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sexta-feira, junho 24, 2005

Prazer

Apanhados na Natureza

Há momentos em que não pensamos, apenas nos deixamos levar pelos nossos cinco sentidos enquanto experimentamos cada surpresa com que somos brindados. Esquecemos a razão e somos levados pela natureza, enquanto nos sentimos bem com isso. É que por vezes temos de seguir os nossos instintos, tal e qual os animais, tornando-nos também um pouco selvagens e indomáveis.

É obvio, que voltaremos à razão, mas ficaremos com a sensação de termos saboreado a vida na sua plenitude. A razão é importante, ajuda a consolidar o que a vida nos dá nessas experiências, mas não explica tudo. Há coisas que têm mesmo de ser vividas e sentidas pelo corpo, e não se explicam racionalmente.

Ás vezes, até um pequeno prazer como deixar um trabalho para mais tarde e aproveitar o tempo para um pouco do nosso ócio, se torna irracionalmente delicioso. A fotografia acima foi o resultado de um ligeiro desvio numa viagem de trabalho, uns minutos roubados a essa viagem, para captar algumas imagens e que me deram imenso prazer.
 

 

sexta-feira, junho 17, 2005

Depois da Curva

Curva de Passeio

Para onde caminham as nossas vidas? Às vezes parece que andamos em círculos, porque os ciclos se vão sucedendo e parece que estamos a reviver momentos passados. No entanto, o caminho não é exactamente igual porque durante esse reviver temos oportunidade de conhecer novas sensações.

Num percurso que fazemos em viagem (e que repetimos com frequência) a paisagem que nos envolve também vai mudando ao longo do tempo. Por isso, apesar da nossa sensação de estar a passar pelos mesmos locais, acabamos por descobrir aqui e ali coisas novas e distintas.

O clima em cada uma das repetições da nossa viagem também muda. Podemos fazê-la com sol, com chuva, com nebulosidade, com nevoeiro, com neve ou outra combinação possível. No reviver das nossas experiências de vida também o ambiente existente muda com o passar do tempo. Basta pensar que umas vezes estamos felizes e outras estamos tristes, podemos andar melancólicos ou animados, confiantes ou apreensivos, etc.

As marcas do calendário também nos fazem pensar nesta ideia de ciclos, por isso é normal ficarmos com essa sensação de repetição dos acontecimentos. Não podemos é deixar de acreditar que o resultado pode ser diferente, já que a paisagem e o ambiente em torno de nós não será certamente idêntico ao que existiu anteriormente.

Essa incerteza no percurso é ao mesmo tempo a origem do nosso entusiasmo em viver e dos receios que temos face ao que imaginamos que vai surgir depois da próxima curva.
 

 

segunda-feira, junho 13, 2005

Eugénio de Andrade

Passeio Alegre, Porto


“Passeio Alegre

Chegaram tarde à minha vida
as palmeiras. Em Marraquexe vi uma
que Ulisses teria comparado
a Nausica, mas só
no jardim do Passeio Alegre
comecei a amá-las. São altas
como os marinheiros de Homero.
Diante do mar desafiam os ventos
vindos do norte e do sul,
do leste e do oeste,
para as dobrar pela cintura.
Invulneráveis — assim nuas.”

Eugénio de Andrade in “Rente ao Dizer”

O Porto era um dos amores que tínhamos (temos) em comum.
Eugénio de Andrade continuará connosco através das suas palavras. E nós, que nos encantamos com ele, não o vamos esquecer.
Até já, Eugénio...
 

 

sexta-feira, junho 10, 2005

Presente

É impossível antecipar o que amanhã pensaremos daquilo que hoje fazemos. Aliás, sabemos de antemão que no futuro poderemos olhar com outros olhos para tudo o que vivemos no presente.

“Atravessamos o presente de olhos vendados. No máximo, conseguimos pressentir e adivinhar aquilo que estamos a viver. Só mais tarde, quando se desata a venda e examinamos o passado é que nos apercebemos daquilo que vivemos e compreendemos o seu sentido.”

Milan Kundera in “O livro dos amores risíveis”

Hoje conseguimos distinguir no passado aquilo que na altura nos era impossível vislumbrar. O tempo e afastamento das situações permite uma análise de uma forma mais fria e menos apaixonada sobre aquilo que vivemos. O facto de conhecermos as consequências das nossas opções, decisões e dúvidas também nos ajuda a ter uma nova visão sobre aquilo que aconteceu.

Houve alegrias vividas que perderam entretanto a sua intensidade, dores que se transformaram em memórias longínquas, certezas assumidas que acabaram por se revelar perfeitos enganos, apostas feitas que foram perdas de tempo, enganos que afinal eram simples mal-entendidos, azares que hoje nos parecem ser uma sorte, decisões tomadas que foram erros de análise, falhas cometidas que afinal não o eram...
Algumas coisas vão ganhar um novo brilho enquanto outras podem vir a perder parte da sua magia actual. E certamente que haverão algumas que vão manter a sua imagem, porque há coisas na nossa vida de que não nos arrependemos.

Hoje não podemos ter a pretensão de querer compreender inteiramente aquilo que vivemos, resta-nos por isso sentir e viver o presente.
 

 

quinta-feira, junho 09, 2005

Experiência

Quando estamos a dar os primeiros passos numa nova actividade é frequente cometermos alguns erros por inexperiência. Se estamos conscientes da nossa ignorância natural então somos cautelosos em tudo o que executamos, verificamos com rigor tudo aquilo que fazemos, seguimos as regras estabelecidas e evitamos os improvisos.
No entanto, há quem não reconheça a sua falta de experiência, o que facilmente conduz a erros graves.

À medida que vamos ganhando experiência, também a confiança que temos nas nossas capacidades vai aumentando. Lentamente, vamos arriscando um pouco mais, inovando e seguindo muitas vezes a nossa intuição esquecendo por momentos as regras mais básicas. Nestas alturas, um momento de distracção pode ser fatal e acabamos por cometer um erro grave, talvez maior do que aqueles que experimentamos quando ainda éramos novatos no assunto.

A cautela, o reconhecer das nossas falhas, a atenção e a vontade de aprender são fundamentais para podermos evoluir e crescer, tanto nas actividades realizadas como nas situações vividas ao longo da vida.
 

 

sábado, junho 04, 2005

Corrente

Corrente

A sucessão de acontecimentos é um enorme encadeado que vamos percorrendo durante a vida. Se alguns nos parecem menos agradáveis, porque os sentimos assim, não podemos esquecer que estão também ligados a outros mais interessantes de serem vividos.
O conjunto acaba por se ir suportando como um todo, de tal modo que os elos mais fracos acabam por se esbater quando olhamos para a corrente na sua totalidade.

O que hoje parece mau, amanhã poderá afinal ser apenas uma recordação já sem a intensidade com que hoje é sentida. Não podemos ficar presos às nossas vitórias nem às nossas derrotas, há que saber vivê-las, mas não podemos esquecer que são apenas um momento.
A vida continua, como uma extensa corrente de momentos que devemos experimentar e conhecer.
 

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