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domingo, março 20, 2005

Doutores

João Duque, professor catedrático do ISEG, escreve no Expresso desta semana sobre uma pequena revolução que pode acontecer em Portugal. A propósito da introdução do novo modelo de ensino superior, resultantes da declaração de Bolonha, prevê-se uma mudança também dos títulos académicos associados a cada um desses graus:

“(...)
Uma revolução de costumes está a iniciar-se nos gabinetes das universidades e nos corredores ministeriais. Se Portugal adoptar, como tudo indica que sim, o modelo de estruturação do ensino superior repartido em 3 ciclos de formação em que o primeiro é formado por três anos, o segundo por dois e um terceiro por outros três, teremos então adoptado o modelo britânico que é também o da generalidade dos países europeus. Isso implicará, igualmente, novas designações para os graduados em cada nível: ao primeiro ciclo corresponderá o bacharelato (que os britânicos designam de «bachelor»), ao segundo ciclo corresponderá o mestrado («master»), e ao terceiro corresponderá o doutoramento («doctor»). É minha opinião que, se vamos importar o modelo, devemos importar o «package» completo, incluindo as três designações : bacharel, mestre e doutor.
(...)”

O título de “doutor” e a sua abreviatura “dr.”, que são utilizados abundantemente pelos licenciados deste país, poderão ter os seus dias contados. E como imagino que a maioria não gostará muito da ideia de usar o título “bacharel”, talvez seja uma excelente oportunidade para que no nosso país se coloque de parte a utilização dos títulos académicos como forma de vaidade pessoal. É que a sua utilização no nosso país vai muito além dos meios académicos ou profissionais: utilizam-se os títulos na vida pessoal das pessoas de tal forma que algumas pessoas são simplesmente o “senhor doutor”. As pessoas perdem o seu nome e ficam apenas com o título o que realmente não faz qualquer sentido.

A mudança no ensino superior não vai ser pacífica, tanto para aqueles que hoje o frequentam como para os que já por lá passaram e agora estão na expectativa de ver o que realmente significa o diploma que têm. Por exemplo, os actuais licenciados vão ser bacharéis enquanto que os novos mestres vão ter um percurso mais simples do que aquele que é exigido aos actuais mestres. Por tudo isto, e muitas outras questões ainda em aberto, vamos assistir a muita discussão em torno desta mudança.

Espero que pelo menos isto ajude a que os títulos académicos deixem de ser usados indiscriminadamente em Portugal.
 

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