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quarta-feira, março 30, 2005

Sentimentos à Distância

As vozes que escutamos ao telefone revelam muito mais do que aquilo que as palavras nos dizem. O som que nos chega do outro lado da linha (como é comum dizer-se apesar de, quando é o caso, os telefones móveis não terem fios) acaba por ser muitas vezes alvo da nossa análise, seja ela consciente ou não.

Quem nunca ouviu uma voz acabada de acordar e ainda sonolenta, uma voz reveladora de preocupação, de tristeza, de nervosismo, de ameaça, de inquisição, de alegria, de irritação, de timidez ou de um qualquer outro estado de espírito que nos desperta interesse e curiosidade?

Quando conhecemos a pessoa em causa, é normal fazermos a comparação com outros registos que conhecemos. Daí inferirmos muitas vezes qual o seu estado de espírito ou a sua atenção à conversa que estamos a ter. E, se pressentimos algo que nos incomoda, como uma tristeza na entoação das palavras, somos tentados a perguntar: “O que se passa?”.

A tecnologia, além de nos permitir conversar à distância, também é um veículo destes sinais reveladores de sentimentos e da disposição mental dos nossos interlocutores. E se conhecemos bem quem está do outro lado, então tudo fica muito mais a descoberto.
Para além disso, também nós ficamos expostos a quem nos escuta com atenção.
 

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