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terça-feira, dezembro 28, 2004

Uma Semana Diferente

O reboliço natalício terminou, deixando para trás aqueles dias tão diferentes do habitual. Há quem deseje este período de forma intensa, há quem deixe esta altura chegar calmamente mas também existem pessoas que preferiam que esta época não existisse. No entanto, o Natal não passa despercebido por tudo o que ele envolve. E agora já se sente no ar uma nova festa: a chegada de um novo ano.

Para mim, existe ainda o meu aniversário, que por um lado interrompe estes dias mais calmos entre as duas festas mas por outro me reforça o impulso para fazer balanços de vida.
Não gosto de atribuir uma importância exagerada a cada uma destas três datas em particular, pois ao longo dos anos perderam parte do encanto que tinham, no entanto é natural que esta semana acabe por se tornar especial pela sequência de rituais de passagem que é impossível ignorar.

O Natal já passou, o meu aniversário começa daqui a minutos e o Ano Novo já se prepara para chegar. Antes que a primeira data se esgote completamente, quero aqui deixar um “muito obrigado” a todos os responsáveis pelos meus sorrisos ao ler os comentários à minha carta ao Pai Natal.

 

quinta-feira, dezembro 23, 2004

Carta ao Pai Natal

Caro Pai Natal

Para ser sincero não acredito que existas, mas acontece que estou com saudades do tempo em que te escrevia nesta época para fazer os meus pedidos.

Podia remeter-te uma carta manuscrita, enviar-te uma lista de prendas por fax, escrever-te um email ou enviar-te uma SMS, no entanto preferi escrever-te aqui no blog. Se realmente existes, então decerto que és um daqueles que vem aqui ler o que escrevo, afinal de contas é uma forma de saberes como me tenho portado o ano todo.

Não te vou dizer que me portei muito bem ou que fui um menino bonito, porque não irias acreditar e ainda me colocarias no grupo dos mentirosos. Procedi sempre da melhor forma que consegui e soube, pelo menos na minha perspectiva, sabendo que corria o enorme risco de me enganar. Não fui bom nem fui mau, andei todo o ano entre os dois extremos, procurando que eu próprio me sentisse mais perto do “bom” do que do “mau”. Obviamente que isto é apenas uma opinião de parte interessada no assunto: eu próprio!

Haverá por aí quem diga que fui um menino mau mas também existe quem pense exactamente o contrário. É o resultado de um ano de convivência comigo e da força que atribuem às coisas que fiz e que tocaram essas pessoas. Além disso, é preciso não esquecer que algumas coisas que fazemos podem ser boas para umas pessoas e más para outras, dependendo daquilo que esperam de nós. O pior é quando fazemos alguma coisa com a melhor das intenções e depois descobrimos que as pessoas não gostaram daquilo que fizemos. Também tive bastantes situações dessas neste ano que passou.

Esta carta deveria servir para te enviar uma lista de prendas que gostava de receber, por isso vou tentar não me esquecer de nada que ache essencial.
Se me trouxeres um pacotinho de saúde para este ano já ficarei contente, principalmente se o puder partilhar com as pessoas que mais gosto. Peço-te ainda que não te esqueças de renovar a minha dose de paciência, a do último ano está a esgotar-se rapidamente. Espero também encontrar um embrulho cheio de sorrisos para poder partilhar durante o ano de 2005. Outra coisa que preciso e tu me podes tentar arranjar é um daqueles frasquinhos de paz e serenidade que tu próprio usas para ter esse aspecto tão bom!
Além disso, tenta encontrar uma estrela que me possa guiar durante o ano de 2005, para poder usar os outros presentes com conta, peso e medida. A luz dessa estrela bem que me pode iluminar as ideias quando fico mais confuso e cansado.

É mais fácil arranjar um Action Man ou uma PlayStation, mas tu sabes bem que eu sou um tipo esquisito e complicado. Além disso, acho que tu adoras resolver um bom desafio. Acho que vais mesmo encontrar uma forma de me oferecer estas pequenas lembranças, para que o meu 2005 possa ser ainda melhor que este ano que agora vai terminar.

Um abraço cheio de estrelas brilhantes desta eterna criança.

 

quarta-feira, dezembro 22, 2004

O Polvo

Tanta gente fala do tradicional bacalhau cozido com batatas que come no Natal, mas eu confesso que o bacalhau nada me diz nesta época. Apesar de ser tripeiro sou também descendente de transmontanos onde a tradição é outra.

Para mim a consoada de Natal tem arroz de polvo, filetes de polvo panados e bolinhos de bacalhau. Pode parecer estranho a todos os que estão habituados ao fiel amigo, no entanto o polvo é mesmo a comida da minha noite de Natal. Outro prato que por vezes aparece na mesa de consoada é a açorda.

Quem come o bacalhau cozido na noite de Natal tem o hábito de preparar no dia seguinte a chamada “roupa-velha” com os restos de couve, batata e bacalhau, no entanto no meu Natal este prato é preparado de raiz (sem ser com restos) e comido na noite de consoada daí ser chamado também de “roupa-nova” (no dia 25 pode ser aquecido tomando então o nome de “roupa-velha”).

A verdade é que o encanto desta época se vai perdendo com o passar do tempo, fruto da idade, do modo de vida actual e também da febre do consumo que distorce bastante o conceito de Natal que existia.
E se esta altura do ano vai perdendo a magia que tinha quando eu era criança, então pelo menos que se mantenha o sabor do polvo. Pelo menos assim permanece o meu sabor de Natal nessa noite que se quer diferente das outras.

 

domingo, dezembro 19, 2004

Partidas e Chegadas

A vida é feita de percursos que se definem entre dois pontos da nossa vida: aquele que marca o início da viagem e o momento onde decidimos parar antes da escolha do rumo seguinte.
No mundo dos blogs também encontramos partidas e chegadas que marcam as viagens de quem se aventura neste mundo dos escritos. Quem chega traz projectos e vontades, enquanto quem parte deixa saudades e lembranças.

Nas últimas semanas fui assistindo a este movimento e não posso deixar de registar a chegada de Corpos e Almas com a sua poesia e um erotismo mágico. Outra novidade recente é o Livro Aberto que surgiu como complemento ao programa de televisão em que Francisco José Viegas nos fala de livros de uma forma leve e nada aborrecida.

A Fábrica dos Sonhos interrompeu a sua produção de encantamentos, deixando saudade das histórias que nos ofereceu ao longo do tempo. Enquanto isso, a Minha Alma decidiu ir repousar longe deste ambiente, onde por mais de uma vez foi vítima de plágio, pena é que nos deixe por este motivo triste. Ainda nesta lista de partidas, não posso esquecer as Cumplicidades que partiu para outras paragens deixando um sorriso, para não nos esquecermos da cumplicidade que connosco foi partilhando.

Além das partidas e chegadas, outros movimentos se podem notar por aqui. As festas e as férias de alguns estão a chegar e com isso alguns blogs decrescem de produção e outros aumentam a sua vida. É curioso ver mais uma vez como os ciclos de vida das pessoas se reflectem indirectamente nos seus blogs: seja na quantidade ou na forma que assumem os escritos de cada um.

Nota: entretanto a Minha Alma decidiu regressar.

 

segunda-feira, dezembro 13, 2004

Abanão

A terra tremeu hoje em Portugal. Um sismo de magnitude mediana abalou parte do país, provocando um susto a todos os que o sentiram, mas que parece não ter causado danos maiores.

O curioso é que Portugal precisa de um grande abanão para ver se consegue sair de um ciclo negativo a que parece cada vez mais estar amarrado. Os anos passam, os governos sucedem-se, as políticas mudam e os políticos vão surgindo sem que realmente se perceba uma mudança de fundo no nosso país.

Por exemplo, a educação que deveria ser a base do desenvolvimento do povo, continua turbulenta e confusa. Uma parte dos professores deste país não têm vocação nenhuma e muitos escolhem esta carreira por ser o último recurso para não fazerem parte da lista dos desempregados com canudo. Enquanto isso, os bons professores ficam perdidos e desmotivados no meio desta enorme confusão que é a educação nacional. Assim é difícil que a educação possa realmente catapultar o nosso país para o desenvolvimento.

A justiça parece finalmente começar a dar alguns sinais positivos, com os recentes julgamentos e a investigação dos chamados notáveis. No entanto há ainda tanto por fazer, quando nos lembramos da constante violação do segredo de justiça ou quando percebemos o tempo que demora qualquer simples caso a ter uma solução definitiva após adiamentos, recursos, anulações e outras formas de atrasar a tão desejada justiça.

E bem que poderia continuar a falar dos outros domínios da nossa vida em que a confusão, a ineficiência, a falta de profissionalismo e o desinteresse acabam criar uma enorme apatia neste país. O mal parece mesmo ser geral.
Mas pensando bem, que podemos nós esperar quando a nossa vida política (em todo o seu espectro, da direita à esquerda) parece quase uma novela ou uma comédia, tentando concorrer com a Quinta das Celebridades ou outro programa do género?

Portugal necessita mesmo de um enorme abanão que possa fazer acordar as consciências adormecidas dos mais competentes. É com lideranças fortes e capazes que se inverte o ciclo, o exemplo tem de vir de cima, não podemos exigir aos outros aquilo que não exigimos para nós próprios. Há que voltar a ter espírito de vitória, almejar o primeiro lugar em tudo o que nos dá sucesso.

Precisam-se urgentemente de abanões que nos façam mudar de rumo e reflectir sobre a forma acomodada em que vivemos! Não podemos continuar a seguir pelo caminho de sempre, por muito confortável que nos pareça, quando ele não nos leva ao desenvolvimento nem ao sucesso.
Não é fácil mudar. Eu sei que é muito mais simples dizer do que fazer, mas há que não desistir do sonho! Um dia vamos conseguir!

 

sábado, dezembro 11, 2004

Giga... fotografia

A TNO desenvolveu um projecto fotográfico inovador produzindo uma fotografia digital com 2,5 gigapixel. Esta fotografia efectivamente é uma composição de 600 fotografias de alta definição com uma lente de 400 mm. O resultado final é uma foto de 78.797 por 31.565 pixels ou seja 2.487.227.305 pixels (2.5 gigapixel) com um tamanho de 7,5 Gbytes.

O local escolhido para tirar esta fotografia foi o topo do edifício da Faculdade de Engenharia Electrotécnica da Universidade de Delft na Holanda e o resultado final pode ser explorado no site da TNO (ou carregando na foto abaixo).

The 2.5 gigapixel photo

A forma de apresentar esta enorme fotografia é muito interessante porque se pode aumentar ou diminuir o zoom de qualquer parte da fotografia. Podem ser consultados mais detalhes técnicos e operacionais na página dedicada ao projecto.

No entanto como a fotografia final é o resultado de muitas fotografias existem algumas imperfeições nas zonas de transição entre imagens devido ao movimento das pessoas, viaturas e vegetação ou devido a variações de luz.
Desafio: encontrem na fotografia um autocarro e um carro que aparecem misturados no mesmo local. Se não tiverem paciência vejam aqui e confirmem que se trata de um erro deste tipo e não de um acidente.

 

quarta-feira, dezembro 08, 2004

Olhares Musicais

eye to eye : Graham Nash

Graham Nash é mais conhecido pela sua carreira musical em duas bandas: Crosby, Stills and Nash e Crosby, Stills, Nash and Young. No entanto Graham Nash manteve uma actividade de fotógrafo em paralelo com a sua vida no mundo da música.

A sua colecção de fotografias foi agora organizada para ser apresentada ao público em diversas exposições e editada em livro. Com o nome de “eye to eye” trata-se de uma forma de ver o mundo entre 1953 e 2003 pela objectiva deste brilhante músico que tem o seu lugar na história do rock.

Esta forma de música para os olhos pode ser espreitada em eye to eye no site de Graham Nash.

 

domingo, dezembro 05, 2004

A Música de Dylan

Por diversas vezes me senti tentado a falar aqui de Bob Dylan mas em todas essas alturas acabei por uma razão ou outra não o fazer. No aniversário dele, quando fui ver o concerto em Vilar de Mouros ou quando a sua autobiografia foi lançada pareciam ser alturas certas para isso e no entanto acabei por deixar passar o momento.
Agora que finalmente comprei o livro e mesmo antes de iniciar a sua leitura, acabei por começar a escrever algo sobre este músico, poeta e cantor que desde cedo me fascinou e ainda hoje me encanta.

Bob Dylan Chronicles Volume One

Não vou falar da sua história nem da sua importância na música ao longo das décadas, prefiro deixar algumas ideias soltas sobre este homem que não deixa os outros indiferentes perante a sua obra e a sua forma de ser, mesmo que por vezes isso seja conseguido à custa de alguma antipatia que ele próprio provoca. Estou a lembrar-me por exemplo do concerto em Vilar de Mouros em que mandou desligar os ecrãs gigantes laterais gerando muito descontentamento por quem não estava nas primeira filas junto ao palco.
A aura de mistério que conserva em torno da sua personalidade também nem sempre é bem entendida pelas pessoas, embora me pareça muito mais uma defesa que utiliza contra um vedetismo que não lhe dá prazer nenhum.

As suas canções marcaram muitas gerações, algumas foram adoptadas como referências sociais em diversas alturas, outras marcaram as pessoas de forma mais pessoal e individual. Pessoalmente tenho algumas músicas dele que me fazem lembrar outros momentos, outros locais ou outras vivências. Muitos outros músicos fizeram, e ainda fazem, novas versões das suas canções, reinventando-as às vezes até com muito mais sucesso que o próprio Dylan, provando que a sua faceta de intérprete talvez seja a menos forte das suas inúmeras capacidades musicais.

Gostava de escrever sobre todas as minhas canções preferidas mas são tantas que seria impossível não me esquecer de algumas.
Blowin' In The Wind continua a ser uma referência para muita gente onde as perguntas continuam sem resposta 40 anos após terem sido feitas pela primeira vez:

“Yes, 'n' how many years can some people exist
Before they're allowed to be free?”

A liberdade continua a ser tantas vezes posta em causa neste mundo e por muito que o mundo evolua parece cada vez mais difícil atingir a liberdade com que sonhamos. Tantos anos depois, esta canção continua a ter uma actualidade impressionante.

Dylan escreveu também uma das mais bonitas canções de amor que conheço, embora tenha passado um pouco despercebida no meio de toda a sua obras. Cantada por ele ou por outros, To make you feel my love deixa-nos sonhar com os sentimentos:

“When the evening shadows and the stars appear
And there is no one there to dry your tears
I could hold you for a million years
To make you feel my love”

E continuando pelos trabalhos menos conhecidos, faço agora uma paragem por Not Dark Yet onde um verso que encerra uma enorme verdade do nosso quotidiano:

“Behind every beautiful thing there's been some kind of pain”

Conhecemos bem a expressão “nem tudo são rosas” porque os espinhos desta sempre existem. A vida é feita de momentos bons e maus, como se fosse um pacote único que temos de viver sem poder escolher apenas as coisas boas. É bom quando conseguimos pensar de forma ligeiramente diferente e dizemos para nós mesmos que nem tudo são espinhos! E por detrás dos mais belos momentos existe sempre alguma forma de dor da mesma forma que é do sofrimento que tantas vezes renasce a beleza.

Poderia continuar aqui a falar da música de Dylan porque é quase interminável tudo aquilo que a sua poesia nos transmite. No entanto prefiro parar aqui e deixar que seja a própria música dele a falar por mim sempre que esta nos chegar aos ouvidos.
Enquanto isso, vou ouvindo Shooting Star:

“Seen a shooting star tonight
And I thought of you”

E que finaliza desta forma poética, como tantas vezes acontece na vida:

“Tomorrow will be another day.
Guess it's too late to say the things to you
That you needed to hear me say.
Seen a shooting star tonight
Slip away.”

E assim foi hoje que escrevi sobre ele, não me apeteceu adiar mais esta conversa sobre esta música que tanto me encanta.

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