, elogios e sorrisos como se fossem sementes para onde os queria ver germinar criando uma afinidade cativante.
Fugiu das dificuldades, ocultou medos, disfarçou defeitos, ignorou obstáculos e de forma discreta feriu a imagem da concorrência oferecendo mais sorrisos e simpatias em troca.
Passo a passo, foi chegando mais perto, pouco a pouco foi criando o seu espaço, cativou nos momentos certos, ofereceu o ombro e ouvido quando eles eram precisos, proporcionou momentos de serenidade, provocou com uma doce malícia o desejo e incutiu sorrisos e gargalhadas.

E assim foi vivendo a vida num processo de sedução que lhe permitiu chegar perto do objectivo inicial: a conquista. Uma sedução tão autêntica quanto a sua própria natureza e ao mesmo tão falsa quanto necessário para que resulte na plenitude.

Quem seduz quer atingir a conquista, mas também a outra parte sente o prazer da conquista de uma nova vida de serenidade, doçura, cumplicidade e sorrisos. Quem se deixa seduzir assim vai esquecendo as dificuldades que tem, vai ganhando uma nova confiança e vai afastar-se da sua realidade mais sombria e complicada. Quem seduz anestesia quem é seduzido dando-lhe uma forma nova de viver saboreando as coisas boas e esquecendo as menos boas.

De facto, a sedução pode fazer maravilhas por nós. Seduzindo ou sendo seduzidos podemos encontrar um equilíbrio entre a loucura e a serenidade que nos faz sorrir com cumplicidade. E enquanto for possível continuar a alimentar esse fogo de sedução e encantamento tudo vai estar a correr às mil maravilhas.
No entanto se um dia não for possível alimentar esse fogo, a realidade pode vir a revelar-se amarga e distante. A sedução pode afastar-nos da nossa realidade.
Por isso temos de ter cuidado com as expectativas que a sedução nos pode criar, mas sem permitir que esse cuidado nos roube a possibilidade de disfrutar intensamente das coisas boas que a sedução nos pode dar.

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