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quarta-feira, agosto 17, 2005

Encantadora

Entrou no carro no final de mais um dia de trabalho. Conduziu pela estrada marginal, junto do rio, e encaminhou-se para a beira-mar onde estacionou. Por alguns momentos ficou simplesmente a contemplar a dança agitada das águas do rio e do mar, enquanto se misturavam.
Abriu a janela e deixou entrar o cheiro a maresia. Inspirou, de olhos fechados, degustando o odor refrescante daquele momento, enquanto se imaginava por outras paragens bem menos quotidianas. Saiu do carro, sentou-se no muro e ficou à espera dela. O tempo foi passando, mas ele aguardou pacientemente a sua chegada. Tinha a certeza que ela viria ao seu encontro.

Quando o Sol começou a desaparecer, ela chegou com a timidez de uma menina e o atrevimento de quem sabe que é desejada. Passeou-se em movimentos suaves perante os olhos extasiados dele. Ele sentia-se incapaz de disfarçar o sorriso de felicidade de a rever assim, tão cheia de magia. Fechou os olhos e passou em revista os múltiplos lugares por esse mundo fora onde se tinha sentido enfeitiçado por ela.

Olhou-a de novo antes de lhe sussurrar: “Vem comigo, acompanha-me esta noite!”
Depois entrou no carro, ligou o rádio e arrancou ao som de Sting:

“We could walk forever
Walking on the moon
We could be together
Walking on, walking on the moon”

Seguiu então viagem pela noite estrelada, na companhia daquela Lua encantadora!
 

 

sexta-feira, agosto 12, 2005

Regresso

A lua brilhava no céu estrelado com um intensidade especial, como que anunciando que aquela noite quente seria distinta de tantas outras. A janela aberta deixava entrar uma ligeira brisa, vinda do mar, que inundava o quarto. A música soava pelo quarto cortando o silêncio da noite.

Ele rodou a chave na porta de entrada. Vinha cansado da longa viagem mas pressentiu de imediato que alguma coisa de especial o esperava. Dirigiu-se rapidamente para o quarto, seguindo a voz de Pedro Abrunhosa:

“Tu és todos os sons
De todo o silêncio,
Por isso eu te espero
Te quero e te penso.”

Entrou e parou de imediato a observar desconfiado o quarto vazio, em busca de uma pista. A casa de banho anexa ao quarto tinha uma luz ténue que espreitava pela porta entreaberta, onde um post-it colado anunciava as primeiras instruções:

“Despe-te e apaga a luz antes de te aventurares!”

A curiosidade aumentava a cada segundo gasto no cumprir das ordens dela. Quando se preparava para apagar a luz, viu um novo papelinho amarelo colado no interruptor, que dizia:

“Apetece-me algo! Sabes o quê? Tu! És tu que eu desejo!”

Os dedos dele apagaram a luz e encaminhou-se para quem tanto o desejava. Abriu a porta e viu-a na banheira cheia de espuma à espera dele. Tinha o sorriso de catraia que tanto o seduzia, um sorriso que misturava a inocência com o atrevimento. Por toda a divisão havia velas acesas que iluminavam o ambiente, deixando um aroma relaxante e envolvente.
A canção de Caetano parecia falar por ele:

“Linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz
Você é linda
Mais que demais
Vocé é linda sim
Onda do mar do amor
Que bateu em mim”

Ela chamou-o com um dedo que apontava na sua direcção. Ele sabia bem o que ela pretendia com aquele gesto.
Entrou de forma obediente na banheira. As suas costas entregaram-se ao peito dela. Sentiu de imediato as mãos dela, que lhe percorriam o peito, e a boca junto da sua orelha direita, que lhe sussurrava: “Estou tão quente, preciso de ti!”
Ao mesmo tempo, a voz de Bethânia confessava:

“Não posso conter a minha paixão, quando sinto você me tocar
Não sei controlar minhas emoções
Eu adoro o seu jeito de amar
Eu gosto demais de tudo que você faz”

A música continuava a tocar no quarto, mas a sua força ficava diminuída perante os sons quentes vindos daquela banheira. A lua continuava a iluminar a noite, mas a sua intensidade não chegava sequer ao brilho que irradiava dos olhos dos amantes envoltos na espuma sensual. A noite continuava quente, mas a temperatura que se sentia lá fora seria certamente bem mais amena do que o calor daqueles corpos entrelaçados dentro da água.
Enquanto isso, Rita Lee cantava:

“Que tal nós dois numa banheira de espuma
El cuerpo caliente , um dolce farniente
Sem culpa nenhuma.”

A noite tinha apenas começado a aquecer...
 
 
p.s.: esta é a minha resposta ao desafio no Amorizade
 

 

segunda-feira, agosto 08, 2005

Trilhos

Já aqui falei de comboios várias vezes. Ao ver as fotografias tiradas recentemente, decidi voltar a falar de viagens ferroviárias e de encruzilhadas da vida!

Campanhã, Porto

A vida tem vários caminhos que podemos trilhar. Depois da escolha feita e da viagem iniciada, sabemos que não nos é permitido voltar atrás. No máximo podemos mudar de linha e tentar escolher um outro caminho que nos permita corrigir o nosso rumo.

Não conseguimos apagar do nosso registo (ou memória) as viagens já efectuadas. No entanto, podemos tentar substitui-las por novos percursos vividos no presente, atribuindo-lhes uma força superior ao passado.

Podemos voltar a passar pelos mesmos locais, nas mesmas estações e apeadeiros da vida, mas será certamente uma nova viagem com as suas particularidades próprias e únicas. Isto não significa que será pior ou melhor do que a primeira passagem, simplesmente sabemos que vai ser obrigatoriamente diferente.
 

 

quinta-feira, agosto 04, 2005

Erotismo Digital

Na revolução tecnológica que temos vivido (e ainda continuamos a sentir) o conceito de digital tem estado quase sempre presente. A palavra digital deriva de dígito, que por sua vez tem a sua origem no latim digitus, que significa dedo. Curiosamente, os dedos desempenham um papel relevante nesta revolução tecnológica pelo seu uso no pressionar de teclas e botões.

Os dedos sempre foram importantes para mim e quem me conhece sabe bem o valor que lhes atribuo. É a propósito deles que hoje me apetece escrever em tons distintos daqueles que tenho usado ultimamente. Deixo-vos aqui este pequeno erotismo digital:

Dedo a dedo, ele aproximou-se dela. Tocou-a ligeiramente uma vez, quase de fugida. Voltou a raspar ao de leve na sua pele. À terceira tentativa deixou-se ficar colado a ela por alguns segundos. Ganhou confiança quando percebeu que podia prosseguir.
Lentamente percorreu-a com a ponta do dedo, primeiro a medo, depois mais serenamente e confiante. Aos poucos os dedos foram-se atrevendo um pouco mais, queriam continuar a descobrir o que estava escondido diante deles. De um atrevimento a outro, foram desvendando o segredo que se ocultava debaixo das suas roupas.
Finalmente chegaram ao primeiro ponto de paragem. Tactearam para concretizar o reconhecimento da área e instalaram-se de modo a sentir o ambiente. Dialogaram com o terreno onde se moviam, interagiram com ele de forma a poderem conhecê-lo cada vez melhor e ficaram à escuta dos sinais que recebiam de volta.
Depois retomaram a exploração aventureira em direcção a novos destinos!
Ah que dedos tão malandros estes!
 

 

segunda-feira, agosto 01, 2005

Risquinhos

Não avançamos nem melhoramos a nossa vida sem corrermos riscos. A análise do risco é importante porque não somos super-homens e temos de estar preparados para enfrentar os desafios que vamos atravessar a cada instante.
O fracasso é sempre uma possibilidade nas apostas que fazemos. Se este resolver aparecer à nossa frente temos de estar preparados para aceitá-lo e para aprender com ele tudo o que nos for possível.

Para minimizar os riscos e as consequências dos fracassos, podemos procurar dividir a nossa aposta em várias fases e passo a passo concretizá-las. Podemos até errar numa dessas etapas sem invalidar o nosso caminho rumo à meta estabelecida.
Esta solução significa transformar o risco inicial numa colecção de risquinhos, que vamos domando e enfrentando sem medo, ao mesmo tempo que ganhamos confiança em nós próprios para podermos concretizar o nosso sonho.

"Quem não arrisca não petisca", diz o provérbio com muita razão, mas não temos de o fazer na totalidade. Podemos progredir em passos mais pequenos e evitar correr alguns riscos desnecessários ao mesmo tempo que controlamos as perdas em caso de falha.

Dividir o projecto, estabelecer pontos intermédios e concretizar cada etapa. No final podemos atingir o nosso objectivo com o nosso conjunto de risquinhos alcançados e com a nossa confiança reforçada.
 

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