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domingo, julho 31, 2005

Morrer na Praia

Morrer na praia é a expressão que simboliza o náufrago que, depois de tantas tormentas e lutas pela sobrevivência, morre já com a praia a seus pés. Uma luta inglória, porque lutou e resistiu, mas no último fôlego não foi capaz de vencer o derradeiro obstáculo.
Quando já tinha quase tudo ao seu alcance, acabou por perder. A vida fugiu-lhe por entre os dedos no momento em que se preparava para agarrá-la.

É uma injustiça, dizem uns, enquanto outros afirmam com uma frieza cruel que ele deveria ter sido mais rápido e concentrado na luta para poder ganhar esses segundos que lhe faltaram no fim.

Morrer na praia é tão injusto como reprovar num exame com uma nota quase no limite do positivo ou como não ganhar o totoloto ou o euromilhões porque escolhemos o número ao lado daquele que saiu.
Num caso é o resultado de uma falha: um pouco mais de estudo e teria sido possível, ou seja, faltou dedicação à causa pela qual se luta. No segundo caso temos a falta de sorte (que também é essencial na vida) para saber fazer a opção correcta naquele momento. Isto tendo a consciência que o futuro é um enorme desconhecido que temos pela frente.

Injusto ou não, morrer na praia é sempre uma desculpa e um tormento para quem perde dessa forma, porque é um misto entre falhas, opções erradas, infortúnios e momentos mal escolhidos.
 

 

sábado, julho 30, 2005

Pequenas Fatalidades

Às vezes parece que tudo nos acontece. É uma ideia que me passa pela cabeça diversas vezes. São pequenas fatalidades que parecem estar sempre prontas para se atravessarem à minha frente.

Quando descobrimos um defeito em alguma coisa acabada de comprar, um engarrafamento de trânsito quando estamos cansados ou com pressa, um acidente estúpido (como são quase todos) que nos acontece, um esquecimento que nos causa atrasos e complicações, o descobrir que uma reserva de hotel não ficou feita quando viajamos ou a perda das malas na viagem de avião são pequenos exemplos destas situações.
E há dias em que nos surgem várias destas coisas menos boas, umas atrás das outras! Nessas alturas parece que o dia teima em não terminar!

Estas pequenas fatalidades parece que estão sempre à espreita para nos surpreender, principalmente quando achamos que temos tudo sob controlo ou quando temos planos bem definidos. Quem nunca decidiu tomar uma atitude e à última hora não o fez porque surgiu uma surpresa menos boa?

Facilmente esquecemos as coisas boas que nos acontecem quando nos surgem estes infortúnios pela frente, de tal modo que se torna comum perdermos a oportunidade de apreciar essas coisas agradáveis da nossa vida. Só depois de reconhecermos essa perda é que conseguimos perceber que atribuímos demasiada importância às coisas erradas! E o pior de tudo é que normalmente já é tarde nessa altura.

As pequenas fatalidades (tal e qual como as grandes) vão continuar a acontecer, não podemos fugir delas mas podemos tentar encará-las de forma diferente. A vida também é feita desses momentos esquisitos, mas não devemos perder demasiado tempo com eles.
 

 

domingo, julho 24, 2005

Velocidade da Ponte e do Tempo

Este enorme rodopio de um lado para o outro deixa-me com saudades do Porto: de o ver, de o escutar, de me encantar com ele, de sorrir a cada vez que vejo o Douro que corre da Ribeira até à Foz e de captar a vida desta cidade de que eu tanto gosto.

Ponte da Arrábida, Porto

Já quase só o vejo de fugida, sobre a ponte que atravesso em velocidade ou numa das raras incursões pelo seu interior com destino marcado e desafiando sempre os ponteiros do relógio.

E quando percebemos que temos saudades de alguma coisa (daquelas que não fazemos por falta de tempo), acabamos por descobrir que temos de gerir melhor o nosso tempo, para evitar a sensação de estarmos a envelhecer rapidamente.

Será que conseguimos atravessar o tempo de forma diferente? Talvez fosse bom conseguir usar de vez em quando um barco em vez da ponte. Poderíamos apreciar a paisagem e sentir o baloiçar da corrente da vida, em vez de atravessar em correria sobre a ponte cheia de ruído, que nos impede de vislumbrar os detalhes daquilo que nos rodeia.
 

 

domingo, julho 17, 2005

A Velocidade do Tempo

O tempo passa cada vez mais apressado por nós, escapa rapidamente por entre os nossos dedos e parece-nos uma surpresa descobrir que não fizemos nada daquilo que tínhamos planeado. O tempo continua a correr ao ritmo de um tic-tac cada vez mais digital e menos mecânico, mas não é por isso que nos parece correr mais depressa do que quando éramos crianças e contávamos as semanas, dias, horas e minutos. O tempo é exactamente o mesmo, quem mudou fomos nós porque estamos mais ocupados e menos ansiosos em crescer rumo a uma vida de adulto que antigamente nos seduzia.

A mudança de referencial está dentro de nós e o tempo parece ser cada vez mais veloz que nós próprios e do que a nossa capacidade de agir e reagir perante um mundo que exige de nós respostas rápidas. No meio desta vivência acabamos por não fazer as pausas regulares para analisarmos o que fizemos e o que queremos atingir, ou quando as fazemos descobrimos que passou tanto tempo desde a última vez que fizemos uma paragem de reflexão. Descobrimos assim que o tempo passou por nós sem que tivéssemos capacidade para assimilar tudo o que aconteceu entretanto.

E assim parece que o tempo voa sem que tenhamos capacidade de o acompanhar. As pausas parecem perda de tempo, mas se calhar é isso que nos falta para conseguirmos entender que o passar dos segundos continua a ser o mesmo que ouvíamos no bater do velho relógio quando éramos crianças.
 

 

sábado, julho 09, 2005

Razões

Será que podemos listar as razões que levam um blog a surgir e depois porque é mantido vivo e actualizado? Nem sempre é fácil fazê-lo.

Este surgiu em jeito de brincadeira e depois foi ficando como um espaço de partilha de ideias, histórias e até imagens. Os comentários serviram tantas vezes como forma de incentivo para continuar, tornando-se tantas vezes um desafio para dar mais corpo a este meu cantinho virtual.
Existem alturas em que me apetece parar, deixando-o tal como está ou até mesmo apagando-o de vez, mas tem sobrevivido a essa tentação. Não existe uma razão que eu possa apontar para a sua existência, para além do prazer que me tem dado escrever aqui e depois ficar atento às vossas reacções (ou sua ausência) nos comentários.

Para que serve um blog?
Hoje encontrei uma resposta deliciosa a esta pergunta tão intima; vejam no Aliciante como é possível encontrar uma razão para que um blog assim continue a existir. Não acredito que o meu possa ter o mesmo tipo de consequência, mas talvez já tenha conseguido fazer sorrir algumas almas que por aqui passam.
 

 

sexta-feira, julho 08, 2005

(In)sensibilidade

A nossa vida seria muito mais simples se conseguíssemos não atribuir demasiada importância às coisas más que nos acontecem. É que se fosse possível controlar o incomodo que nos é provocado pelo exterior, bem poderíamos ganhar força face ao que (ou a quem) nos tenta magoar.

Só que além de impossível reagir assim perante esses acontecimentos indesejados, ainda nos acontece frequentemente ficarmos irritados com o simples facto de sermos alvos fáceis nessas situações e de sermos incapazes de experimentar a insensibilidade a tudo o que nos tenta atingir de forma maldosa.

Resta-nos ter a consciência desta nossa forma de ser e tentar não dar demasiada importância ao que nos tenta roubar a paz e serenidade.
 

 

segunda-feira, julho 04, 2005

Desabafo

As más noticias chegam diariamente, a economia vai mal, as contas estão erradas, as dúvidas são imensas, a confiança vai morrendo e o panorama fica mais negro. As contestações chegam por tudo e por nada, há um enorme descontentamento, os sonhos vão sendo destruídos e parece que estamos a remar contra a maré.

Apesar de pequenas alegrias aqui e ali, todos percebemos que este é um tempo de crise. Sabemos que existem inúmeras dificuldades que têm de ser vencidas e que para isso há que rapidamente encontrar a melhor forma de inverter esta situação. Nestas alturas é preciso fazer rupturas mas ao mesmo tempo incutir de novo a confiança nas pessoas, apesar de todas as dificuldades.

Estamos a bater no fundo, ou pelo menos assim me parece. É urgente fazer alguma coisa porque não é viável continuar assim. É preciso responsabilizar as pessoas, recompensar quem merece, repreender quem tem de ser admoestado, ajudar quem de facto quer investir, penalizar quem gasta sem controlo, investir na educação de forma séria, limpar a burocracia redundante e liderar pelo exemplo.

Será que este país ainda pode ter um futuro risonho? Espero bem que sim, mas para isso todos precisamos de ajudar. Não serve de nada apenas criticar e depois ficar de braços cruzados à espera de um milagre.
 

 

sábado, julho 02, 2005

Preguiça

A falta de palavras por aqui funciona como um silêncio. Esta ausência vai aumentando de dia para dia e não tem uma razão concreta. É no entanto fruto da conjugação de múltiplas condicionantes.

O tempo disponível não tem sido muito, mas só por si não explica tudo. Tenho de lhe juntar outros ingredientes como sejam o cansaço, a falta de inspiração e até mesmo alguma preguiça. É uma preguiça de captar essa inspiração que surge naturalmente das pequenas coisas do quotidiano e de materializar em palavras as ideias que passam pela minha cabeça.

Contudo é uma preguiça temporária, já me conheço, basta um pequena lufada de ar mais fresco para retomar a escrita. É que o calor deste início de Verão ajuda imenso a amolecer o corpo e o espírito.
 

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