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terça-feira, abril 26, 2005

Liberdade das Palavras

A leitura de um texto é uma interpretação pessoal das palavras escritas. Há casos em que é importante limitar a imaginação do leitor (conduzindo-o a uma versão universal), é o caso por exemplo dos textos informativos, científicos ou legislativos.
Só que em tantas outras ocasiões essa necessidade não existe, e mais do que isso, é por vezes importante estimular a capacidade de fantasiar de quem está a ler. Assim é quando por exemplo lemos um romance, uma crónica ou certos blogs. Isso permite que as palavras escritas ganhem uma nova vida e se libertem do texto estático onde foram colocadas.

Nem sempre aquilo que o autor escreveu é coincidente com o que é apreendido por cada pessoa que se cruza com o texto. Há quem seja capaz de ler nas entrelinhas e descobrir alguma coisa que as palavras não parecem querer desvendar, enquanto que outras pessoas imaginam ideias que nunca existiram na génese do que foi escrito. A forma como o texto é lido pode assim suscitar sentimentos não esperados por quem o escreveu e em alguns casos corre-se o risco de surgirem mal entendidos.

Às vezes descobrimos que um texto poderia ter sido escrito por nós ou para nós, isso tem a ver com a nossa interpretação desse texto que é moldada pela nossa imaginação. Reforçamos aquilo que mais nos toca, desvalorizamos o que não nos parece importante e adicionamos nas entrelinhas o que nos apetece ler.
Por isso não devemos estranhar que um mesmo texto, lido em alturas distintas da nossa vida, possa ser interpretado de modo muito diferente. A forma como o vamos sentir estará de acordo com o nosso estado de espírito, os nossos sonhos e a nossa experiência de vida. Às vezes, eu próprio vou reler os meus textos antigos, para fazer reviver as palavras, reinventando-as na minha mente.

Gosto desta liberdade que as palavras podem tomar por aqui, talvez seja esta umas das razões para que este blog continue a existir.
 

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