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sexta-feira, abril 29, 2005

Tudo é Relativo

Nada como um problema bastante grave para que os outros percam parte da sua força e relevância. Qualquer situação adversa pode ver atenuada a sua intensidade negativa com a chegada de alguma coisa mais complicada de ser resolvida.

A intensidade dos problemas é relativa, depende do referencial pelo qual nos regemos para avaliar o mundo que nos rodeia. Quando a nossa maior preocupação (e na qual focamos a nossa atenção) é de uma gravidade severa, então temos dificuldade em encontrar a concentração para as outras dificuldade existentes, que entretanto perderam a sua importância, por muito simples que possam ser as suas soluções.

Quando somos confrontados com um caso de difícil resolução, pensamos frequentemente que “pior é difícil” ou que “pior é impossível”. No entanto, muitas vezes conseguimos ser surpreendidos por novas contrariedades de maior calibre que desmentem essa expressão acabada de pronunciar.

Tudo é relativo, até a dimensão daquilo que nos importuna.
Por isso, há que tentar conservar alguma serenidade face aos problemas que vamos defrontando.
 

 

terça-feira, abril 26, 2005

Liberdade das Palavras

A leitura de um texto é uma interpretação pessoal das palavras escritas. Há casos em que é importante limitar a imaginação do leitor (conduzindo-o a uma versão universal), é o caso por exemplo dos textos informativos, científicos ou legislativos.
Só que em tantas outras ocasiões essa necessidade não existe, e mais do que isso, é por vezes importante estimular a capacidade de fantasiar de quem está a ler. Assim é quando por exemplo lemos um romance, uma crónica ou certos blogs. Isso permite que as palavras escritas ganhem uma nova vida e se libertem do texto estático onde foram colocadas.

Nem sempre aquilo que o autor escreveu é coincidente com o que é apreendido por cada pessoa que se cruza com o texto. Há quem seja capaz de ler nas entrelinhas e descobrir alguma coisa que as palavras não parecem querer desvendar, enquanto que outras pessoas imaginam ideias que nunca existiram na génese do que foi escrito. A forma como o texto é lido pode assim suscitar sentimentos não esperados por quem o escreveu e em alguns casos corre-se o risco de surgirem mal entendidos.

Às vezes descobrimos que um texto poderia ter sido escrito por nós ou para nós, isso tem a ver com a nossa interpretação desse texto que é moldada pela nossa imaginação. Reforçamos aquilo que mais nos toca, desvalorizamos o que não nos parece importante e adicionamos nas entrelinhas o que nos apetece ler.
Por isso não devemos estranhar que um mesmo texto, lido em alturas distintas da nossa vida, possa ser interpretado de modo muito diferente. A forma como o vamos sentir estará de acordo com o nosso estado de espírito, os nossos sonhos e a nossa experiência de vida. Às vezes, eu próprio vou reler os meus textos antigos, para fazer reviver as palavras, reinventando-as na minha mente.

Gosto desta liberdade que as palavras podem tomar por aqui, talvez seja esta umas das razões para que este blog continue a existir.
 

 

segunda-feira, abril 25, 2005

25 de Abril

O verdadeiro significado do 25 de Abril em Portugal provavelmente só pode ser compreendido para quem viveu o dia 24 de Abril de 1974. Sem essa experência é complicado ter o conhecimento do que era vida antes e depois da Revolução dos Cravos.

A minha memória consegue recuar até antes dessa data, mas devido à minha tenra idade, sem a verdadeira noção das limitações de liberdade que existiam. As imagens anteriores ao 25 de Abril, são muito mais pessoais do que da vida em comunidade.
Dos dias de revolução, tenho várias recordações: a agitação, os militares na rua com as viaturas de combate, os cravos um pouco por todo o lado e a grande expectativa das pessoas. Lembro-me dos tempos de crescimento da democracia com manifestações, comícios, pinturas murais, greves, agitação social, empresas obrigadas a encerrar, a chegada dos “retornados” vindos de África e as histórias de guerra dos ex-combatentes entre muitas outras imagens que foram ficando.

Muita coisa mudou durante os 31 anos que hoje comemoramos. No entanto, tenho a noção que ficou imenso por realizar e que muitas oportunidades foram desperdiçadas. É simples fazer queixas sobre os governos, sobre o Estado, sobre as autarquias, sobre quem tem o poder, mas também não podemos deixar de assumir uma parte da culpa de tudo aquilo que não foi construído ou que de errado aconteceu. É que muitos de nós (e também me incluo) optamos frequentemente pela posição de cómoda de criticar sem intervir realmente na vida das nossas comunidades ou do nosso país.

Presentemente, acho que precisamos de uma nova revolução. Uma mudança de mentalidades em que o empreendedorismo e o espírito de participação na construção da comunidade sejam assimilados por uma maioria. Talvez assim seja possível continuar a sonhar com a (r)evolução de Portugal.
Há que saber construir o presente, olhando o futuro sem ficarmos presos no passado.
 

 

sexta-feira, abril 22, 2005

Do Desafio à Luta

Por vezes decidimos seguir por um caminho sinuoso, com imensos obstáculos e cheio de perigos, que constitui um desafio por nós aceite. No entanto, quando apenas nos resta esse percurso arriscado e não há alternativas, porque não podemos fazer meia volta ou ficar no mesmo sítio, então deixamos de lidar com um simples desafio para passarmos a ter pela frente uma luta.

Nesses casos é necessária muita perseverança e confiança para vencermos a resistência e as contrariedades que nos são impostas. E até nos momentos em que o abismo se acerca mais perto de nós, estamos proibidos de desistir apesar da consciência do perigo que existe.

Na falta de alternativas a luta toma o lugar do desafio enquanto que a confiança e esperança têm de substituir a estratégia. Os acontecimentos tornam-se mais definitivos e decisivos, enquanto que as emoções se revelam mais extremas e intensas.
 

 

quinta-feira, abril 21, 2005

Resultados

O concurso organizado por Cilene Bonfim terminou hoje. Além da própria, o júri da final contou também com os votos de Mónica Novaes e de João Prata.


O selo de qualidade foi assim atribuído aos blogs presentes nesta final onde também o meu blog participou:

Gerolino Incorporation
Coisas de Laurinha
Amor Proibido
Casa do Chico
Blue Woman
Poemus - Meu Maravilhoso Mundo Encantado
Filosofia do Nada
Blog da Onça
Bastilha Team Skateboard
Covil do Dragão
Pensamentos da Alma
Cruzes 2 - Razão e Sensibilidade
Jackie

Aqui fica o meu agradecimento pela presença no concurso e pela oportunidade de conhecer outros blogs interessantes.

Acabei por representar Portugal num concurso brasileiro. A classificação final foi melhor do que eu esperava: um honroso terceiro lugar.
Obrigado!
 

 

terça-feira, abril 19, 2005

Tempestades

Os provérbios nem sempre se encaixam totalmente às situações. Eles são apenas frases feitas que vamos escolhendo e utilizando à medida que sentimos que podem ser aplicados.

Por exemplo, é costume dizer-se que “quem semeia ventos, colhe tempestades”, em relação às consequências dos nossos actos. No entanto sabemos que as tempestades levam tudo à frente e não escolhem as suas vítimas. Por isso muitos dos que sofrem com as tempestades não têm absolutamente relação nenhuma com quem semeou os ventos. E também há quem semeie os ventos e depois fuja do “local do crime” antes que a tempestade chegue.

Se calhar é por isso que sentimos que os maus acontecimentos na nossa vida chegam quase sempre de surpresa, enquanto pensamos “que mal fizemos nós” para merecer tal tempestade. Outras vez ficamos admirados com a existência de pessoas que parecem ser imunes aos ventos que vão semeando e que conseguem ir escapando à merecida sentença da tempestade.

Convém é acreditar que “depois da tempestade vem a bonança”, e os momentos menos bons são apenas passageiros.
 

 

segunda-feira, abril 18, 2005

Afectos

Hoje cruzei-me com estas duas frases no Amorizade:

“(...)
Bem-vindos ao tempo dos afectos descartáveis.
Para quando a era da reciclagem?”

Os afectos de hoje são em tudo idênticos aos que eram vividos antes deste “tempo”, a diferença nem sequer se coloca na facilidade com que se desvanecem ou na sua inconsistência. O que realmente é distinto actualmente é o nosso inconformismo com o estagnar dos afectos e a impaciência geral que temos como resultado de um mundo cada vez mais competitivo e dinâmico.

No entanto, quando chega a hora de viver uma mudança nos afectos, quando estes se transformam e mudam de figura, ainda temos tantas vezes a tentação de recorrer ao comportamento anterior (“dos outros tempos”) em que nos sentimos bloqueados face a essas mudanças. É vulgar duvidarmos da forma como os afectos mudam e se o momento que estamos a viver é o mais acertado ou não. Encontrar o tempo certo é tarefa árdua (se calhar nem existe um momento ideal) e acabamos frequentemente por chegar tarde demais.

Os afectos estão constantemente a ser reciclados e vão tomando a forma daquilo que fazemos com eles. Por vezes reforçam a união, outras vezes trazem consigo a serenidade mas também há ocasiões em que enfraquecem e ensombram o ambiente em torno deles. Nem sempre se tornam naquilo que desejamos, por isso também nós temos de reciclar a forma como os vivemos. Talvez assim nos seja possível entender melhor onde nos levam os afectos que vivemos.

Há que conseguir reciclar os afectos e a forma como os encaramos em cada instante, só assim será possível chegarmos a tempo para os viver.
 

 

domingo, abril 17, 2005

Ritmo Intenso

Viver o nosso trabalho intensamente de tal modo que o tempo parece que foge entre os nossos dedos acaba por nos deixar completamente exaustos. Não é nada simples de aguentar o ritmo quando as tarefas surgem constantemente, os horários começam a ficar trocados, reuniões consecutivas ou mesmo simultâneas e passamos a maior parte do tempo a resolver casos urgentes.
No entanto, se gostamos do que estamos a fazer, se o trabalho que temos pela frente é um desafio motivador e se retiramos um prazer especial das nossas pequena vitórias diárias sobre os contratempos, então decerto que nos custa muito menos aguentar o ritmo intenso.

Nos últimos tempos tenho experimentado (de novo) esse tipo de intensidade, de tal modo que muitas vezes me falta tempo para outros pequenos prazeres pessoais (tal como escrever aqui). No entanto, também me ajuda a esquecer as coisas menos boas que acabam por surgir aqui e ali. Ficam apenas os acontecimentos muito maus para ensombrar a vida diária, mas desses nunca nos conseguimos escapar por muito que tentemos nos refugiar no trabalho.

Amanhã começa mais uma semana, não menos intensa e complicada do que as anteriores, mas espero que traga também algumas alegrias e bons momentos, pois são uma excelente ajuda para aguentar o ritmo e para reforçar a confiança necessária para ultrapassar os obstáculos que vão aparecendo. Esses momentos são também a recompensa de não desistir!

E pensando bem, é preferível que o ritmo seja intenso e complicado em vez de ser monótono e desinteressante.
 

 

sexta-feira, abril 15, 2005

Impotência

Existem momentos na vida em que temos a noção que os nossos actos deixam de ter influência sobre o desenrolar dos acontecimentos, e quando assim acontece ficamos com uma estranha sensação que nos entristece e deixa confusos. Por isso esse sentimento de impotência é dos mais cruéis que pode haver.

Ficarmos à espera de ver o que naturalmente acontece a seguir ou dependentes do resultado da acção ou opção de outras pessoas, leva-nos a um estado de expectativa que é complicado de gerir. As dúvidas assaltam-nos constantemente porque o optimismo é contraproducente devido à ilusão que nos pode criar enquanto que o pessimismo nos empurra para uma tristeza profunda ou para estados de depressão.

No entanto, é inevitável que este sentimento de incapacidade apareça na nossa vida de tempos a tempos, apesar de nunca estarmos verdadeiramente preparados para lidar com ele. Há que encontrar a melhor forma de sobreviver aos seus efeitos: respeitando essa impotência e combatendo-a na medida das nossas forças. Só assim poderemos reconstruir a confiança, a esperança e o pragmatismo que nos pode ajudar a resistir nesses momentos menos bons, apesar de toda a dor e perplexidade que nos ataca.
 

 

quinta-feira, abril 14, 2005

Concurso

Estou a votos em Carmen Cilene: histórias pra contar do mundo.
Aqui fica o meu agradecimento pela referência e já agora proponho que passem lá para ler as histórias que se contam!
 

 

domingo, abril 10, 2005

Até Já, Celtas!

Xarabanda, Festival Intercéltico Porto 2005

Este último dia do Intercéltico começou sons da música tradicional vindos da Madeira com os Xarabanda, provando que este festival vai mais além do que a música celta e nos pode revelar também outras raízes musicais, em especial as portuguesas. Metade das bandas deste festival eram nacionais, o que prova que o festival é também um meio de divulgação da nossa cultura.

Danú, Festival Intercéltico Porto 2005

Depois os celtas regressaram em força e energia.
Os Danú, uma banda irlandesa que recebeu em 2004 um dos BBC Folk Awards, vieram para conquistar o público deste nosso festival. Uma banda muito jovem que coloca em palco toda a magia musical que acompanham de uma enorme alegria e comunicação com o público. E assim, não é de estranhar que tenham conseguido levantar todo o público por várias vezes.

A festa celta encerrou ontem com muita alegria e música. Aqui deixo os meus parabéns à organização enquanto espero que os deuses (e não só) celtas regressem rapidamente para nos encantarem novamente.
Até já!
 

 

sábado, abril 09, 2005

A Magia Musical dos Celtas

Galandum Galundaina, Festival Intercéltico Porto 2005

A segunda noite do Intercéltico começou em mirandês com os Galandum Galundaina, um grupo que se dedica à recolha, investigação e divulgação do património musical das Terras de Miranda. As danças típicas e a língua mirandesa não ficaram de fora, nem sequer o castelhano Paco Díez e o gaiteiro escocês Malcom McMillan que surpreendeu o público entrando na sala a tocar e atravessando a toda a plateia.

North Cregg, Festival Intercéltico Porto 2005

Os sons e ritmos irlandeses chegaram logo a seguir, com os animados North Cregg, que desde início quiseram criar uma grande empatia com público do Rivoli. Acompanhados por vezes da frescura da voz de Fiona Kelleher, outras vezes apenas com os 4 músicos da banda, encheram a sala com a magia da música celta. E ninguém indiferente a tanta energia que emanava do palco.

E hoje os celtas despedem-se do Porto, mas com regresso esperado para breve!
 

 

sexta-feira, abril 08, 2005

Deuses Celtas no Porto

Quadrilha, Festival Intercéltico Porto 2005

Os deuses celtas chegaram ontem ao Porto, durante a primeira noite do Intercéltico nesta cidade. Os Quadrilha aqueceram o ambiente do Rivoli com os seus sons resultantes da fusão entre a sonoridade tradicional portuguesa e os sons celtas, fazendo viajar o público entre as baladas mais serenas e a festa intensa e animada.

Susana Seivane, Festival Intercéltico Porto 2005

Depois veio a magia e o encanto de Susane Seivane, uma gaiteira galega acompanhada de um grupo de músicos soberbos. Desde início mostrou que queria animar o público, não deixando ninguém indiferente ao som, à animação e a todo o espectáculo gerado no palco. O som contagiante das últimas músicas (no encore) ecoou pelo Rivoli com o público em pé a dançar e a acompanhar o ritmo com as suas palmas.

Hoje e amanhã, há mais Intercéltico no Rivoli.
 

 

terça-feira, abril 05, 2005

Faz Hoje...

Às vezes temos a mania que os aniversários dos acontecimentos importantes na nossa vida devem ser lembrados e vividos de forma especial. É provavelmente uma secreta esperança que temos de as surpresas se repetirem no tal dia que nos ficou marcado na memória.

Só que estes momentos especiais e únicos, em que algo muda na nossa vida, são completamente aleatórios. Surgem de surpresa e quase sempre sem aviso prévio, para nos apanhar desprevenidos. E se pensarmos bem no assunto, isto até dá jeito como forma de justificarmos as nossas reacções: dizemos que não estávamos preparados para aquilo que nos aconteceu!

Se calhar esta é também uma razão para querermos que algo especial aconteça no dia em que recordamos um destes acontecimentos: desta vez queremos estar preparados. No entanto se alguma coisa acontecer nesse dia, muito provavelmente vai ser diferente do imaginado.

A vida é assim: gosta de nos trocar as voltas!
É imprevisível e mostra-se perante nós como um enorme desafio renovado a cada dia que passa. Aliás, o que hoje parece mau, amanhã talvez seja entendido como tendo sido bom na nossa vida, daí que seja tão aliciante viver, apesar das surpresas menos boas que nos acontecem de vez em quando.
 

 

domingo, abril 03, 2005

Algumas Notícias

Hoje escrevo sobre algumas notícias deste mundo dos blogs (e não só) que me apetece registar aqui:

Parece que estão de regresso as Cumplicidades. Será que desta vez vão continuar muito tempo? Não sei! Eu costumo dizer que cada um tem o seu ritmo e deve estar por aqui da forma que melhor se sentir, a escrever, a mostrar fotografias, a comentar, em silêncio ou até mesmo desaparecendo.

A Bomba Inteligente está de parabéns: dois anos a escrever e comemora-os com um artigo que nos fala do tempo em que os blogs em Portugal eram muito menos conhecidos. Vale a pena conhecer esta “bomba”!

Já me habituei a deliciar-me com a poesia e as imagens que encontro no Sabor a Sal, mas hoje encontrei aquilo a que me apetece chamar uma mensagem em forma de poesia fotográfica. Gostei muito!

No mundo real, não posso deixar de ficar contente com a tão desejada vitória dos azuis e brancos no Estádio do Dragão. Custou, mas finalmente aconteceu. E como desta vez não segui o jogo pela televisão, fico na dúvida se devo continuar a ver jogos de futebol na televisão. Ou terá sido porque o jogo foi realizado de tarde, ainda com o Sol a banhar o estádio?

Por fim, não quero deixar de relembrar a morte de Karol Józef Wojtyla, mais conhecido como Papa João Paulo II. Independentemente da fé (ou falta dela) de cada um, é reconhecido que era uma pessoa especial e que ficará para a história como uma das figuras mais influentes na cena mundial nestes últimos 26 anos e meio.
Era visto por muita gente como um grande reformador enquanto outros diziam ser um conservador, de facto deixou a sua marca no mundo actual. Sabemos bem que é impossível agradar a todos, por isso nem todos têm a mesma opinião sobre ele.

A propósito dele, gostei de ler Júlio Machado Vaz que escreveu assim:

“O velho senhor de branco recusou voltar ao hospital e morre em casa, olhos e inteligência bem abertos. Esqueço por momentos o Papa, cujas decisões aplaudi sem preconceitos e condenei sem caridade, seguindo os falíveis ditames da minha consciência. Fica o homem. E esse mostrou coragem exemplar face ao aguilhão do tempo e das doenças. (...)”

Pena é que tenha existido uma enorme exploração e falta de respeito dos media face ao que acontecia, durante estes dias. É que infelizmente tudo o que tenha a ver com tragédias e mortes acaba por ser tornar um produto muito apetecido na guerra da informação.
 

 

sexta-feira, abril 01, 2005

Dia dos Enganos

Escrever no dia de hoje é arriscado. Há sempre o risco de as palavras serem entendidas como uma mentira, neste que é o Dia dos Enganos.

Mentirinhas inocentes e boatos são comuns no dia 1 de Abril. No entanto, deve ter-se a consciência que isso deve ser uma simples brincadeira e convém que as pessoas entretanto fiquem a conhecer a verdade e possam rir com a brincadeira.

Isso faz-me lembrar a tradicional história de Pedro e o Lobo, que nos fala de um rapazinho que gostava de brincar enganando o povo da sua aldeia, dizendo que estava um lobo a chegar para atacar os rebanhos e a aldeia. Cansados de ser enganados por Pedro, decidiram não acreditar mais no rapaz. E no dia em que ele voltou a gritar: “Vem aí lobo! Acudam, que vem aí lobo!”; já ninguém acreditou, só que desta vez o lobo vinha mesmo e atacou o rapaz.
Esta é uma história que nos mostra que a mentira pode virar-se contra quem insiste nela e a repete, porque desacredita tudo o que essa pessoa diz perante os outros. De tanto se dizer e insistir numa ideia, as pessoas podem cansar-se por se sentirem enganadas consecutivamente e deixam então de acreditar naquilo que é dito, mesmo que seja verdade.

Contudo, quando uma pessoa é acusada repetidamente de fazer algo que não é verdade, também ela se pode cansar disso. Se assim for, um dia pode decidir fazer exactamente aquilo de que é acusada. Talvez por se convencer que pode ser interessante fazer aquilo de que a acusam ou então porque simplesmente não quer continuar a ter a fama sem o proveito.
Esta é uma variante da história tradicional, que leva tantas pessoas por caminhos que não escolheram previamente, mas que de tanto lhes ser indicado (às vezes em forma de crítica) acabam por segui-los, cansadas de serem associadas a essa escolha.

Contudo hoje em dia a maior parte das mentiras contadas são mesmo brincadeiras inocentes e quase todas elas nos fazem sorrir. Mesmo quando simplesmente duvidamos de algo que estamos ouvir, na tentativa de descobrir se estamos a ser alvo de uma destas brincadeiras.

Será que alguém vai levar a sério o que escrevi hoje?
 

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