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quarta-feira, janeiro 12, 2005

Esquecimento

Quem viveu de perto os efeitos do terramoto e do maremoto no Índico dificilmente poderá deixar de se lembrar daqueles tristes acontecimentos. No entanto, os que não sofreram directamente com a destruição e a morte vão esquecer aos poucos tudo o que aconteceu.

Aconteceu assim no passado, tanto em catástrofes naturais com em outros acidentes graves, por isso agora não será muito diferente do que já antes foi a forma de viver a tragédia alheia. No momento em que ocorrem, as pessoas vivem intensamente o sucedido e tentam ajudar na medida das suas possibilidades. Promessas e intenções de uma ajuda prolongada acabam por surgir rapidamente, mas com o passar do tempo, a memória esbate-se para quem não sofreu perdas.

Basta que deixe de ser notícias nas televisões para que o afastamento das pessoas comece a tomar lugar, depois aos poucos o esquecimento acaba por vencer toda a boa vontade das pessoas em ajudar. Não é por isso estranho que as organizações humanitárias se queixem tantas vezes de não receberem as ajudas prometidas. Os países são liderados por pessoas que também elas se vão esquecendo daquilo que não é a sua vida quotidiana e que não dá votos em eleições.
No entanto quem foi realmente atingido, viverá com a memória do que aconteceu, porque não é fácil esquecer aquilo que nos toca no nosso íntimo.

Tal como em outros aspectos da nossa vida, a capacidade de esquecer está associada de perto com a influência que o sucedido teve na nossa vida pessoal. Pode ser um acidente, uma perda, uma traição, uma derrota, uma morte ou outro acontecimento negativo em que tenhamos estado envolvidos directamente. Aceitamos, perdoamos, podemos até ficar conformados, mas esquecer é sempre muito mais complicado de fazer.
Também as vitórias, as conquistas, aqueles momentos eternos e tudo o que de muito bom nos acontece na vida será algo que ficará gravado na nossa memória. Por isso dificilmente esquecemos os momentos de felicidade que ao longo da vida vamos vivendo.
Tudo o resto, tem o seu tempo de permanência connosco, mas depois tenderá a ser esquecido na medida da sua irrelevância para o nosso dia-a-dia.

No próximo sismo ou tsunami vamos acordar de novo e perceber como já nos tínhamos esquecido do que aconteceu agora.
Se realmente queremos ajudar, há que agir rapidamente enquanto o esquecimento não chega!

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