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sexta-feira, agosto 12, 2005

Regresso

A lua brilhava no céu estrelado com um intensidade especial, como que anunciando que aquela noite quente seria distinta de tantas outras. A janela aberta deixava entrar uma ligeira brisa, vinda do mar, que inundava o quarto. A música soava pelo quarto cortando o silêncio da noite.

Ele rodou a chave na porta de entrada. Vinha cansado da longa viagem mas pressentiu de imediato que alguma coisa de especial o esperava. Dirigiu-se rapidamente para o quarto, seguindo a voz de Pedro Abrunhosa:

“Tu és todos os sons
De todo o silêncio,
Por isso eu te espero
Te quero e te penso.”

Entrou e parou de imediato a observar desconfiado o quarto vazio, em busca de uma pista. A casa de banho anexa ao quarto tinha uma luz ténue que espreitava pela porta entreaberta, onde um post-it colado anunciava as primeiras instruções:

“Despe-te e apaga a luz antes de te aventurares!”

A curiosidade aumentava a cada segundo gasto no cumprir das ordens dela. Quando se preparava para apagar a luz, viu um novo papelinho amarelo colado no interruptor, que dizia:

“Apetece-me algo! Sabes o quê? Tu! És tu que eu desejo!”

Os dedos dele apagaram a luz e encaminhou-se para quem tanto o desejava. Abriu a porta e viu-a na banheira cheia de espuma à espera dele. Tinha o sorriso de catraia que tanto o seduzia, um sorriso que misturava a inocência com o atrevimento. Por toda a divisão havia velas acesas que iluminavam o ambiente, deixando um aroma relaxante e envolvente.
A canção de Caetano parecia falar por ele:

“Linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz
Você é linda
Mais que demais
Vocé é linda sim
Onda do mar do amor
Que bateu em mim”

Ela chamou-o com um dedo que apontava na sua direcção. Ele sabia bem o que ela pretendia com aquele gesto.
Entrou de forma obediente na banheira. As suas costas entregaram-se ao peito dela. Sentiu de imediato as mãos dela, que lhe percorriam o peito, e a boca junto da sua orelha direita, que lhe sussurrava: “Estou tão quente, preciso de ti!”
Ao mesmo tempo, a voz de Bethânia confessava:

“Não posso conter a minha paixão, quando sinto você me tocar
Não sei controlar minhas emoções
Eu adoro o seu jeito de amar
Eu gosto demais de tudo que você faz”

A música continuava a tocar no quarto, mas a sua força ficava diminuída perante os sons quentes vindos daquela banheira. A lua continuava a iluminar a noite, mas a sua intensidade não chegava sequer ao brilho que irradiava dos olhos dos amantes envoltos na espuma sensual. A noite continuava quente, mas a temperatura que se sentia lá fora seria certamente bem mais amena do que o calor daqueles corpos entrelaçados dentro da água.
Enquanto isso, Rita Lee cantava:

“Que tal nós dois numa banheira de espuma
El cuerpo caliente , um dolce farniente
Sem culpa nenhuma.”

A noite tinha apenas começado a aquecer...
 
 
p.s.: esta é a minha resposta ao desafio no Amorizade
 

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