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quinta-feira, janeiro 27, 2005

Ausência

Tenho andado meio ausente deste mundo dos blogs, escrevo a espaços e pouco tenho comentado daquilo que ainda consigo ler. É o resultado de um ritmo de vida diferente do que tinha algum tempo atrás, e que se mistura com uma falta de inspiração que se foi instalando com o cansaço.
Confesso que tenho alguns textos iniciados, mas ainda não gosto da forma que têm. Por isso vão ficando arrumados à espera de melhores dias (ou talvez seja mais correcto dizer: melhores noites).

Entre o Porto e Matosinhos

Hoje opto pelo mais fácil: uma fotografia de um destes últimos dias. O anunciado frio polar chegou mais ameno e calmo do que se temia, com temperaturas bem longe daquilo que se esperava. Estamos no Inverno e no entanto a chuva teima em não aparecer enquanto que o mar se vai mantendo surpreendentemente calmo. Um cenário atípico para esta altura do ano, onde a deveríamos ver a chuva cair normalmente e o mar agitado. Restam as temperaturas mais frias mas longe daquilo que o rigor da época faz imaginar.

Até parece que o clima anda meio apático, um pouco à semelhança deste blog ou deste nosso país que parece estar em banho-maria à espera que no dia das eleições algo de extraordinário possa acontecer que nos tire desta estagnação.

Sinceramente, cada vez acredito menos que algo vá mudar com as eleições, venha quem vier.
Se calhar o que nos está a faltar são umas tempestades a sério para reanimar a malta!


 

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Momentos

Por vezes dizemos que andamos em busca do nosso momento. É um estado de alma em que procuramos um instante de vida, onde esperamos sincronizar os nossos sonhos com a realidade, os nossos desejos com a experiência vivida e as nossas expectativas com o que aprendemos na vida.

Encontrar esse momento ideal não é tarefa fácil, talvez nem sequer exista realmente, por isso teremos de saber viver da melhor forma possível em cada um destes outros momentos menos perfeitos. Aliás, a vida é constituída por uma sucessão de momentos, alguns em que parece estarmos a alcançar esse tal sincronismo, enquanto que em outros tudo nos parece sair totalmente fora da sintonia idealizada.

Curioso é verificar que nem sempre a perfeição e a harmonia total nos seduzem mais do que o caos que nos desafia. E quantas vezes parece gostarmos de complicar o que aparentemente poderia ser muito mais simples?
A razão disso talvez seja porque nos parece muito mais interessante viver em constante desafio!

 

quarta-feira, janeiro 12, 2005

Esquecimento

Quem viveu de perto os efeitos do terramoto e do maremoto no Índico dificilmente poderá deixar de se lembrar daqueles tristes acontecimentos. No entanto, os que não sofreram directamente com a destruição e a morte vão esquecer aos poucos tudo o que aconteceu.

Aconteceu assim no passado, tanto em catástrofes naturais com em outros acidentes graves, por isso agora não será muito diferente do que já antes foi a forma de viver a tragédia alheia. No momento em que ocorrem, as pessoas vivem intensamente o sucedido e tentam ajudar na medida das suas possibilidades. Promessas e intenções de uma ajuda prolongada acabam por surgir rapidamente, mas com o passar do tempo, a memória esbate-se para quem não sofreu perdas.

Basta que deixe de ser notícias nas televisões para que o afastamento das pessoas comece a tomar lugar, depois aos poucos o esquecimento acaba por vencer toda a boa vontade das pessoas em ajudar. Não é por isso estranho que as organizações humanitárias se queixem tantas vezes de não receberem as ajudas prometidas. Os países são liderados por pessoas que também elas se vão esquecendo daquilo que não é a sua vida quotidiana e que não dá votos em eleições.
No entanto quem foi realmente atingido, viverá com a memória do que aconteceu, porque não é fácil esquecer aquilo que nos toca no nosso íntimo.

Tal como em outros aspectos da nossa vida, a capacidade de esquecer está associada de perto com a influência que o sucedido teve na nossa vida pessoal. Pode ser um acidente, uma perda, uma traição, uma derrota, uma morte ou outro acontecimento negativo em que tenhamos estado envolvidos directamente. Aceitamos, perdoamos, podemos até ficar conformados, mas esquecer é sempre muito mais complicado de fazer.
Também as vitórias, as conquistas, aqueles momentos eternos e tudo o que de muito bom nos acontece na vida será algo que ficará gravado na nossa memória. Por isso dificilmente esquecemos os momentos de felicidade que ao longo da vida vamos vivendo.
Tudo o resto, tem o seu tempo de permanência connosco, mas depois tenderá a ser esquecido na medida da sua irrelevância para o nosso dia-a-dia.

No próximo sismo ou tsunami vamos acordar de novo e perceber como já nos tínhamos esquecido do que aconteceu agora.
Se realmente queremos ajudar, há que agir rapidamente enquanto o esquecimento não chega!

 

sábado, janeiro 08, 2005

A Força da Natureza

Quase quinze dias depois da tragédia, continuamos a ficar chocados com os números e as imagens do terramoto e do maremoto ocorridos no Índico. A Natureza mostrou de novo a sua enorme força arrasando terra, mar, vidas e história.

Tsunami é agora uma palavra conhecida e pronunciada um pouco por todo o lado, entrou no vocabulário corrente relembrando a fragilidade que temos face a catástrofes deste tipo. A água que tanta importância tem para a nossa vida e o mar que tantas vezes nos inspira calma e confiança, mostraram repentinamente a sua força incontrolável.

A quantidade de vidas humanas destruídas não deixa dúvidas sobre a nossa pequenez face às forças da Natureza. As valas comuns, os corpos amontoados nos destroços, os feridos a sofrer, os órfãos com o seu olhar triste, as famílias destroçadas, os desalojados de ânimo perdido e todas as outras imagens que nos chegam mostram bem como de um momento para o outro a vida pode mudar completamente.

Impressionante é verificar que para além da destruição, a própria geografia da zona sofreu mutações. Por exemplo, a Ilha de Sumatra moveu-se cerca de 20 metros para sudoeste para além de toda a deformação da superfície terrestre que ainda não foi confirmada. Aliás as rotas de navegação naquela zona provavelmente terão de ser alteradas devido às mudanças ocorridas no fundo do mar.

Toda a ajuda vai ser pouca para as pessoas que perderam tanto. Por isso aqui ficam algumas das instituições que em Portugal recebem a nossa ajuda: a Unicef, a Cruz Vermelha e a Cáritas Portuguesa.

É incrível a devastação que a Natureza pode causar e assusta pensar que a qualquer momento podemos também nós estar sujeitos a uma catástrofe deste tipo.

 

sábado, janeiro 01, 2005

Dois Mil e Cinco

Quando era miúdo pensava que o ano 2000 ainda estava longe, um número redondo e que deixava muita liberdade à imaginação. Como seria viver num novo milénio? A série Espaço 1999 mostrava na televisão como era grande a distância temporal.
As lendas e os receios daquilo que poderia acontecer acabaram por falhar, outras desgraças foram surgindo, mas não o fim do mundo por muitos temido.

O tempo às vezes parece voar, e hoje acordamos em 2005, a meio da primeira década deste novo milénio. Hoje vejo como a criança que era na década de 70 está distante daquilo em que me tornei. O mundo à minha volta mudou completamente e acabei por seguir caminhos que era incapaz de imaginar naquela altura. Até mesmo o sonho secreto de ser astronauta, como os personagens da série de televisão, foi esquecido.

Neste primeiro dia de 2005, e por muito que evite fazer balanços e desejos, não posso deixar de rever o que me aconteceu no ano que terminou. Vivi, sonhei, aprendi, cresci, errei, arrisquei, recuei, sorri, perdi, ganhei, conheci, reconheci, descobri, redescobri, etc... e por tudo o que aconteceu tornei-me no que sou neste momento. Quero acreditar que nestes 365 dias vou poder repetir as coisas boas, enquanto tentarei evitar os erros cometidos, sabendo de antemão que não o vou conseguir sempre.

Quanto a mudanças, não acredito que possam surgir do nada entre as passas e as badaladas. Elas vão ocorrer naturalmente no dia a dia, muitas vezes como surpresa, sem data marcada e sem aviso. Aliás, a única certeza que temos na vida é que as surpresas vão acontecer sempre.
Mudou o ano, mas pensando bem, passou apenas mais um dia!

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